
Dr. Carlos Magno de Melo nasceu em Piracanjuba (GO), em 6 de novembro de 1948. É médico, diplomado em Medicina, e transferiu-se para Brasília em 1966, onde construiu sólida trajetória profissional, institucional e cultural.
Além da atuação na área da saúde, destacou-se no campo associativo e administrativo, tendo exercido os cargos de ex-presidente da Federação das Associações Comerciais do Distrito Federal e da Associação Comercial do Distrito Federal, contribuindo significativamente para o desenvolvimento econômico e social da capital.
Carlos Magno de Melo é escritor goiano, cuja trajetória literária se constrói a partir de um profundo respeito pela palavra e de um compromisso constante com a reflexão humana, cultural e existencial. Sua obra revela sensibilidade estética aliada a uma consciência crítica, fazendo da literatura um espaço de escuta, memória e interpretação do mundo.
Sua escrita transita com fluidez entre a poesia e a prosa, explorando temas como o tempo, a identidade, o cotidiano, a condição humana e os vínculos entre o indivíduo e a coletividade. O estilo é marcado por linguagem clara, por vezes lírica, por vezes reflexiva, sempre atenta ao valor simbólico das imagens e à densidade emocional do texto. Há, em sua produção, um diálogo permanente entre o interior humano e a paisagem cultural que o cerca, especialmente aquela ligada ao universo goiano e ao Cerrado, compreendido não somente como espaço geográfico, mas como território simbólico e afetivo.
Como autor, demonstra apreço pela tradição literária, sem renunciar à contemporaneidade. Seus textos estabelecem pontes entre o clássico e o atual, entre o regional e o universal, valorizando a experiência humana em suas múltiplas dimensões. A palavra, em sua obra, assume função ética e estética: provoca, acolhe, questiona e ilumina.
Integra a Academia Valenciana de Educadores, Letras e Artes (Valença/BA) e a Associação Nacional de Escritores (ANE), além de colaborar regularmente em periódicos culturais e literários. Academia do Brasil de Letras e Música-DF. Academia de Letras do Brasil de São José do Rio Preto-SP. Cidadão Honorário de Brasília e Comendador da República da Romênia. Foi colunista do Jornal Valença Agora durante oito anos.
Foi premiado no Concurso Atheneu, promovido para ginasianos em Goiânia, em 1975, revelando desde cedo sua vocação literária.
Participou de importantes coletâneas nacionais, entre as quais:
- Antologia do conto brasiliense (2004);
- Todas as gerações — o conto brasiliense contemporâneo (2006), ambas organizadas por Ronaldo Cagiano;
- Antologia dos escritores de Valença (2010), organizada por Arakem Vaz Galvão;
- ANE — cinquenta anos (2013), organizada por Napoleão Valadares.
- Acadêmico Imortal da Academia de Letras do Brasil, São José do Rio Preto-SP(2017).
- Indicado ao Prêmio Jabuti (2023)
Entre suas principais obras publicadas, destacam-se:
Bar Castelo (2000)
O espírito do rabo do fogão (2001)
Casos em três tempos (2002)
Mata Serena (2003)
Relatório Mandaras (2004)
Bom dia, Armagedom! (2005)
Longe da mão do Rei (2006)
Livramento Pentecostes (2007)
Manuscrito de Madri (2008)
Uma Canção de Ninar para o Diabo (2012)
O Guaibimpará Caramuru — Das Areias às Estrelas (2020)
Pandemias (2022)
O canto do verso 4 volumes (2024).
As ventosas do polvo (2025)

IMAGEM GERADA POR IA “usando SEAART.AI, sob a direção de Arely Soares Reis, Criada em 04/12/2025″
Inserido no cenário cultural de Goiás e do Brasil, Carlos Magno de Melo contribui para o fortalecimento da literatura regional e nacional, reafirmando a importância da produção intelectual como instrumento de preservação da memória, formação do pensamento crítico e ampliação do diálogo entre culturas. Sua obra convida o leitor a um percurso de introspecção e sensibilidade, no qual a literatura se apresenta como espaço de encontro entre palavra, pensamento e humanidade.
ENTREVISTA
1
Por meio de uma escrita sensível e imagética, o autor constrói universos narrativos nos quais a fantasia dialoga com a realidade, tornando verossímeis as trajetórias de seus personagens.
REVISTA THE BARD – Quais lembranças da infância ainda navegam em suas páginas e inspiram seus textos?
CARLOS MAGNO – A escrita é o acúmulo de sensações do escritor durante a vida. Todo acontecimento vivido, em qualquer fase da vida, compõe o material. Da infância, vêm-me desde as fragrâncias aos medos, passando pelos encantamentos de uma infância feliz de menino livre do interior e depois da capital Goiânia, onde vivi a segunda fase da infância.

2
REVISTA THE BARD – Existe algum autor, livro ou experiência que tenha acendido em você a chama da literatura?
CARLOS MAGNO – Ainda no terceiro ano primário, eu e mais três colegas fomos transferidos do 3º para o 4º ano. Sofremos um grande isolamento. Os alunos do 4º ano ficaram muito agastados. Eles ralaram no 3º ano e nós caímos de paraquedas. Os colegas do 3º ano ficaram enciumados, muitos invejosos. Ninguém falava conosco. Um bullying silencioso. Pois bem, na segunda semana, houve uma redação e a minha foi lida pela professora como a melhor da turma. Mas, três semanas subsequentes, repetiu-se. Então, fui aceito.
A turma entendeu que eu tinha méritos. Entendi que sabia escrever. Então, o entusiasmo me levou a ler. “Os serões de dona Benta” — Lobato. Comecei a ler de maneira ávida. Tudo que caía às mãos. Desde jornais, revistas em quadrinho, tudo. Logo estava lendo Herman Hesse e por aí ia. Continuei escrevendo minhas redações. Eu ficava na casa lotérica do Papai à noite.
Lá, eu pegava as listas com os resultados da loteria, da dimensão de uma folha de jornal. Escrevia no verso. Até que o pai descobriu e me deu. De presente, uma máquina de escrever. Levei-a para casa e criei contos. Enfim, até que me aventurei e levei um conto para a Folha de Goiás. Foi publicado.
Todas às vezes que eu os enviava, publicavam. Assim nasci como escritor, até publicar o primeiro romance “Castelo”. Foi quando achei que estava pronto.
3
REVISTA THE BARD – Quando escreve, você sente que a história vem de dentro de você ou da observação do mundo ao redor?
CARLOS MAGNO – As histórias sempre vêm de dentro, por ser lá que estão guardadas as observações.
4
REVISTA THE BARD – O amor aos personagens.
CARLOS MAGNO – Amor que me leva a dar vida a seres vivos ou fictícios. Penso que este amor é recorrente na minha literatura.

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REVISTA THE BARD – Quais lembranças da infância ainda navegam em duas páginas e inspiram seus textos?
CARLOS MAGNO – A escrita é o acúmulo de sensações do escritor durante a vida. Todo acontecimento vivido, em qualquer fase da vida, compõe o material. Da infância, vêm-me desde as fragrâncias aos medos, passando pelos encantamentos de uma infância feliz de menino livre do interior e depois da capital Goiânia, onde vivi a segunda fase da infância.
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REVISTA THE BARD – Penso que o leitor é, antes, um agente literário. Sem ele, quem escreveria?
CARLOS MAGNO – Eu escrevo como quem quer conversar com o leitor. Quando autografo um livro, fico imaginando o leitor abrindo-o, sentindo o peso e o cheiro. Eu “vejo” o leitor lendo o meu livro. Imagino a emoção que ele possa sentir.
7
REVISTA THE BARD – Que conselho poético ou filosófico daria aos jovens que desejam se lançar no ofício da escrita hoje?
CARLOS MAGNO – A mensagem aos novos escritores é que escrevam. Escrevam. Escrevam. Gostem de escrever.

8
REVISTA THE BARD – Quais projetos futuros você vislumbra para continuar navegando nas águas da literatura e da cultura?
CARLOS MAGNO – Projetos. Projetos de continuar. Seja escrevendo poemas. Seja escrevendo. Sempre escrevendo. Contos, romances, contos e poemas. Agora, estou fazendo um livro de contos. Tenho a intenção de escrever um romance. Mais do que sempre, eu me coloco à disposição para palestras. É importante para mim. Escrevo porque gosto de conversar. Escrever e conversar.

9
REVISTA THE BARD – Deixe uma mensagem para os leitores da revista The Bard.
CARLOS MAGNO – “Leitores da Revista The Bard, divulguem este veículo. É muito importante acampar apoios que fortaleçam iniciativas de meios de divulgação, como:
esta revista. Desejo e agradeço aos responsáveis por ela existir. Agradeço à oportunidade que me foi dada pela incansável Magna Aspásia.

LIVROS – CARLOS MAGNO DE MELO

Por MAGNA ASPÁSIA FONTENELLE
