AS CORES DA SOCIEDADE – Cruz e Sousa em algumas Palavras – Cortes da Literatura em Textos

AS CORES DA SOCIEDADE – Cruz e Sousa em algumas Palavras – Cortes da Literatura em Textos

É com alegria que venho discorrer sobre temas que aprecio e trago para a maravilhosa revista @thebard, a qual agradeço pelo espaço que me é concedido. Agradeço também aos estimados leitores que me acompanham por aqui. É muito importante este canal de conhecimento que a citada revista nos proporciona, abrindo caminhos para novos talentos.

 

Uma Pequena Biografia do Enigmático Poeta Cruz e Sousa

Descendente de escravos, o poeta-oximoro, herdeiro e profundo conhecedor da cultura letrada, segregado pela cor e por ser personagem principal de um movimento que o poeta marginal dos anos 70 chama de “underground”, e que em muito o influenciaria: o simbolismo.

Imagem de NSC Total por Google

 

Filho do escravo Guilherme Cruz, mestre pedreiro, e de Carolina Eva da Conceição, ex-escrava, João Cruz nasceu em 24 de novembro de 1861, escravo pelas leis do Império. O futuro que lhe esperava haveria de ser, de acordo com sua posição social e ascendência, um pedreiro como o pai, vendedor ambulante, estivador ou carpinteiro…. Ninguém contava, no entanto, com o inesperado:

O proprietário de seu pai, o marechal de campo Guilherme Xavier de Sousa e sua esposa, Clarinda Fagundes Xavier de Sousa, por não terem filhos e tomados de amor pelo menino de sangue africano sem mistura, receberam-no como pais no seio do seu lar. O filho de Guilherme (escravo) era, agora, o filho de Guilherme (marechal do Império). Na confusão dos nomes, pai escravo e pai senhor com o mesmo nome, a ironia.

IMAGEM GERADA POR IA “usando SEAART.AI, sob a direção de Adriana Magalhães, Criada em 28/09/2025″

 

¨Eu brasileiro confesso minha culpa

meu pecado

Meu sonho de cada dia

tropical melancolia Negra solidão¨

(Torquato Neto) Marginália II

 

Com sua rebuscada educação por intermédio da sua nova família, Cruz aprimorou o que já estava latente em seu mais profundo ser.

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CRUZ nasceu Poeta!

João Cruz e Sousa nasceu em 24 de novembro de 1861 em Nossa Senhora do Desterro – SC. Foi um poeta brasileiro, reconhecido como primeiro e principal expoente do simbolismo no Brasil. Foi um expoente na causa abolicionista, pelo que recebeu as alcunhas de Dante Negro, Cisne Negro e poeta Negro. Introduziu o simbolismo no Brasil em 1893, com seus poemas e prosas poéticas. Foi reconhecido no Brasil por Luiz Gama, Olavo Bilac e muitos outros intelectuais.

Morreu em 19 de março de 1898, em Minas Gerais.

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¨Vou botar minha cabeça

em alguma linha solitária da estrada de ferro

Tomara que o trem das dezenove acalme a minha mente¨.

(Cruz) em Blues Da Estrada de Ferro

 

Fosse um negro norte-americano, Cruz teria inventado o Blues.

O Blues marcava a expressão da sua pena. Sentimento de melancolia, dor, saudade, um misto inominável, eternizado na palavra que tudo abrange.

Assim como o ¨banzo¨ que agrupa tantos sentimentos e historicamente situado dos negros brasileiros, sob o estatuto da escravidão.

Escravo com ¨banzo¨ não trabalha, porque ¨banzar¨ é uma versão africana do verbo pensar. Banzar era ficar triste, triste de morrer.

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Que céu, que inferno, que profundo inferno, que outros, que azuis, que lágrimas, que risos, quanto magoado sentimento eterno

Nesses ritmos trêmulos e indecisos…

¨Cruz e Sousa¨ em Violões que Choram

Uma das palavras favoritas de Mallarmé, um dos pais do simbolismo, era ¨azul ¨,

¨l`azur¨, ¨blue¨, ¨Blues¨, uma música azul chamada tristeza….

 

Cruz Nasceu Poeta

Mesmo em suas precoces e “verdes” produções, há sempre um toque de genialidade denunciando o poeta que desponta.

Há rimas, um jogo de palavras, um pensamento profundo, tudo emergia de um poeta de origem.

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O protegido do marechal, cedo, eclipsou os colegas com sua avidez pelos estudos e rapidez de aprendizado. Um menino brilhante, um destaque, um poeta. Tudo despontou numa época em que o mundo era racista, o que levou toda uma sociedade “branca” a engolir seus infames preconceitos. Um SALVE à arte que “salva”!

 

Vida e Obra entrelaçadas

A arte nem sempre imita a vida, muitas vezes a arte é a própria vida.

A obra de Cruz de Sousa nasce do sofrimento, seus dilemas existenciais não apenas moldaram sua produção literária, mas também a elevaram a um patamar de profundidade filosófica e subversão estética. Sua genialidade, manifestada na erudição e na refinada linguagem estava em constante atrito com as barreiras sociais da época.

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Sua contribuição reside em ter utilizado a estética simbolista, com ênfase na subjetividade e no misticismo, como um veículo singular para expressar uma angústia universal e a profunda dor de um trauma enraizado na experiência AFRO-BRASILEIRA.

Colhi os versos que são o epitáfio de Cruz, que lindos versos!

“Quem florestas e mares rasgando E entre raios, pedradas e metralhas,

Ficou gemendo, mas ficou sonhando”.

O epitáfio de Cruz e Sousa foi escrito por ele mesmo, pois sua obra mais célebre,

“Derradeiro” é um poema que funciona como um epitáfio para um indivíduo e que foi escrito pelo próprio autor.

 

A Influência da Poesia na Sociedade

Sou amante da Literatura e apaixonada pela Poesia, por isso gosto de ressaltar a influência dessa arte na vida e no desenvolvimento de uma sociedade.

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Redundâncias à parte, viver neste mundo sem ser atento às sutilezas do cotidiano seria viver sem contemplar. Contemplar também é uma forma de sentir. Sentir é uma mola propulsora da arte em todos os seus aspectos.

Falando em Poesia, ressalto uma pesquisa que indica:

  • Proporciona conforto e alívio emocional;
  • Expressa ideias e emoções promovendo reflexões críticas; Inspira mudanças;
  • Liberta o indivíduo, permite a expressão de emoções profundas e complexas ajudando às pessoas a processarem seus sentimentos;
  • Dá voz aos marginalizados – Os poetas têm a capacidade de denunciar injustiças, levantar questões políticas e dar voz a grupos historicamente marginalizados;
  • Promove a conexão – Ao compartilhar experiências e perspectivas, a Poesia cria um senso de comunidade e validação;
  • Saúde e Bem-estar – A poesia pode servir de refúgio ao poeta que precisa de pausas entre o correr da vida;
  • O ato de ler e escrever é terapêutico, a poesia tem um poder restaurador, o que contribui para o bem-estar do indivíduo.

 

Como não relacionar um bom livro ao sentimento de satisfação que ele nos proporciona?

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Além do aspecto cultural, no auxílio do desenvolvimento da linguagem e ferramentas que ampliam a visão de mundo, uma boa leitura nos refaz em dias turbulentos. Aguça a imaginação e nos leva a refletir sobre a condição humana em perspectivas que antes não visualizávamos.

Como disse o amado poeta Manoel de Barros:

“Poesia é voar fora da asa”.

Ressignifico aqui, que a leitura também é voar fora da asa.

Como o tema do artigo é Cruz e Sousa, estendi o assunto aos benefícios da leitura e da escrita. Tudo está relacionado, tudo está amalgamado pelas mãos da arte.

 

Sobre o legado de Cruz e Sousa

Vida e obra são inseparáveis. Cruz adaptou a estética do movimento para expressar a dor e as adversidades de sua própria existência.

A glória póstuma do poeta é uma prova de sua genialidade ao mesmo tempo, em que serve como uma crítica à sociedade que o negligenciou em vida.

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O legado de Cruz e Sousa, portanto, é a afirmação de que a literatura brasileira deve reconhecer vozes como a dele para que se possa compreender plenamente a identidade cultural multifacetada do país.

Sua poesia continua sendo um paradigma nesse sentido.

Muito temos a aprender com os erros do passado. É comum que um autor ou artista receba seu reconhecimento somente após sua morte, quando não estará presente para desfrutar disso. Um dos fatores que contribuem para isso é que a morte de uma figura pública, especialmente de um artista, gera uma onda de notícias e homenagens. Esse ciclo de notícias direciona a atenção do público para sua obra.

A morte, de certa forma, transforma o escritor em um mito, o que pode despertar curiosidade e gerar um interesse renovado.

Na contramão disso tudo, podemos incentivar o autor em vida. Nos dias atuais, podemos apoiar novos autores e artistas em suas mídias sociais, sites e blogues. Espalhar sua arte compartilhando e ajudando a trazer visibilidade por meio dos nossos veículos de comunicação virtual.

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Conclusão

“A arte existe porque a vida não basta” Ferreira Gullar

Isso diz tudo.

Meu abraço aos queridos leitores e meu agradecimento a todos. Elke Lubitz

 

Referências Bibliográficas:

Revista Bula

Paulo Leminski em Vida – 4 Biografias, Companhia das Letras (2013) Gemini

Wikipédia

 

Por ELKE LUBITZ

 

 

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