POETAS E POETISAS – A voz que cai tarde por Rute Ella

POETAS E POETISAS – A voz que cai tarde por Rute Ella

No véu da tarde teu gesto escorre, luz e sombra misturam-se sobre a pele.
O riso se derrama, água viva que não se cansa, e meu desvario acompanha cada curva tua.
O ar se curva, quente, ao redor de nossos corpos;
teu passo inventa sons, música que nasce da terra e toca meus ossos.
Sou viajante do sopro distante, onde o desejo se dobra em ternura silenciosa.

Não nomeio a chama que te procura; palavras pesam, ferem.
Mas teu perfume me veste inteiro, me mede na ausência de medida.
Teus olhos guardam luz que devora e, ao mesmo tempo, se esconde — céu secreto na curva da aurora.
Quando a noite cresce em teu olhar, surge um mundo novo, feito de murmúrios, de pele e sombra,
onde nos reconhecemos sem pressa, sem fronteiras.

Se a manhã nos tocar devagar, será teu nome, escrito no ar, a forma do meu amor.

Quando a manhã ascende, branca e silenciosa, tudo que foi chama recua ao invisível.
De ti resta um véu de luz que o dia hesita tocar — rumor breve, sombra que cintila antes de partir.
Deixo que essa claridade em mim se instale, como se a aurora respirasse pelo meu peito.
A Voz: amar-te é seguir essa linha onde presença se torna música e ausência brilha… ouro suspenso no ar.

Por RUTE ELLA
São Paulo – São Paulo, Brasil

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