Reciprocidade, ó lei sagrada do universo,
que tezes o fio invisível entre dois corações,
és tu quem transforma encontros em destino
e soledades paralelas em abraços convergentes.
Não és mera troca de moedas gastas,
nem cálculo frio que equaciona sentimentos,
mas dança ancestral onde ambos os passos
possuem igual importância e beleza.
Quando uma alma dá com generosidade,
e a outra recebe com grato reconhecimento,
nasce nesse espaço luminoso
a verdadeira comunhão entre seres.
Reciprocidade é o espelho que reflete
não apenas o que oferecemos,
mas quem nos tornamos no ato de dar,
e quem nos renovamos ao receber.
Há beleza sublime em ceder espaço
para que o outro brilhe em sua plenitude,
em celebrar seu crescimento como próprio,
em colher frutos da semeadura compartilhada.
Mas quantas vidas se consomem esperando
que a balança se equilibre novamente,
que o dar retorne transformado em receber,
e o silêncio se torne palavra de amor?
Reciprocidade verdadeira exige coragem:
a de amar sem garantia de retorno,
a de confiar que o universo vela
por aqueles que semeiam com integridade.
Que sejas bendita, ó reciprocidade justa,
que ensinas que dar e receber são um só ato,
que transformas duas jornadas solitárias
numa sinfonia de duas vozes em harmonia.
Por J.B WOLF
Brasília – Distrito Federal, Brasil
