A arte é o respiro da alma.
O suspiro do espírito.
Alimento do corpo em movimento.
Betânia Pereira
Uma das formas genuína de expressar o humano de cada ser é a arte, onde o homem desnuda-se de si, expõe o mais íntimo que há em seu ser, um esvaziamento do eu e preenchimento de mundos interiores e exteriores. O homem desde sempre buscou se expressar através da arte e as artes dos mundos se encontraram, conectando-se, fundindo-se, aculturando de forma exponencial, e com a arte nórdica não foi diferente. Estudar a cultura de outros povos, é reconhecer e a respeitar as diferentes manifestações que moldam a identidade de um povo. Nossa cultura, nossas tradições e costumes são os elementos que moldam a nossa identidade e que promovem a diversidade cultural de um povo, de uma sociedade. É por meio do conhecimento das tradições e costumes locais que podemos entender melhor a história e a formação de uma comunidade. Cada nova matéria é um resgate de nossa identidade, daí a importância de escrever sobre povos e culturas diversos.
A arte viking, ou arte viquingue, também conhecida como arte nórdica, é um termo amplamente aceito para a arte dos nórdicos, escandinavos e assentamentos vikings mais distantes — particularmente nas Ilhas Britânicas e na Islândia — durante a Era Viking dos séculos VIII a XI. Dividida em uma sequência de estilos aproximadamente cronológicos, embora fora da própria Escandinávia as influências locais sejam frequentemente fortes e o desenvolvimento de estilos possa ser menos claro, sua origem tem raízes nas antigas tradições nórdicas e germânicas, com influências também vindas das formas de arte celta e romana, devido ao comércio e às invasões.

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Embora fossem extremamente dedicados à guerra, os vikings produziram arte. Poucos desses nórdicos realizavam invasões, e muitos outros eram comerciantes, fazendeiros e artesãos. Trabalhos políticos e mercenários estavam entre seus empreendimentos, mas a exploração, a colonização e o mercantilismo também impulsionaram suas expedições.
Os nórdicos faziam pinturas, principalmente nos cascos das embarcações e nos escudos, desenhavam elementos da natureza, animais ou temas ligados aos deuses e mitologia. Faziam também joias e pequenas esculturas, usando principalmente o ouro e o bronze e muitos objetos serviam a propósitos práticos e simbólicos. Embora muitos objetos servissem a propósitos pagãos, temas cristãos começaram a se misturar a eles à medida que novas ideias se infiltravam na região. A arte desses povos é visualmente distinta das culturas contemporâneas (como demonstram os objetos comercializados e os costumes integrados) e representa uma maneira única de pensar e ver o mundo.

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De um modo geral, o registro artístico que chega aos nossos dias, é incompleto. O conhecimento atual da arte viking é preservado através da permanência de objetos mais duráveis de metal e pedra; madeira, osso, marfim e têxteis.

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Ao longo dos séculos, a arte viking evoluiu por fases distintas, cada uma marcada por seus estilos e motivos característicos. Essa evolução reflete a natureza adaptativa e transformadora da sociedade viking à medida que entrava em contato com diferentes culturas por toda a Europa e além. Podemos encontrar diversos estilos:
- Estilo Oseberg – Caracterizado por motivos animais e vegetais graciosos e bem compostos que se entrelaçam em padrões complexos. Dois deles eram particularmente comuns: o “animal-fita” e a “fera agarradora”. Vemos ambos na popa do dracar Oseberg. Sendo uma continuação de tradições artísticas de períodos anteriores.
- Estilo Borre – Reconhecível pelo seu motivo de fera cativante, onde os animais parecem se prender ou morder uns aos outros e à estrutura ao redor, as convenções artísticas de Borre se espalharam para as Ilhas Britânicas e a região do Báltico, à medida que os nórdicos viajavam tanto para o Oriente quanto para o Ocidente. Intercâmbios entre costumes artísticos locais e estrangeiros podem ser observados em objetos encontrados nessas áreas (com características menos evidentes aparecendo nas Ilhas Britânicas e características mais enfáticas a leste do Mar Báltico).
- Estilo Jellinge – Conhecido por suas figuras de animais retratadas de forma mais relaxada e menos entrelaçada do que os estilos anteriores, com corpos em forma de fita. Aparece em um conjunto diversificado de objetos e pode compartilhar características com os estilos anteriores e posteriores, dificultando sua definição como um movimento distinto. Seu nome foi inspirado em uma taça de prata fundida encontrada em um túmulo real em Jelling, Jutlândia, Dinamarca (um “e” foi acidentalmente adicionado ao nome do estilo no século XIX).

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- Estilo Mammen – Marca uma transição para designs mais detalhados e elaborados, apresentando folhagens, animais e figuras humanas entrelaçadas. Suas composições abrangem ondas alongadas e terminam em gavinhas soltas. Também vemos motivos foliares que foram emprestados de outras tradições europeias . Algumas das qualidades associadas ao estilo Jellinge são exageradas nele, como formas geométricas que segmentam os pulsos, tornozelos e outras partes do corpo de animais.
- Estilo Ringerike – Caracterizado por seus motivos vegetais característicos e uso mais pronunciado do espaço dentro das composições. Devido à crescente popularidade do cristianismo, os costumes funerários mudam e há menos objetos funerários no estilo Ringerike. Arquitetura, armas e esculturas em marfim tornam-se os vestígios mais prevalentes, e pedras rúnicas — embora menos detalhadas do que a pedra maior erguida em Jelling — tornam-se mais comuns
- Estilo Urnes – A fase final da arte viking, conhecida por suas elegantes figuras de animais, esbeltas e entrelaçadas com linhas delicadas e vigorosas. O estilo Urnes tem três motivos principais: um animal de quatro patas em pé, semelhante à Grande Besta; uma criatura semelhante a uma cobra, mas com uma única pata dianteira e/ou traseira; e uma fita fina. Talvez associado ao crescimento do cristianismo, houve um aumento da estima por esse estilo em toda a Escandinávia continental.
Embora suas origens sejam provavelmente suecas, esse estilo está associado a uma igreja de madeira na vila norueguesa de Urnes. Seus entalhes em relevo, que incorporam plenamente as características do estilo, têm sido objeto de interpretação histórico-artística há algum tempo. Suas composições rítmicas apresentam desenhos elegantes, simétricos e entrelaçados, e o fundo é mais claramente visível.

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Os vikings utilizavam uma variedade de materiais em suas obras de arte, refletindo tanto sua engenhosidade quanto o valor que atribuíam a certos objetos. Materiais significativos como madeira nas figuras esculpidas e padrões complexos em navios, casas e objetos do cotidiano; metal como prata e ouro eram usados em joias, amuletos e moedas, muitas vezes apresentando nós complexos e motivos de animais; pedras rúnicas e memoriais, esculpidas com runas e figuras, serviam tanto como marcadores quanto como obras de arte; osso e Marfim que era usado em itens menores e portáteis, como peças de xadrez e pentes, demonstrando habilidades detalhadas de escultura e têxteis que utilizavam para bordados e padrões de trama que refletiam os estilos artísticos da época.

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Sabendo da enorme importância para o imaginário é importante ressaltar que além da arte decorativa, a Era Viking produziu uma espetacular arte figurativa. Os grandes temas são mitos e contos de heróis nórdicos, então é interessante abrir espaços para outras leituras e conhecimento sobre povos tão criativos.
Nos vemos em breve.
Vejo flores em você! Beijos poéticos.

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Por BETÂNIA PEREIRA
