Muito prazer! Sou Mia Koda, escritora e psicanalista apaixonada pela literatura e pelas profundezas da alma. Há mais de vinte anos me dedico ao estudo da mente, do comportamento humano e das sutilezas da existência, entrelaçando psicanálise, filosofia e espiritualidade como caminhos de autoconhecimento e transformação.
Na minha trajetória literária, destaco minha obra mais recente: Rios Internos – Deixe sua essência fluir, à qual deixo o convite para sua leitura.

IMAGEM GERADA POR IA “usando GROK, sob a direção de J.B Wolf, Criada em 08/01/2026″
Nesta coluna, expresso minha alegria em integrar a Revista The Bard. Sou grata por este espaço e desejo que cada palavra aqui seja ponte, inspiração e recomeço.
Esse espaço foi pensado para quem, como eu, acredita que recomeçar é sempre uma possibilidade e que a vida pode ser reescrita com criatividade e amor.

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A escolha do nome Liter’Alma não foi mero acaso: ele representa a possibilidade dos recomeços, unindo duas palavras que se completam, Literatura e Alma. Se a literatura nos abre a mundos e pensamentos, a alma é quem dá morada a esses significados. Uma completa a outra, como voz e escuta.
Aqui, encontraremos inspiração em reflexões que bebem da filosofia, da espiritualidade e da psicanálise. Minha intenção é nos lembrar de que não precisamos ser reféns de capítulos que já não nos representam. Sempre é hora de começar de novo, de reescrever a própria vida.

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Em cada edição, você encontrará uma reflexão e, depois, quadros especiais como: “Caderno de Recomeços”, “Cartografia da Alma” e “Criar-se”, com histórias e práticas que dialogam com o tema. Também teremos “Alma em Versos”, “Histórias que Escolho” e “Essentia”, com poesias, indicações inspiradoras e um tempo de respiro para fechar nosso encontro.

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Que esse espaço inspire novas histórias em você. E que, ao ler, você se sinta chamado a se escutar, a se reinventar e a dialogar comigo no Instagram @miakodaoficial. Porque literatura da alma a gente só constrói juntos.

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ENTRE VÍRGULAS E RETICÊNCIAS, PODEMOS RECOMEÇAR SEM PRESSA
Muitas vezes confundimos pausa com fraqueza. Talvez porque crescemos acreditando que só tem valor quem produz sem parar, quem não cansa, quem segue em linha reta. Mas a verdade é que a vida não é um trilho, e sim um rio: curva e potente, às vezes transborda e, às vezes se aquieta.
Parar não significa desistir. Significa reconhecer que o corpo pede descanso, que a mente precisa de silêncio, que a alma exige cuidado.

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“Seus projetos podem ter ficado em espera, mas isso não apaga o brilho da sua criatividade, nem o talento que pulsa dentro de você.” Ouvi essa frase de um mentor que muito tem contribuído com minha carreira literária, nosso editor-chefe J. B. Wolf. E foi essa conversa que inspirou este primeiro texto da Coluna.
Em momentos de confusão e desânimo, é muito bom poder contar com um olhar externo, que nos faça recordar que nossa essência continua viva, apesar de passar por períodos de adormecimento, à espera do momento certo para despertar novamente.
É importante lembrarmos de não nos cobrarmos começar grande. Às vezes, uma página escrita, uma ideia anotada, uma respiração consciente já são vitórias imensas. Tudo o que construímos com amor e verdade respeita o tempo da vida. O que sentimos hoje não é o fim, é apenas uma pausa. E toda pausa guarda em si a força do recomeço. Respiremos. Tudo o que não for essência da alma vai passar.
CADERNO DE RECOMEÇOS
Quantas vezes eu desisti de projetos que pareciam incríveis, mas que, na verdade, não me despertavam verdadeira paixão. Outras vezes parei no meio do caminho e tive que fazer um esforço gigante para continuar, mesmo querendo jogar tudo para o alto. Foi assim com minha faculdade, que quase abandonei no último ano; foi assim também com um excelente emprego, em que, após apenas três anos, comecei a me sentir entediada e sem desafios, o que me levou a pedir demissão sem que ninguém entendesse o motivo.

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Também acontece quando digo que vou começar uma dieta e, depois de alguns dias, me pego desviando do caminho. E nem vou entrar no assunto “livros”, pois tenho uma pasta no computador com várias ideias engavetadas e ainda não retomadas.
De tanto desistir, já me senti frustrada. Quantas histórias foram deixadas de lado e empoeiradas! Isso me fez acreditar que não tinha talento, competência, que era preguiçosa ou que precisava de algum curso novo, um medicamento novo. Quando, na verdade, o que eu precisava era de uma pausa.
Hoje sei que o segredo é escrever uma página por dia, manter uma alimentação equilibrada por dia, dar um passo de cada vez. Mas, para isso, precisamos de energia. E essa energia só acontece quando paramos, nos reabastecemos e encontramos um motivo para continuar.
CARTOGRAFIA DA ALMA
Às vezes, desistimos de um projeto não porque seja ruim, mas porque nos falta energia emocional. E nessa pausa surgem duas vozes: a culpa, que insiste que parar é retroceder, e a esperança, que sussurra que a vida pode ser retomada no seu tempo. Nessas ocasiões, é bom lembrar que não somos máquinas de produção, somos feitos de carne, emoção e espírito. E está tudo bem em fazer pausas para cuidar de si mesmo.
Olhar para si é necessário. Freud nos mostrou que o inconsciente guarda dores não resolvidas que, se não forem compreendidas, se repetem. É como se parte de nós ficasse presa em um passado que já se foi, impedindo-nos de avançar.

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Heráclito já anunciava: “Nenhum homem entra no mesmo rio duas vezes, pois já não é o mesmo homem, nem o rio é o mesmo rio.” O fluxo da vida nos pede coragem para soltar as margens conhecidas e permitir o movimento.
Do ponto de vista espiritual, manter-se fixado no passado é negar o presente, onde a vida realmente acontece. É como exilar a alma de si mesma.
Encerrar capítulos, portanto, não é esquecer, mas honrar o que já foi vivido e abrir espaço para novas experiências. Se você se sente travado, talvez seja a hora de respirar e refletir: que dor te impede de seguir? Medo do sucesso ou do fracasso? Falta de confiança no seu potencial? Uma voz antiga que prega a segurança do conhecido, mesmo que nada desafiador?
Cada dor guardada pode ser uma prisão ou uma chave que liberta. A verdadeira cartografia da alma está em reconhecer onde estamos presos, entender os mapas que carregamos e, então, escolher com consciência os caminhos que queremos trilhar.

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Encerrar capítulos é escrever, com as próprias mãos, o mapa de uma vida mais livre.
CRIAR-SE
Que tal reservar um momento para listar três pequenos gestos de carinho que você pode oferecer a si mesmo nos dias em que o mundo pesa?
Pode ser algo simples e cheio de significado, como:
- Caminhar sem pressa, deixando que o sol ou a brisa lavem a alma.
- Ouvir aquela música que aquece o peito e renova a esperança.
- Escrever um ou duas páginas em seu diário, longe das telas e das obrigações.
- Ler um livro que transporte para histórias que inspiram e acolhem.
São gestos como esses que nos ajudam a reencontrar e reconstruir a nós mesmos.

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ALMA EM VERSOS
Às vezes, a vida pede um instante de quietude e poesia. Um respiro para escutar não só o mundo lá fora, mas o que pulsa dentro da gente. E a poesia de Débora Lima nos inspira a pensar sobre o tempo, a presença e a beleza sutil de estarmos vivos.

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O reloginho – Débora Lima (Instagram: @debora_e_fred)
Há tanto que precisa ser feito
Todo dia, sem trégua, sem pausa
Não sobra tempo qualquer que seja
Tempo sequer pra sentir náusea.
Não tem hora para o sono da tarde
Para buscar o que se perdeu lá dentro
Para brincar um pouco com os filhos
E alimentar velhos sentimentos.
É compra, trabalho, curso, curso, curso
Que faz a vida em pedacinhos tristes
E deixa o viver bem mais curto
Sem tempo de viver, a gente só existe
Sonhamos em ter uma casa
Mas o financiamento dura tanto
Que nem sentimos se é nossa
E para pagar, então: só pranto
O mesmo para ter carro, filho
Saúde, e o mínimo de segurança
Então percebemos que tivemos
Que crescer, para querer ser criança.
Mas depois que se cresce
Quando não tem mais jeito
Melhor ir mais devagar
Frear a vida, tentar sentir direito
Antes do reloginho parar
E percebermos, de repente
Que corremos desesperadamente
Para chegar a nenhum lugar.

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ESSENTIA
A pausa não é o fim. É o respiro que antecede o próximo passo. Como a lua, que nunca deixa de brilhar mesmo quando não a vemos inteira, sua luz também permanece, aguardando o momento certo de retornar.
É sempre uma honra ter você aqui, do outro lado. Se este eco fez sentido para você, vou adorar seguir essa conversa nas redes sociais. Me acompanhe no @miakodaoficial, um espaço onde compartilhamos afetos, palavras e pequenos recomeços.
Com carinho.
Por MIA KODA
