Sob os ventos do Norte
Por Márcia Neves
Com bravura
Os ventos se disfarçam
Em movimentos profundos
Envolvendo-nos, arrancando passos
A música que ouvimos ao dançar
Vai açoitando
O corpo
tal a costa do mar
Inclina-se feito palmeira
Esguia o coração, afeta-se, conhece
E perfaz uma península inteira
Por meses
Vão nos soprando, conduzem e sentam
Sentam-se numa cadeira de balanço
A apreciarem nossas histórias
No embalo do tempo
Cerrado entre montanhas
Por vezes
Tempo uivante
Curvados, lançamos redes
E a posição do corpo é a vida
Escrevendo sua beleza às margens
E em qualquer estação
A maré do homem não cessa.

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SAUDAÇÕES LITERÁRIAS, LEITOR (A)!
Entre ventos e marés, a literatura segue exercendo majoritariamente o seu papel edificante no mundo e na vida, de diversas formas, seja através da música, das artes, da poesia, etc.
Nesta edição, em diálogo com o tema “A ARTE NAS CULTURAS NÓRDICAS”, a Coluna NOSSA LITERATURA–VIRTUDES POÉTICAS apresenta a você, leitor, de modo bastante especial, uma entrevista realizada com FLÁVIO VIEGAS AMOREIRA, escritor, poeta e crítico literário.

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É uma grande satisfação tê-lo conosco nesta edição! Sua contribuição ao mundo literário e cultural, universalmente, mas em especial à cidade de Santos e baixada santista, é indescritível. Como curador da Casa das Culturas de Santos, Flávio Viegas Amoreira desenvolve e abre espaços e oportunidades para oficinas, palestras, exposições, cursos, lançamentos de livros, etc., visando sempre a boa e verdadeira literatura, a valorização das artes e das culturas, “sem divisas, nem fronteiras”. Estamos muito entusiasmados com sua participação e certos da importância de apresentar sua visão sobre o tema. Acreditamos que a literatura, com todas suas dimensões, possui um poder restaurador por meio do conhecimento e da construção de sentido e conexão com o mundo, bem como transformador pela capacidade de impactar e dar sentido à vida. Nesse sentido, com vasta experiência na promoção da diversidade cultural, fomos premiados com sua presença e sabedoria.
Nossos agradecimentos, Flávio Viegas Amoreira!
Venha conosco, caríssimo (a) leitor (a)!

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Ode ao reconhecimento
Por Márcia Neves
Depois dessa chuva de letras,
se foi sorte ou coisa do destino, eu sei
que viver é como ser livre
na aliança exímia com o mundo,
que “se faz com homens e livros”,
e a céu aberto
E eu nunca me esquecerei
de que é preciso viver entre a gente
que faz de sua sabedoria um lugar
para a imaginação do diferente.
Tendo como precedente movimento,
algo como a dança da chuva.
Curva-se de acordo com o vento
e concentra no recôndito do simples consciente,
o que acorre num mundo necessário
e não se pode perder de vista.
A literatura, em sua essência, revela a profundidade da expressão humana e a nossa conexão intrínseca com o mundo ao nosso redor, independentemente da direção que o vento possa soprar. Através da poesia, alcançamos uma profundidade que é ao mesmo tempo única e universal. Sem essas formas de arte, como poderíamos verdadeiramente viver? Escrever é tão vital quanto respirar, e ter ao nosso redor pessoas que compartilham conhecimento não é apenas sorte; é a própria vida se manifestando de maneira visceral. Ao me despedir desta edição, faço-o com um coração cheio de gratidão e um incessante desejo de buscar saberes que nos unam à essência da vida. Esta edição, com o mestre Flávio Viegas Amoreira, foi mais do que uma simples conversa; foi um verdadeiro despertar literário e cultural. Um presente a todos nós. E a você que lê ‘Nossa Literatura: virtudes poéticas’, meu sincero agradecimento!
Por MÁRCIA NEVES
