O amor é sobrevivência!
O respiro da Alma.
Betânia Pereira.
Vivemos por amor e morremos por amor. Somos amor o tempo inteiro, mesmo na dor e aos prantos, somos amor; sobrevivemos por amor. A estrada não tem cor, cheiro, nem sentido se por ela não houver passos do amor. Ao longo da história, nenhum outro tema inspirou tamanho interesse ou polêmica, e nunca se esgota.
Qual seu conceito de amor? Estaria ligado a rituais românticos: rosas-vermelhas, jantares à luz de vela, noivas de vestido branco, luas de mel em destinos distantes? Ou seria um mandamento?

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“O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos. Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando”. (João 15.12-14)

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O conceito de amor vem se desenvolvendo ao longo da história, passando de alianças familiares para o desejo individual e o afeto, impulsionado por mudanças sociais, econômicas e tecnológicas. As expressões e rituais do amor também variaram, com o casamento evoluindo de um “negócio de família” para uma união baseada no afeto, e o século XX marcando a emancipação feminina e a aceitação de relações diversas. O amor (do latim amore) é uma emoção ou sentimento que leva uma pessoa a desejar o bem a outra pessoa ou a uma coisa. O uso do vocábulo, contudo, lhe empresta outros tantos significados, quer comuns, quer conforme a ótica de apreciação, tal como nas religiões, na filosofia e nas ciências humanas. A palavra tem suas raízes no termo em latim “amare”, que era usado para a distinção das carícias e cuidados da mãe dos cuidados do amor verdadeiro. Para, além disso, a língua também cita a palavra “Amma” que faz referência ao amor materno, como o primeiro amor incondicional do ser humano.

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A maioria dos especialistas acredita que o amor, assim como a família, nasceu com a descoberta do fogo. Ali, confinados em cavernas, reunidos em volta da fogueira, homens e mulheres estabeleceram as regras de uma célula social pré-histórica: divisão de funções, cuidados especiais com os filhos e parceiros.
Segundo o mito de Aristófanes, que faz parte das crenças gregas, o amor surgiu há muito tempo a partir da divisão do ser humano. A história narra uma Terra onde os seres humanos eram divididos em três tipos: homens, mulheres e hermafroditas (que tinham ambas as partes reprodutivas). O amor seria, então, a busca de cada metade pelo seu “complemento”, o anseio pela união e pela restauração da unidade original.

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Entre os gregos surgem ideias como “almas gêmeas”, “cara-metade” e a de que o amor só era possível entre pessoas iguais, ou seja, da mesma classe social, do mesmo nível intelectual. Os gregos acreditavam, ainda, que o verdadeiro amor só acontecia entre pessoas do mesmo sexo.

Imagem de Vevekolog por Pixabay
Assim, na antiguidade, sobretudo na Grécia Antiga, o amor não se limitava a uma única definição. Os gregos o dividiam em várias categorias, explorando suas diferentes nuances:
- Eros:A paixão e o desejo sexual, frequentemente associados a uma força perigosa e irracional. O filósofo Platão, em sua obra O Banquete, teorizou sobre o “amor platônico”, uma forma de eros que transcende a atração física em busca da beleza da alma e do intelecto.
- Philia:O amor fraternal e a amizade, valorizados como uma virtude fundamental na sociedade.
- Ágape:O amor incondicional e altruísta, que mais tarde seria associado à caridade cristã.
- Ludus:O amor lúdico e sedutor.
- Pragma:O amor pragmático e duradouro, focado na parceria e no compromisso.
Essas histórias, da mitologia, demonstram a complexidade do amor e sua importância para o pensamento humano desde a Antiguidade.
A Idade Média foi profundamente marcada pelo cristianismo, que via a sexualidade com desconfiança e promovia o amor a Deus e à família. Surge o conceito de amor cortês: uma idealização do amor romântico, que floresceu na poesia trovadoresca entre os séculos XII e XIV. Era uma paixão platônica entre um cavaleiro e uma dama nobre, inatingível e já casada. O cavaleiro expressava sua devoção e submissão, honrando e servindo sua amada, que era idealizada como um ser perfeito e inacessível.

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Com o Renascimento, a visão de mundo se tornou mais humanista e individualista, o que também influenciou a percepção do amor, deixando de ser apenas um arranjo social e passando a ser visto como uma experiência intensa e pessoal.
A poesia de Dante, Petrarca e Camões celebrava o amor como uma experiência sublime, mas também dolorosa, capaz de elevar a alma humana. Uma espécie de idealização do ser amado. Começou a ganhar força a ideia de que encontrar o amor verdadeiro era parte do destino individual, e não apenas uma obrigação familiar ou social.
A Era Vitoriana, no século XIX, foi caracterizada por um rigoroso moralismo social e sexual. O casamento era a única forma aceitável para a expressão sexual, que era vista como tabu. A família se tornou um refúgio de sentimentos, em contraste com a esfera pública masculina. Os homens deviam ser provedores e protetores, enquanto as mulheres eram idealizadas e mantidas no espaço privado do lar.

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Embora a paixão existisse, o casamento, especialmente nas classes mais baixas, muitas vezes era um arranjo prático para a sobrevivência.
O século XX foi palco de grandes transformações sociais que alteraram a percepção do amor e do casamento. A crença de que o casamento deveria ser por amor, e não por conveniência, se consolidou para grandes parcelas da população, seguindo um “complexo de Cinderela”. A crescente inserção da mulher no mercado de trabalho e a ascensão do individualismo minaram a tradicional hierarquia familiar e a rígida divisão de papéis. O ceticismo em relação ao amor eterno e à felicidade prometida pelo romantismo começou a surgir à medida que os casamentos se tornavam mais efêmeros.
O amor contemporâneo pode ser entendido como uma construção cerebral, com diferentes fases (paixão e apego) que ativam diversas substâncias químicas e regiões do cérebro, culminando em sentimentos de euforia, necessidade, tranquilidade e segurança. E espiritualmente, o amor é visto como um sentimento que precisa ser cultivado internamente e que conecta a todos. A neurociência explica o amor como um processo que se desdobra em fases:
- Fase da Paixão: A paixão ativa o centro reptiliano do cérebro, associado a desejos e motivações, e libera substâncias que causam euforia e uma sensação de “vício” e obsessão pela pessoa amada.
- Fase do Apego: Com o tempo, a paixão evolui para o apego, caracterizado por tranquilidade, segurança, conforto e uma profunda conexão emocional. Essa fase está ligada ao córtex pré-frontal, a parte mais evoluída do cérebro, responsável por funções como confiança, respeito e companheirismo.
Acima de tudo, porém, revistam-se do amor,
que é o elo perfeito.
Colossenses 3:14
No cristianismo, o nascimento do amor está ligado à vinda de Jesus Cristo e à manifestação do amor de Deus pela humanidade. Tornamo-nos filhos de Deus ao aceitar essa palavra cheia de amor, e a prática do amor a Deus e ao próximo é fundamental.

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O amor não é algo passivo que se espera que venha de fora, mas um sentimento que precisa ser cultivado e alimentado diariamente. É uma escolha que se renova e se constrói através da cumplicidade e do esforço compartilhado.
Quem não ama não conhece a Deus,
porque Deus é amor.
1 João 4:8;
Na era contemporânea, as relações são marcadas pela velocidade, incerteza e pela influência da tecnologia. A tecnologia, através dos aplicativos de paquera e redes sociais, mudou a forma de se relacionar, tornando as conexões mais superficiais. Apesar de toda a superficialidade, a exclusividade e a devoção no relacionamento amoroso ainda são valores prezados por muitos na contemporaneidade.

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Sigo acreditando que não gostar de alguém não nos isenta de amar. Gostar é sentimento. Amar é uma ação. Sentimentos surgem depois. Sentimentos são instáveis, podem mudar com o tempo. Mas o amor vai, além disso: é uma escolha consciente de estar, cuidar e permanecer, mesmo quando as circunstâncias não são perfeitas. Ele exige esforço, comprometimento e intenção.

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O amor é estrada percorrida sobre espinhos
Exalando perfume de jasmim.
O amor é graça, sorriso e cheiro.
É corpo inteiro!
Te vejo logo ali, vejo flores em você!

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Referência Bibliográfica:
https://www.camara.leg.br/radio/programas/309966-como-o-amor-e-o-casamento-foram-vivenciados-ao-longo-da-historia-bloco-2-0732/ acesso 24 de set.2025.
Por BETÂNIA PEREIRA
