CRÔNICAS TONS DO COTIDIANO – Crônica: Cruz e Souza na literatura brasileira

CRÔNICAS TONS DO COTIDIANO – Crônica: Cruz e Souza na literatura brasileira

Leitor(a), não duvide: nos momentos de tensão, não seremos devorados pelo mundo. Apenas estamos ganhando uma oportunidade de expandir. Se você não atrapalhar (tanto), a vida operará milagres em sua vida. Melhor ainda será se eles vierem acompanhados de risos.

Excelente leitura!

IMAGEM GERADA POR IA “usando SEAART.AI, sob a direção de Adriana Magalhães, Criada em 28/09/2025″

 

Crônica: Cruz e Souza na literatura brasileira

A espontaneidade é força vital. Ao adotar uma postura aberta à espontaneidade e confiar nos acontecimentos naturais, podem ocorrer mudanças e desenvolvimentos significativos.

Com muita frequência, me vejo tentando controlar as escolhas das pessoas mais próximas e, também, os acontecimentos da vida.

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É tanta prepotência, não é? Ingenuidade também. A vida é tão maior do que podemos imaginar e seus caminhos são, em boa parte, impenetráveis.

Nessa posição humana diante da vida, há uma ironia: “quanto mais desejamos o controle, menos o temos. Quanto mais força, mais cansaço”. E, assim, passam-se os dias.

O inverso é verdadeiro: se a confiança e a entrega são grandes (isso não é ingenuidade), tudo fica mais leve ou, na pior das hipóteses, menos pesado. O fluxo destrava.

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Você já reparou que, quando confia (sim, eu sei que é muito desafiador às vezes), a vida faz o trabalho dela e tudo acontece naturalmente?

Dia desses, ouvi assim: “É só deixar a vida fazer o trabalho dela”. Faz sentido, né? Foi mais ou menos isso tudo que aconteceu comigo em um dia comum de avaliação na época em que eu era professora de uma instituição particular de ensino: o alvoroço dos alunos e tantas intercorrências não foram suficientes para me fazer desacreditar da capacidade deles (alunos) de realizarem uma boa prova. Mais do que isso: eu mesma me vi na condição de ser o exemplo de que era possível, sim, escrever um texto sob pressão.

 

Prova de Redação no 2º B

Bombardeio

— Pro qual é o tema?

— Pro qual é o tema? Por favor! Fala, pelo amor de Deus!!!!!!!!!

— Pro eu vou roubar a prova: não estou aguentando. Preciso saber o que.

Tema!

Ah, adolescentes ansiosos. Difícil.

Era uma quarta-feira. Era para ser um dia normal de prova de Redação. Esse é o problema: deveriam escrever uma crônica, terror dos alunos.

Finalmente, entreguei as avaliações. Todos comportados.

Silenciosos. Compenetrados. Cena rara. Esforçados mesmo: bonito de ver! Até me senti orgulhosa deles.

 

Digressão

Márcio, o orientador das segundas séries, interrompeu a aula para dar um recado. Como é a vida: tudo sob controle. Só que não. Um desvio de rota basta para o destino mudar.

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Incontrolável

Alunos desconcentrados: tudo de novo?

— Pro, pelo amor de Deus, crônica É muito difícil!

— Para você, estava rindo porque o texto que você corrigiu é muito bom ou muito ruim?

— Ótimo, né? Se fosse ruim, eu não riria…

— Não? Se fosse eu, riria!

Por instantes, eu tinha esquecido: adolescentes são cruéis!

— Pelo amor, mano, tem alguém conseguindo fazer essa prova?

— Eu estou no terceiro parágrafo. Serve?

— Pro, vai ter que dar mais 10 minutos para terminar, afinal, o Marcio fez a gente perder tempo de prova.

— Eu acho que tem que ser 20 minutos, pro!

— O que? Por favor, pro!  Faltam só 10 minutos para acabar.

A aula??? Para você precisa aumentar o tempo: eu não vou conseguir acabar — dizia apavorada uma aspirante a Clarice Lispector.

— Pro qual é o tema mesmo?

— A gente pode pausar o relógio?

— Eu não consigo mais pensar!

—Gente, eu não estou acreditando nisso! O que está acontecendo aqui? Pelo amor de Deus, vocês estão em prova!!!!!

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Explosão de risos

Àquela altura, eu estava indignada: não com eles; comigo. Que Professora, eu sou quem não consegue exigir silêncio?

Controle perdido. Com eles, também ri muito. Nada, naquela sala de aula, lembrava o peso, a aflição e a tensão típicos de um dia de prova.

Aqui, posso confessar: rir é libertador! Subversão da lógica pré-Estabelecida. Incrédula e atordoada com a cena que se desenhava, avisei.

— Vou escrever uma crônica sobre o que está acontecendo aqui: Merece!

— A gente pode dar o tema para você escrever?

— A gente vai corrigir sua redação, pro.

Nossa. A vida é isso. Rebuliço. Reviravolta. Recomeço. “Vamos que vamos”, né, Matheus?  A gente lida. Retoma. Dá conta!

Todos concentrados novamente. Quase não acreditei: parecia um sonho ter meus alunos libertos da histeria coletiva! Cavavam nas entranhas da própria alma o que escrever: fotografia linda de admirar! Para ser sincera, penso que até fizeram a prova melhor, afinal, estavam relaxados!

O riso aciona novos caminhos.

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Adolescentes: vida em ebulição

— Acabei, gente!

— Já??? Como pode, professora, você escrever tão rápido?

— Caramba!

— Vai compartilhar com a gente, né, pro?

— Sim, mas, antes, preciso revisar.

— Pro você, respeitou o limite de linhas?

— Não.

— A letra está legível?

— Não.

— Tem certeza de que é uma crônica?

— Também não…

Ali, naquele momento, a única certeza era saber que estar com eles, compartilhando o dom da vida, de modo intenso e leve, é um presente divino. Amo crônicas e amo, também, adolescentes!

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Minha gratidão ao segundo B por me fazer rir num momento tão árido e ácido da minha existência. Se soubessem quantas infinitas vezes vocês já me resgataram do lodo e da lama… benditos sejam os abraços que recebo, os beijos carinhosos que ganho, os olhares atenciosos distribuídos amorosamente…

E, assim, nasceu minha crônica: singela e leve como deve ser a vida. Ou, parafraseando (SABINO, Fernando), “assim eu quereria minha crônica: que fosse pura como esse sorriso.”

 

Por ADRIANA MOURA SALLES

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