FLORESCENDO EM PENSAMENTOS – Um grito verde

FLORESCENDO EM PENSAMENTOS – Um grito verde

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Olá, humanos! Sou eu, a Terra!

Durante bilhões de anos, cuidei de vocês: ofereci água cristalina, ar puro, florestas cheias de vida, oceanos imensos, solos férteis e paisagens de tirar o fôlego. Em silêncio, abracei suas gerações, celebrei suas conquistas e resisti aos seus erros.

Nesse cuidar, observo vocês com curiosa atenção e nossa relação, um tanto quanto simbiótica, tem despertado em mim profundas reflexões a respeito do nosso futuro.

Vocês são iguais e ao mesmo tempo tão singulares. Alguns caminham com pés nus, sentindo o chão, solo sagrado, arado verde, tapete de folhas vivas e desfalecidas, tons vibrantes e amarelados. Parecem querer experimentar sensações esquecidas ou relembrar ancestrais distantes. É uma vã tentativa de conexão onde tambores ecoam canções silenciosas misturadas a clamores impregnados de histórias.

Diferenciam-se da maioria, porque ouvem o meu chamado. Compreendem que é preciso garantir às futuras gerações o direito à vida, o direito de existir aqui e construir novas histórias.

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Em contrapartida, vejo outros de vocês com propósitos bem diferentes. Exploram riquezas naturais em benefício próprio, criam títulos para se tornarem senhores de terras, árvores, animais, santuários verdes, enfim de toda vida desse lugar. Geralmente são homens afortunados, herdeiros de vontades egoístas almejando apenas lucro. Não se pode negar a inteligência deles: conseguem jogar um véu sobre seus reais interesses e mascaram suas intenções com promessas duvidosas de sustentabilidade – aliás, palavra da moda, cheia de significado, mas frágil de ações concretas – fazem campanhas simbólicas para despertar interesses tímidos, levando, porém, crédito por inovações que tristemente ficam apenas no papel. Muito ouço a voz deles. Impetuosa, bradando aos ventos a soberania que detém nas mãos. São de muitos cantos da terra, cada qual mais poderoso que o outro. Gostam de exibir força e poder. Manipulam informações, criam regras novas e alianças instáveis enquanto a destruição corre nas florestas como felinos em busca da presa. Já é perceptível meu estado frágil? Pareço uma senhora cansada – com chinelos velhos e avental roto – daquelas que o tempo já rouba a energia e deixa a mente confusa?

 

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Enganam-se, homens!

Ainda sou aquela que abriga seus passos, seus sonhos, suas histórias.

Ainda testemunho a beleza do amor, a força da união, o brilho da esperança e, embora assista, com dor, às guerras, ao ódio, à destruição, sou forte e continuo resistindo porque sou casa, lar, abrigo de espécies, céu para todos, chuva para todos, vento para todos, água para todos…

 

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Como uma mãe generosa, sou fronteira sem divisas, sou limites sem ser muro, sou promessa de amanhã sem esquecer a ancestralidade sagrada sob meus pés.

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Ainda gosto de ouvir o caminho das águas deslizando sinuosas no riacho, admiro por horas o balé das ondas salgando a areia, e se vocês fizessem silêncio poderiam também ouvir o canto das florestas – meu coração pulsa lá.

Estou no vento que sopra do leste, sou brisa mansa do norte, sou furacão, vendaval, arrepio na pele.

Sou animal feroz que desliza, ataca, protege, copula, sobrevive.

Sou fogo que transmuta, seiva que lambuza, alimento que sustenta.

Sou terra, água, fogo, ar. Quatro elementos vitais que perpetuam a vida. Vida plena e abundante para todos, porque aqui sou uma sendo tudo.

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Posso ser amorosa ou cruel, contudo, humanos, quero paz. As guerras desgastam a mim e a vocês. Já é tempo de resignificar nossa relação e criar novas perspectivas para o futuro. Sim, há futuro para nós, por isso tenho inspirado aliados para falar em meu nome nas conferências mundo afora e os resultados têm me deixado animada. São homens, mulheres, jovens vindos de lugares distantes e até improváveis. Todos empenhados e envolvidos em ações de denúncia, repúdio ou valorização de atitudes em prol da garantia da vida. Eles inspiram e motivam outros criando uma atmosfera de cooperação mútua para a edificação de uma nova era.

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Enquanto esses aliados desempenham seu papel, respiro aliviada e esperançosa. Aliás, esperança é minha característica mais forte, rsrsrs. Concentro minhas energias nas conversas com os elementais, decidindo destinos. Ouço pontos de vista vindos até de lugares distantes além da compreensão de vocês, por isso nosso grito verde é forte e se fortalece cada vez mais. O mundo é maior que eu. Sou parte de um macrocosmo onde planetas conectados num sistema solar interagem para assegurar a sobrevivência das espécies em seus respectivos mundos. Falo por mim e toda a raça humana defendendo a ideia de que vocês não são somente destruidores, mas a cada reunião tem ficado mais difícil convencer a todos.

Honrem a casa de vocês, esse templo sagrado chamado planeta azul, dediquem tempo e inteligência – artificial ou não – à transformação desse lugar a fim de que a vida possa continuar existindo, seja ela de qualquer espécie. É só o que temos. É só o que somos. E acreditem, vocês não vão me destruir. Sou resiliente e tenho muitos anos de vida. Diferentemente de vocês tenho bilhões de anos nesse caminhar!

Com esperança,

Terra

Imagem de Thuanvo por Pixabay

 

Por CRIS GOMES

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