À noite, um barulho.
Uma explosão, a família foge.
Em seguida, corre para o mar.
Esforço de esperança.
Nos braços da mãe, a menina está segura,
cabeça no peito, olhos fechados
preservam a imagem da casa.
As mãos da mãe a protegem.
O mar a embala, tingido de vermelho.
Ela sai chorando em silêncio.
O mar está coberto de corpos.
Parando de chorar, a mãe sonha:
“O mar é de todos, vencedores e perdedores”.
“Nossa casa fica além do mar”.
Neve, palmeiras, o trenó, a gruta,
três reis com camelos;
o cometa no céu, luz no abeto,
foguetes rastreadores sobre os campos
dos pobres refugiados.
Por ALBERTO ARECCHI
Pavia – Lombardia, Itália