Se olharmos a linha do tempo desde a formação da terra até o surgimento da humanidade, podemos dizer que o ser humano pisou neste planeta há muito pouco tempo. Para termos uma ideia, se a escala da vida da terra fosse resumida em 24 horas, nós surgiríamos por aqui só nos últimos 3 segundos. Por milhares de anos, o nosso planeta permaneceu azul verde, intacto e belo. Tudo ia bem entre o homem e a natureza nesse período de tempo. Porém, bastaram alguns segundos do surgimento do homem industrial para que transformasse o equilíbrio em um caos.
Quando olhamos para o tempo geológico, isto é, o período em que o homem ainda não tinha pisado em nosso planeta, veremos que essas eras representam milhões de anos. Fora alguns fenômenos geológicos naturais e meteoros que caíram, observamos que flora e fauna viviam em constante harmonia. As florestas mantinham-se intactas à medida que liberavam o oxigênio para a atmosfera. Os rios corriam limpos. Os mares refletiam o azul de suas águas claras e puras. A fauna existente mantinha o equilíbrio com a natureza de maneira plena e exuberante. A integração entre plantas e animais se perpetuava por todo o período geológico. Até o ar puro exalava o frescor da natureza intacta.
Entretanto, esse tempo estava com os dias contados. Depois de milhões de anos de paz com a natureza, começou o tempo histórico, ou seja, o tempo dos homens.
No início, ele surgiu de maneira tímida. Vivia em pequenos grupos e se alimentava de restos de comida do abate de outros animais. Aos poucos ele foi esculpindo as pedras, criou uma arma, uma flecha e começou a caçar. A princípio ele viva em pequenos grupos, depois criou vilas e mais tarde surgiram as cidades. As cidades foram tornando-se cada vez maiores, até que surgissem as primeiras fábricas. As fábricas vieram para produzir alimentos e produtos para uma população cada vez maior. Era o início da Era Industrial.
Esse período promoveu o desenvolvimento para as cidades. Contudo, tal advento trouxe consigo também as chaminés e com elas a emissão de gases poluentes no ar. Vieram os automóveis, que lotavam as grandes metrópoles e liberavam toneladas de gás carbônico na atmosfera. O ar, que durante milhões de anos era claro e limpo, tornou-se cinza e poluído. Além disso, o esgoto jogado a céu aberto, a poluição dos rios, os plásticos jogados nos mares, tudo completava um cenário de desolação. Era o homo sapiens deixando o seu rastro de degradação para uma natureza que o acolheu em seus braços.
Hoje a constante agressão ao meio ambiente está colocando o nosso planeta em risco de colapsar. Os nossos oceanos estão aquecendo de maneira rápida e assustadora. Os gazes poluentes lançados no ar estão afetando os nossos pulmões e destruindo a camada de ozônio que nos protege dos raios solares. As nossas florestas estão desaparecendo vítimas da ação humana. Todos esses fatores ocasionados pelo ser humano estão colocando a terra em um desiquilíbrio assustador.
As calotas polares estão derretendo, o que aumenta o nível dos oceanos. Incêndios florestais estão devastando nossas florestas. Os furacões, cada vez mais fortes, estão derrubando casas, tombando cidades. As temperaturas extremas estão trazendo dias difíceis para o nosso corpo suportar.
Bastaram três segundos de nossa permanência neste planeta para destruirmos o que a natureza levou centenas de milhões de anos para conquistar. As soluções para restabelecer o equilíbrio de nossos ar, rios, mares, florestas todos nós – homo sapiens – sabemos. Resta saber se, no curto espaço de tempo que nos resta, vamos oxigenar este planeta que jaz moribundo e lhe dar uma sobrevida ou não estaremos aqui para assistir ao seu próprio funeral.
Por NERI LUIZ CAPPELLARI