“… Porque se chamavam homens.
Também se chamavam sonhos.
E sonhos não envelhecem…”

Outro dia, recebi de uma amiga muito querida um vídeo com essa canção e me deixei embalar repetidamente pela voz de Milton Nascimento. A genialidade dos versos traduz as tensões sociais e políticas do Brasil da ditadura militar em metáforas que misturam esperança e desespero.
O que começou como um arranjo musical ganhou palavras carregadas de sentimento. Atendendo a um pedido da cantora Nana Caymmi, Márcio Borges criou essa pérola, que mais tarde seria regravada pelos outros membros do Clube da Esquina (O Clube da Esquina foi um movimento musical e cultural que surgiu em Belo Horizonte–MG no fim dos anos 1960 e início dos 1970, reunindo artistas como Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes, Toninho Horta, Wagner Tiso e Márcio Borges, entre outros. Seu nome vem de um ponto de encontro na esquina das ruas Divinópolis e Paraisópolis, no bairro de Santa Tereza. O movimento se consolidou com o lançamento do álbum “Clube da Esquina” em 1972, um marco da música brasileira com seu som inovador, que misturava rock, bossa nova, jazz e música folclórica mineira, e letras que abordavam temas sociais e políticos). Assim, em 1979, a canção foi lançada na voz de Nana Caymmi, eternizando-se no coração da música brasileira.
Décadas depois, ela ainda nos toca profundamente. Continua a nos lembrar que sonhos não envelhecem. Que, apesar de tudo, sonhar é necessário — é justamente o que nos diferencia dos demais seres vivos. E acredite, leitor: a história dos sonhos é paralela à própria presença da vida na Terra. As interpretações sobre eles mudaram ao longo dos tempos, acompanhando a evolução da humanidade. No passado, eram vistos como profecias, comunicações com ancestrais, mensagens divinas ou presságios. Mais tarde, com o avanço do conhecimento, surgiram teorias científicas que os explicavam como um complexo processo neural.

IMAGEM GERADA POR IA “usando SEAART.AI, sob a direção de Tônia Lavínia, Criada em 04/10/2025″
A partir da década de 1950, com a descoberta da fase REM do sono (movimento rápido dos olhos), os sonhos começaram a ser estudados sob bases mais sólidas. Muitos neurocientistas acreditavam que eles se formavam a partir de estímulos aleatórios do cérebro, sem significado específico.
Mas nem todos pensavam assim. Sigmund Freud, pioneiro na interpretação dos sonhos, via neles uma realização disfarçada de desejos reprimidos, um mecanismo de preservação psíquica. Carl Jung, por sua vez, afirmava que os sonhos eram uma tentativa da própria consciência de equilibrar e compensar situações vividas. Embora tenham seguido caminhos diferentes, ambos reconheceram o valor terapêutico dos sonhos, que revelam conteúdos ocultos do inconsciente. Desde então, novas teorias surgiram, e a mais aceita atualmente é a de que os sonhos ajudam a consolidar memórias e a organizar experiências.

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Hoje, sabemos que sonhar é essencial: uma ferramenta de autoconhecimento e até mesmo de melhoria da qualidade de vida do homem quando desperto.
E você pode estar se perguntando: o que Freud e Jung têm a ver com aquela canção que iniciou nossa conversa? Tudo. Porque os sonhos sempre fascinaram a humanidade. Foram símbolos de esperança em um futuro melhor, inspiração para místicos, poetas, cientistas e filósofos. Desde os tempos mais remotos, o homem tenta decifrar seus mistérios, sempre envoltos em enigmas.

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E não há nada mais vital do que sonhar. Sabe por quê?
Porque os sonhos não têm idade. Não se curvam ao peso dos anos. Habitam um lugar secreto na alma, onde o calendário não tem vez. Lá permanecem, esperando a explosão de vida que os fará brotar como seiva que sobe pelo tronco de uma árvore frondosa. Os sonhos repousam à espera. Sorriem como crianças em busca de seus brinquedos preferidos. São irreverentes diante das limitações da maturidade e ousados em seu desejo de existir.

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Não é possível viver sem sonhar. A vida só encontra sentido quando nos entregamos aos braços de Morfeu e deixamos cair por terra toda resistência em acreditar que sonhar é um direito universal.
Sonhar não é apenas para os jovens; sonhar é possível em qualquer idade. A juventude sonha com a impetuosidade de quem está começando a caminhar; a maturidade, com a serenidade de quem já correu longas distâncias e agora caminha firme e decidido. Uma das grandes dádivas do tempo é justamente compreender que sonhos não têm prazo de validade.

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Então, leitor, o que você está esperando para validar seus sonhos?
Planeje-os, para o sucesso vir ao seu encontro. Afinal, o misterioso mundo dos sonhos é como uma loteria: só vence quem aposta com coragem.
E onde entra a moderação nessa ousadia? Fica guardada no cofre da preguiça, trancada a muitas chaves — talvez mais de sete.
Certamente este assunto renderia muitas outras páginas e discussões — talvez até novas edições, quem sabe? (risos). Por isso, deixo-lhe apenas um roteiro de leitura para viajar por um tema tão vasto e fascinante.
Encerro esta coluna com um convite sincero:
Permita-se sentir a alegria de estar vivo, o desejo de sonhar, a coragem de realizar e, acima de tudo, a capacidade de se amar. Nesta época do ano, o espírito do Natal desperta em cada gesto: no brilho das luzes que cintilam nas janelas, nos sorrisos trocados entre estranhos, nos abraços que aquecem a alma e nas mãos estendidas em solidariedade. Que seus sonhos se encham de fraternidade e esperança, como se cada pensamento bom fosse uma estrela iluminando o céu da humanidade.

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Utopia? Talvez. Mas sonhar será sempre permitido. Ouse revelar seus sonhos ao mundo; ouse espalhar bondade, semear alegria e acreditar que, mesmo nos gestos mais simples, a magia do Natal se torna real. E eu lhe digo tudo isso porque sei que, no fundo, você também é um sonhador como eu.

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Beijos,
Colunista Cris Gomes.
Roteiro de Leitura sobre Sonhos
- Para começar de forma leve e inspiradora.
- Os Sonhos Não Envelhecem–Márcio Borges.
Ideal para entrar no tema pelos caminhos da música, poesia e esperança. Mostra como os sonhos podem atravessar o tempo e dar sentido à vida. - O Oráculo da Noite–Sidarta Ribeiro.
Depois, mergulhe aqui. É uma leitura acessível que mistura ciência, história e espiritualidade. Explica por que sonhamos e como isso influencia nossa memória, saúde e criatividade.

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- Para compreender a ciência do sono e dos sonhos.
- Porque nós dormimos. – Matthew Walker.
Leitura clara e envolvente, mostra a importância do sono para o corpo e a mente. Aqui você entende a base biológica antes de avançar para teorias mais complexas. - A Mente à Noite–Andrea Rock
Complementa o anterior, explorando como os sonhos afetam nossa vida prática: aprendizado, emoções e até soluções criativas para problemas.

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- Para quem busca autoconhecimento pela psicologia.
- O Homem e Seus Símbolos–Carl Gustav Jung
Um livro feito especialmente para o público leigo. Explica como os símbolos nos sonhos revelam mensagens importantes do inconsciente. É uma ponte para a reflexão pessoal. - Memórias, Sonhos, Reflexões–Carl Gustav Jung. Aqui, o próprio Jung conta suas experiências com sonhos. É quase uma conversa íntima com um dos maiores pensadores do século XX.
- A Interpretação dos Sonhos–Sigmund Freud. Mais denso, mas essencial para quem quiser entender as origens da psicanálise e a ideia dos sonhos como realização de desejos reprimidos.

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- Para quem gosta de literatura e espiritualidade.
- O Livro dos Sonhos–Jorge Luís Borges.
Um passeio literário, cheio de histórias, mitos e visões culturais sobre o mundo dos sonhos. É poesia e filosofia em forma de leitura. - A Interpretação dos Sonhos na Bíblia–James Goll.
Uma visão espiritual, tratando os sonhos como mensagens divinas, para quem se interessa pela dimensão religiosa do tema.

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Por CRIS GOMES
