No princípio não havia silêncio,
nem trevas, nem luz:
apenas o sopro oculto
que dormia no seio do eterno.
E desse sopro nasceu o Amor,
primeira chama,
fogo que não queima, mas cria,
círculo que gira sem começo,
estrela que acende os abismos.
Foi ele quem chamou as águas pelo nome,
quem ensinou às montanhas o gesto de se erguer,
quem bordou de claridade
o véu das constelações.
E ao moldar o mundo
não usou martelo nem espada,
mas a palavra secreta,
que uniu o pó à centelha
e fez do homem e da mulher
dois espelhos de um mesmo infinito.
Assim nasceu a origem,
assim o cosmos se abriu em flor
e o Amor, coroa e raiz,
ergueu-se como senhor dos destinos.
Por LUCIANA FERNANDES
Ribeirão Preto – São Paulo, Brasil
