SEMEANDO A ESCRITA – A Voz da Poesia

SEMEANDO A ESCRITA – A Voz da Poesia

A VOZ DA POESIA

Palavras não ditas, mas demasiadamente audíveis.

 

“De todas as palavras que gritei ao teu ouvido…

Ouviste, somente, as palavras que sequer cogitei dizer.”

(Lilian Barbosa)

 

Olá, leitores!

Bem-vindos a mais uma bela edição da Revista Internacional The Bard.

A coluna “Semeando a Escrita” desta edição revisita a força da voz poética que, em simples laudas, consegue tornar audíveis palavras jamais proferidas. Capaz de irradiar sentimentos por quem escreve e por quem se dispõe a ler.

 

Poeta não é somente o que escreve. É aquele que sente a poesia, se extasia, sensível ao achado de uma rima, à autenticidade de um verso.

(Cora Coralina)

 

Confiram em “Colheitas da Colunista” alguns escritos de minha autoria que se referem ao poder da manifestação poética como modo de expressão, algo que supera em significado a limitação das próprias palavras transcritas.

Conduzo uma especial observação para o último texto — “Despedida”. Este decorreu de um sonho que tive quando meu pai faleceu. Eu me despedi dele em sonho, e foi tudo muito nítido! Enquanto me acalentava com um abraço, meu pai tentava conter as próprias lágrimas. Eu não conseguia falar porque chorava muito. E, sem palavras, dissemos tudo! A única frase que ele falou no sonho, de fato, foi: “Eu sei!” (No sentido de: “Eu sei o que você está sentindo, eu sei que é difícil…”

De um jeito poético, envolto em amor e saudades, tivemos um significativo diálogo. As palavras não ditas se fizeram audíveis, ecoando na memória e no coração.

Aproveitem a leitura!

 

COLHEITAS DA COLUNISTA

 

Deixe o vento bater

 

Deixe o vento bater na cara… no corpo, na alma, inspire, expire! Respire! Não se importe com nada!

Abra o peito, entregue-se a essa sensação de liberdade!

Lembre-se de que você tem muito do que se orgulhar!

IMAGEM GERADA POR IA “usando SEAART.AI, sob a direção de Arely Soares, Criada em 29/09/2025″

 

A vida não tem sido um mar de rosas, mas você aprende a cultivar cada flor que tem brotado. E tem se admirado com cada etapa de florescimento delas.

Lembre-se de que você pode atribuir um sentido sobre as coisas que valem a pena lutar; sobre os feitos que valem a pena serem comemorados!

Sinta orgulho das marcas de cada luta! Algumas cicatrizes já fecharam… nem doem mais! E te fortaleceram!

Algumas cicatrizes continuam se fechando, em um processo de ressignificação! E você aprende com elas. É preciso senti-las para entendê-las e superá-las.

Sinta-se livre!

IMAGEM GERADA POR IA “usando SEAART.AI, sob a direção de Arely Soares, Criada em 29/09/2025″

 

Confie na tenacidade adquirida ao longo dos anos!

Hoje você sabe que é forte. Eis uma vantagem de se tornar uma pessoa bem resolvida consigo própria!

Deixe o vento vir! Sinta-o! Encare-o! Escute-o! Permita que ele traga as boas energias! E elas virão.

Carpe Diem.

IMAGEM GERADA POR IA “usando SEAART.AI, sob a direção de Arely Soares, Criada em 29/09/2025″

 

 

 Externar

 

Como colocar vestimentas

Em pensamentos cheios de nudez?

Como demonstrar profundamente

O torpor que lhe causa mudez?

 

Em seu medo de falar.          

Buscou meios de transcender

Com uma caneta à luz do dia

Desenvolveu o hábito de escrever.

 

Na escrita, as palavras surgiam.

Materializavam-se ordenadamente

Os significados que dantes não lhe saíam.

Foram compreendidos repentinamente

 

Ponderou que a palavra a ser falada.

Deveria por uma escrita ser precedida.

Como se fosse uma etapa intercalada.

De uma comunicação bem-sucedida

 

Como se iluminada pela luz da aurora.

Aclarou a mente, permitiu-se poetizar.

Deu vazão à voz calada de outrora.

Com a escrita, enfim, aprendeu a falar.

 

Para além das palavras…

Imagem de Leandro de Carvalho por Pixabay

 

Deixei meus pedaços espalhados

Coração, cérebro, cordas vocais…

Ainda pulsavam, arredios, fora de mim.

Tentavam retornar à morada, como peixes fora d’água.

Meu corpo, desvencilhado de tão ativas partes, sucumbiu.

Inerte fiquei, sem sentir, sem pensar, sem falar…

Deixei de ser eu mesma.

Ao me desfazer da vitalidade e singularidade que me compunham.

Era uma mera carcaça, subjugada pelos cérebros, corações e palavras alheias.

 

 

O preço do sentir

IMAGEM GERADA POR IA “usando SEAART.AI, sob a direção de Arely Soares, Criada em 29/09/2025″

 

Tinha um sentir profundo, proveniente de uma mente profunda, esculpida pelas ulcerações da vida.

Foram anos de sofrimentos — dos mais angustiantes — que forjaram a intensidade e o preço do sentir.

Experienciar as piores dores lhe tornaram mais interpretativa e lhe concedeu a liberdade de pensamento que, até então, não detinha. Não fossem tais dores, jamais teria se despido do conforto de outrora; jamais teria experimentado a mais densa sabedoria.

Compunham-lhe a alma as mesmas angústias que lhe aguçavam toda e qualquer sensação.

Para o bem ou para o mal, as feridas aprofundaram-lhe o conhecimento… Doses intensas do saber degustadas em apurados sentimentos, todos resultantes da clarificação das mazelas que a tornavam, resignadamente, humana!

 

 

Despedida

 

Foi a sua lágrima de dor o meu mais sofrido choro de saudade…

Tentei acalentá-la neste último abraço antes de partir.

Sabia que estava doendo, filha. Eu sentia a sua dor!

Mas sabia que era o meu destino e eu precisava seguir em frente.

Doeu partir, mas sei que nos reencontraremos.

IMAGEM GERADA POR IA “usando SEAART.AI, sob a direção de Arely Soares, Criada em 29/09/2025″

 

Não chores…

Se chorar, que seja um choro de amor e de uma doce saudade!

Não chores em desespero!

É somente um período em que nos manteremos afastados fisicamente. Esta dor será ressignificada.

Estou bem e você também ficará.

Você será forte! Mais do que pode acreditar!

Até um dia!

Por LILIAN BARBOSA

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