A memória imaterial
Há algo que não cabe nas caixas guardadas no armário,
nem desaparece quando desmontamos a árvore.
É um sopro que atravessa gerações,
feito de cheiros, gestos e histórias repetidas,
como quem insiste em lembrar o que vale a pena.
As festas mudam, as casas também,
mas o brilho nos olhos permanece.
É o pão dividido na mesa,
o abraço que faz cada um se sentir de volta,
a música que ninguém aprende, mas todos sabem cantar.
Essa memória vive no que não se fotografa,
num riso que ainda fica dentro da gente,
numa saudade que chega sem aviso.
É o que permanece quando tudo passa,
o que nos acompanha sem pedir nada em troca.
Por MARIA LÚCIA
Rio de Janeiro – Rio de Janeiro, Brasil
