CRÔNICAS TONS DO COTIDIANO – Apresentação Edição Mai e Jun 2025

CRÔNICAS TONS DO COTIDIANO – Apresentação Edição Mai e Jun 2025

“A principal matéria-prima para a crônica são as relações humanas. O modo como as pessoas se amam, se enganam, se aproximam ou se afastam num ambiente social definido. Ou qualquer outra coisa.”  Luís Fernando Veríssimo

 

“O essencial é simples.” Berth Hellinger

Olá, como vai? Começo nossa conversa já me apresentando: sou Adriana, a nova cronista da Revista The Bard, responsável pela coluna Tons do Cotidiano. Eu não sei você, mas sou apaixonada mesmo é pelos detalhes. Nada grandioso e eloquente me desperta. Gosto da pequenez, do singelo, do sutil, do que parece insignificante. Da flor no cabelo, do colar, do perfume, da toalha bordada, do bilhete, da flor singela, do bombom inesperado, da ligação despretensiosa. Gosto do pequeno que se revela imenso na trama das relações humanas. Gosto de olhar o que todo mundo olha e reconhecer, ali, inesperadamente, uma camada de profundidade. Você já viu uma espiral? Gosto de circularidade e de aprofundamento em níveis que se sobrepõem com sutileza e delicadeza. Aos poucos. Sei ser bem direta quando necessário, sim, mas me encantam as inesperadas delicadezas que surgem do que é visto, mas não é enxergado. Já diz o ditado: “Se podes ver, repara. ” É preciso ter olhos de ver. Para mim, a crônica é isso: olhar de descoberta. Para o que todos olham com indiferença – pedra bruta sem cor nem brilho atraentes -, o cronista vê um diamante e, por estar certo da sua beleza, o esculpe e traz à luz para admiração coletiva.

Imagem de EyeEm por Freepik

 

A crônica é multifacetada, pois pode transitar por qualquer temática, de modo leve e informal, como em uma conversa – no mínimo – interessante, manifestando a multiplicidade de perspectivas pelas quais a realidade se apresenta a partir da visão do cronista. Meu ilustre professor Antônio Candido disse assim:

“A crônica não é um ‘gênero maior’. Não se imagina uma literatura feita de grandes cronistas, que lhe dessem o brilho universal dos grandes romancistas, dramaturgos e poetas. Nem se pensaria em atribuir o Prêmio Nobel a um cronista, por melhor que fosse. Portanto, parece mesmo que a crônica é um gênero menor. “Graças a Deus”, – seria o caso de dizer, porque sendo assim ela fica perto de nós. E para muitos pode servir de caminho não apenas para vida, que ela serve de perto, mas para a literatura. Por meio dos assuntos, da composição aparentemente solta, do ar de coisa sem necessidade que costuma assumir, ela se ajusta à sensibilidade de todo o dia. Principalmente porque elabora uma linguagem que fala de perto ao nosso modo de ser mais natural. Na sua despretensão, humaniza; e esta humanização lhe permite, como compensação sorrateira, recuperar com a outra mão uma certa profundidade de significado e um certo acabamento de forma, que de repente podem fazer dela uma inesperada embora discreta candidata à perfeição. Ora, a crônica está sempre ajudando a estabelecer ou restabelecer a dimensão das coisas e das pessoas. Em lugar de oferecer um cenário excelso, numa revoada de adjetivos e períodos candentes, pega o miúdo e mostra nele uma grandeza, uma beleza ou uma singularidade insuspeitadas”.

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Sendo assim, o que esperar desta coluna? Esperar tudo o que couber na vida, ué! Sou linguista, contadora de histórias e terapeuta, assim, meu universo de interesse é muito vasto! Linguagem, educação, temas Psi, literatura e arte me nutrem e instigam a ir sempre além, logo, meus textos sempre esbarram nessas lentes pelas quais gosto de enxergar o mundo, ok? A vida em abundância é o terreno fértil em que a crônica brota: um esbarrão, uma conversa na fila do supermercado, um encontro inesperado, uma tristeza, uma alegria. Se é da dimensão do humano, então, é fonte de inspiração para um cronista.

Por meio de um olhar investigativo a partir da subjetividade, a crônica flerta com o jornalismo e a literatura, ocupando, assim, um espaço criativo de experimentação que propõe novos contornos à linguagem e à vida. Ao contrário da notícia, cujo alicerce é o fato e seus desdobramentos objetivos, a crônica parte do fato para explorar o seu percurso subjetivo na sensopercepção do cronista. Assim, a criação textual também encontra o terreno estimulante da imaginação.

Como leitora de crônicas, sempre tenho a impressão de que sou convidada a atravessar um portal, pois, para além do acontecimento que motiva a escrita do texto, há uma revelação, um descortinar de véus: uma realidade ampliada é apresentada ao leitor. Bom, a esta altura, será que você já ficou um pouquinho curioso (a) para conhecer esse gênero textual mais de perto? Este é meu convite e conto com sua presença amorosa para me acompanhar, ok?

Desde já, agradeço pela sua companhia e me comprometo a estar aqui por inteiro, de modo visceral, humano e fértil. Para a estreia, trago como mote uma cena cotidiana em minha rotina: um simples passeio matinal com meus cachorros. Vou ficar muito feliz de conhecer sua opinião, por isso, não se acanhe e, se sentir no coração, me escreva, está bem?

Então, você está pronto (a) para segurar na minha mão e embarcar nessa jornada repleta de revelações?

Com gratidão pela sua companhia e pelo seu tempo, um abraço terno.

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Por ADRIANA MOURA SALLES

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