INCLUSÃO E ACESSIBILIDADE EM FOCO – O amor como direito

INCLUSÃO E ACESSIBILIDADE EM FOCO – O amor como direito

O amor, para alguns, é um sentimento nobre, especial, singular; para outros, é sinônimo de atração física, desejo, tendência ou instinto. Há quem diga que é impossível definir o amor e outros acham que o amor é um pouco de tudo. Na maioria dos dicionários, a definição de amor se relaciona tanto com a ideia de um “sentimento” como a de um “ato”, inclusive “sexual”, reafirmando o quanto a expressão pode ser usada e compreendida sob pontos de vista tão diversos.

IMAGEM GERADA POR IA “usando SEAART.AI, sob a direção de Arely Soares Reis, Criada em 30/09/2025″

 

Diante disto, certamente, quem melhor expressou as contradições do “amor” foi Camões, um dos mais brilhantes poetas portugueses, quando em seu célebre soneto, destaca que o “amor é um fogo que arde sem se ver; é ferida que dói, e não se sente; é um contentamento descontente; é dor que desatina sem doer (…) e por aí ele seguiu demonstrando as nuances do que seria o amor.

De fato, parece que Camões tinha razão. O amor pode ser tudo isto. Mas algo nos faz crer que, por experiência própria, o poeta foi tocado no mais profundo de sua alma e, somente ao sentir o amor, foi capaz de descrevê-lo com tal encantamento, nos brindando com seus versos.

Com isso, entendemos que poucos conseguem com palavras descrever o amor. A menos que tenham vivido uma experiência desenhada sob a luz desse sentimento tão efêmero e imprescindível à vida humana. Fora disso, tudo que há são ilações que nem sempre conseguem traduzir aquilo que só se entende bem, quando se vive.

 

Amor e Ponto!

Achamos estranho que o amor sozinho não baste; que seja necessário adjetivar o amor para compreendê-lo. Amor romântico, sensual, platônico, etc. Acreditamos que o amor não necessita de qualificações ou explicações. Não há funções ou porquês para o amor ser amor; ele se basta a si mesmo.

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A busca por explicar ou qualificar o amor incorre em erros gigantescos. Quando alguém procura qualificar o seu amor, em geral, está desqualificando o amor do outro porque julga o seu amor melhor, correto, adequado. Desse modo, é que se ousa falar do que não se conhece, não se sente ou nunca experimentou.

Na mesma esteira dessa incoerência, é preciso destacar os que, em nome de um suposto amor, maltratam, perseguem, ameaçam e matam. Do mesmo modo, são indivíduos tentados a desqualificar o que pertence somente ao outro, pois que cada um – de modo saudável -, sabe o que sente e o que não sente, o que quer e o que não quer, o que deseja e o que não deseja. Logo, não cabe a ninguém decidir o que alguém deve ou não sentir, viver ou aceitar.

Entretanto, em pleno século XXI, numa atitude narcisista, ainda é possível identificar pessoas, grupos, instituições e movimentos, capazes de defender tais perspectivas; que se colocam como juízes dos sentimentos alheios e, portanto, se atrevem a opinar sobre o que não lhe pertence; decidir sobre a vida do outro e usar o santo nome do amor em vão.

 

Amor e Inclusão

 Diante de tantos devaneios coletivos sobre temas diversos, o amor não escapou. Por isso, ainda hoje, alguns grupos vêm sofrendo perseguição e discriminação, tentando seu direito de amar cerceado. Aqui damos destaque para as mulheres, a comunidade LGBTQIAP+ e as pessoas com deficiências como aqueles que mais sofrem em nome do amor, pois há muito vivenciam uma história de desqualificação de seus sentimentos e no modo como amam e se expressam.

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Sobre as mulheres, a realidade é sombria, pois, os dados do Mapa da Segurança Pública do governo federal indicam que quatro (4) mulheres são assassinadas por dia no Brasil e que o número de estupros aumentou 25,80% nos últimos cinco (5) anos. Em geral, são seus companheiros os assassinos ou principais suspeitos dessa violência que não atinge somente o corpo feminino, mas, toda a vida da mulher.

Em termos legais, a Lei 14.994 (Brasil, 2024), significa algum avanço ao transformar o feminicídio num crime autônomo e sua pena variando de 20 a 40 anos de prisão. A mesma lei estabeleceu alguns agravantes para o crime de feminicídio, especialmente quando cometido sob certas condições, como exemplo: na presença de filhos ou ainda quando tentado ou consumado nos três meses após o parto. 

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Com isso, espera-se que os dados mudem, diminuindo a incidência de crime tal absurdo, entretanto, embora a lei seja recente e não tenhamos dados para avaliar sua repercussão, estamos cientes de que ela sozinha não é suficiente para mudar a realidade, é preciso agir para coibir a cultura marxista que faz escola no Brasil e para tanto, é preciso investir em educação para a não violência desde a infância, ensinando as crianças a ver o amor como princípio e o amor do outro como um direito.

Sobre a violência contra a comunidade LGBTQIAPN+, é muito triste reconhecer que o Brasil é o país que mais mata pessoas desse grupo, chegando a ter um aumento de 42% no número de assassinatos o ano passado, segundo dados do Grupo Gay da Bahia, uma ONG que faz esse acompanhamento há mais de quatro décadas. A ONG adverte que, além dos assassinatos, os indícios da violência e do abandono que a comunidade sofre podem ser vistos no aumento crescente dos casos de suicídio.

De fato, ninguém atenta contra a própria vida sem que esteja em profundo sofrimento mental e que não se sinta apoiado, amparado e protegido. É sabido que a comunidade LGBTQIAPN+ começa a sofrer violência e desrespeito mesmo dentro da própria família e que isso se amplia para outros espaços sociais. Portanto, o suicídio é um indicativo de sofrimento, de dor, abandono e de exclusão. Cabe, pois, a toda a sociedade rever seus valores e falar menos sobre o amor e agir mais inspirada por ele.

Sobre as pessoas com deficiências (PcD) ainda se observa muito preconceito e discriminação quando o assunto é amor. A princípio, se percebe que desde sempre a sociedade se pauta na falsa ideia de que pessoas com deficiências são “eternas crianças”, logo, sendo assim, não lhes é dado o direito de expressar seu amor, a não ser pelos próprios pais, por quem serão protegidas e cuidadas eternamente.

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É evidente que não há nenhum fundamento nestas ideias e que sendo vistas desse modo, as Pessoas com deficiências são desrespeitadas em suas individualidades. Não é mais violento do que ter os sentimentos negados. Em geral, são mal compreendidas como se não fossem capazes de amar e se relacionar. Por conseguinte, namoro, casamento, gravidez, família, etc. são temas proibidos nas famílias e na escola, quando as pessoas com deficiência desejam validar suas dúvidas.

Fica evidente a presença de formas distintas de preconceitos nestas concepções e práticas. Contra a mulher temos o machismo; contra a comunidade LGBTQIAPN+ temos a homofobia e a transfobia; contra as PcD temos o capacitismo. O preconceito leva à violência e na base dessa violência está a ideia de que existe um jeito certo de amar e, portanto, tudo o que difere está errado. Os modelos de amor que fogem ao padrão são combatidos ou eliminados.

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Embora saibamos que a lei não é suficiente para mudar a realidade e que seja preciso buscar a formação de novas mentalidades por meio da educação, ficaríamos felizes se houvesse uma lei brasileira para o amor, defendendo que “todos somos iguais perante o amor e de que não pode haver nenhum tipo de discriminação ou preconceito para os que amam”.

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Por SANDRA SANTIAGO

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