O tempo, mestre sutil,
nos ensina a desaprender:
a soltar o que oprime,
a deixar ir o que não sabemos compreender.
Desaprender as certezas absolutas
que endurecem a alma e o olhar;
desaprender os medos infundados
e as regras que nos ensinam a apertar.
O tempo nos ensina a esquecer,
não por indiferença ou dor,
mas para abrir espaço
a um novo amor, a um novo sabor.
Desaprender as histórias que contamos
sobre um passado que já não é;
libertar-nos da ilusão
de que o futuro nos deve algo que não vem.
Ele nos ensina a soltar as amarras,
a confiar no fluxo, no movimento,
a acolher o imperfeito, o passageiro,
e a habitar o presente —
esse eterno momento.
O tempo nos ensina a desaprender
para reaprender e, quem sabe,
sermos mais leves, mais livres,
mais nós.
Por MARIA LÚCIA
Rio de Janeiro – Rio de Janeiro, Brasil
