MÃE ÁFRICA – Benguela minha herança/minha cidade

MÃE ÁFRICA – Benguela minha herança/minha cidade

408 ANOS DE EXISTÊNCIA- 17 de Maio de 1617-2025

A cidade de Benguela, localizada bem no sul da República de Angola, abre a nossa participação nesta coluna cultural, e, não é por acaso. Uma cidade Histórica onde muitos escravos foram enviados para o Brasil, desde o seu porto, cito no Museu Nacional de Arqueologia na Praia morena em Benguela, talvez tenhamos mais semelhanças do que imagina.

Benguela cidade muito cantada, amada e adorada, não só pelas lindas praias, a praia-morena, a praia do pequeno Brasil, a caotinha, a praia do Santo António, a baía-azul, as casuarinas do meu tempo. Cidade que interessa visitar. Assim vou lhe fazer uma visita a Benguela do meu tempo, porque muitos tiveram o seu tempo, as suas festas, o seu viver. Eu começo pela Rua Dr. João Ornelas, nome colonial, deve ter o mesmo nome em Portugal, no Brasil, em Cabo- Verde, na Guiné-Bissau, Moçambique ou em Tomé. Sim porque os nomes eram dados conforme os médicos, poetas, advogados do tempo colonial, quando estes países ainda eram colónias de Portugal e em África depois das Reformas de Norton de Matos, eram as Províncias ultramarinas, o além Portugal. (curioso…)

 

 

Sim meu postal começa na casa nº11 da Rua Dr. João Ornelas, bem próximo do Hospital Central de Benguela, da Antiga Jota MPLA e a cinco minutos da praia do matadouro. Estes lugares são lindos, asfaltados, casas residenciais que chamamos de vivendas e muito amor. Amor que encontramos nos poemas de Carlos Gouveia”Goya”….Dona Madalena, clara, que teve seus filhos com o Sr. Branco e não sabia ler, mas tinha bons modos, falava baixo, sempre bem vestida a tarde, de batam com preguinhas. É assim, Benguela minha cidade, minha herança.

Continuamos a viagem pela Benguela do meu tempo, a Igreja da Nossa Sra. Do Pôpulo, um cartão de visita obrigatória até os dias de junto, igreja do estilo Barroco, que encanta qualquer um, não, encanta quem tem amor ao belo, a história dos homens e seus detalhes. Bem próximo da igreja, encontramos o colégio das irmãs Doroteias, e ao lado o Banco Nacional de Angola, parece uma basílica, construída na administração portuguesa antes de 1975- data da Independência de Angola.

Imagem de Benguela por Google

 

Respiro fundo, e continuo minha visita pela cidade de Benguela, onde fui com aproximadamente quatro (4) anos e passei toda minha formação como pessoa e como académica e mãe. Portanto uma herança que muito me orgulho.

Imagem de Igreja da Nossa Senhora do Populo (Benguela) por Tripadvisor

 

Depois vou para o ciclo velho, onde estudei a quinta e sexta classe, o pessoal que morava na Massangarala, Cotel, Quioche, Casas Novas, Rua do Hospital, Rua Egas Moniz, Sociedade de Geografia, Câmara Municipal de Benguela, Escola Paula Vicente, estudavam no Ciclo Velho; os que moravam, perto da Companhia Eléctrica, Alda Lara, Corinje, Camunda, cambanda, Escapira, estudavam no Ciclo novo e o Liceu, escola do III Nível Comandante Kassanje era o ponto de Encontro de todos.

Por isso, a minha geração se conhece, se respeita e se admira. Assim são os de Benguela. São amigos, se respeitam e admiram os outros, são solidários. Nunca vi tamanha solidariedade e amizade. Por isso o meu passeio pela cidade de Benguela, também conhecida como a Cidade das Acácias Rubras, a terra da banana e do tambarino não termina por aqui.

Imagem de Sé Catedral de Benguela por Google

 

Benguela, foi pioneira em quase tudo na República de Angola:

Imagem de Benguela por Google

 

Benguela foi pioneira nas Mídias no território do país, a partir do lançamento do “Jornal de Benguela”, em 1912, criado e editado por Manuel Mesquita; foi o primeiro periódico de jornalismo profissional, e também o primeiro a possuir tipografia própria.

Houve também pioneirismo nas emissões de radiodifusão em 1931 e o lançamento da primeira emissora eminentemente angolana, a Rádio Clube de Benguela, em 28 de Fevereiro de 1933. Posteriormente esta rádio foi absorvida para formar a estação local da Rádio Nacional de Angola A primeira transmissão televisiva em Benguela apareceria somente em 1964, sob os auspícios da mesma rádio clube, tornando-se a segunda cidade do país a ter uma emissora em Benguela apareceria somente em 1964, sob os auspícios da mesma rádio clube, tornando-se a segunda cidade do país a ter uma emissora.

É em Benguela que inicia-se um dos primeiros movimentos independentistas de Angola, quando, entre 1822 e 1823, soldados da capitania-distrito de Benguela rebelam-se e declaram formada a Confederação Brasílica, uma entidade nacional que buscava inspiração no recém-formado Império do Brasil.

Nos anos 1960, a cidade atingiria os 30 800 habitantes, como reflexo do aumento de trabalhadores do sector industrial em plena expansão: fábricas de óleo, açúcar, sabão, lacticínios, cal, tijolo, refrigerantes, secagem e congelação de peixe.

Imagem de Salinas na estrada a caminho da Baía Azul, arredores de Benguela

 

Esta é a minha Benguela, que completa 408 anos de Cidade, de invejar.

E ainda pelo passeio a cidade de Benguela, queria fazer dos poetas, que marcaram outras gerações, mas que, no meu tempo estudamos, no livro Textos Africanos da 7ª e 8ª Classe do Liceu, Alda Lara, de Benguela; Aires de Almeida Santos, de Benguela, Raul David, de Benguela; e sobretudo as festas de S.João com jogos florais e Jincanas.

Imagem de Baía Azul, Benguela por Google

 

Este passeio que marca meu primeiro encontro com vocês, nesta linda revista é uma assinatura, para conheceres ao longo de nossas futuras edições um pouco da História de Benguela, de Luanda, Huambo, Malanje e outras províncias, mas para conhecer a Cultura deste povo maravilhoso de Angola, um País que está na zona Austral do Continente africano e também no Sul do Continente. Conhecer como temos muitas semelhanças culturais, o funje de milho e o calulu, que se come no Brasil como Angu ou Muteta, a nossa música do Semba ao Samba e a nossa forma de viver e conviver.

Conto consigo noutras edições e vais gostar. Uma acácia para todos.

Imagem do Museu Nacional de Arqueologia, em Benguela por Google

Por FÁTIMA MONIZ

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