QUANDO O TEMPO SE DESFAZ
Há um lugar onde as horas não passam,
onde teu riso ainda ecoa pelas manhãs
e eu acordo procurando tua voz
nos cantos vazios da casa.
Saudade não é lembrança
é presença que se ausenta,
é o fantasma doce de quem foste
caminhando pelos corredores do peito.
Guardo teus gestos em gavetas secretas:
o jeito como mexias o café,
como tuas mãos dançavam no ar
contando histórias que só eu entendia.
O tempo insiste em seguir,
mas eu permaneço naquele dezembro
quando éramos eternos
e não sabíamos.
Saudade é amor que não morreu,
apenas mudou de endereço
agora mora na memória,
paga aluguel em lágrimas.
E eu aceito essa inquilina eterna,
porque ela traz teu perfume
nos dias mais cinzentos,
porque ela sussurra teu nome
quando o silêncio dói demais.
Por J.B WOLF
Distrito Federal – Brasília, Brasil
