HISTÓRIA DAS ARTES – ⁠ A história das bibliotecas

HISTÓRIA DAS ARTES – ⁠ A história das bibliotecas

Bibliotecas são pulmões, livros são o ar fresco que inspiramos para manter o coração batendo,

manter o cérebro imaginando, manter viva a esperança.

                                Janet Skeslien Charles

 

Penso o quão seria difícil para nós se não houvesse homens para guardar, arquivar e repassar tão sabiamente os acontecimentos da história, permitindo que cheguem até nós, acervos preciosos como os das grandes bibliotecas. E que triste olhar uma geração que se diz escritor e não ler, não conhece bibliotecas e pouco se conhece da literatura, não sei que caminhos iremos percorrer e qual a qualidade dos futuros livros que estarão nas prateleiras de nossas bibliotecas se continuarmos nesse percurso.

A história das bibliotecas, no mundo, acompanha a própria história da escrita e das formas de registro do conhecimento humano. Ao longo do tempo o velho conceito de “depósito de livros” foi redefinido para ambiente físico ou virtual destinado à coleção de informações para auxiliar pesquisas e trabalhos escolares ou para praticar o hábito de leitura, material este seja impresso em folhas de papel ou ainda digitalizadas e armazenadas em outros tipos de materiais, tais como CD, fitas, VHS, DVD ou bancos de dados (arquivos em PDF ou DOC).

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Como historiadora e apaixonada pelos livros, desde bem cedo adentrei o universo das bibliotecas, e nem mesmo as crises alérgicas me afastaram delas e de fato não abandonei ainda o sonho e estar entre livros numa biblioteca, talvez como responsável por uma.

A importância da biblioteca para a preservação e conservação do conhecimento é inquestionável e todas as pesquisas que fazemos observa-se unanimidade nesse quesito. Desde o início da humanidade, o homem se preocupa em registrar o conhecimento por ele produzido, de diversas formas, permitindo que este chegasse a nós. Ao bibliotecário foi destinada à missão de realizar os processos de: organização, preservação e efetivar a disseminação de todo o conhecimento registrado. Convido você a conhecer um pouco mais sobre o surgimento das bibliotecas em nível global e Brasil, traçarei aqui um paralelo, não há pretensão de elucidar a curiosidade do leitor sobre o tema tão vasto, mas de aguçar mais ainda o desejo de pesquisa e busca pelo conhecimento. Vamos juntos?

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Se ao lado da biblioteca houver um jardim, nada faltará.

                                                             Cícero

 

As primeiras bibliotecas, na forma como conhecemos hoje, surgiram na Mesopotâmia, entre os povos sumérios no segundo milênio a.C. a quem também se atribuem as primeiras formas de escrita da humanidade e a elaboração dos primeiros livros. Nessas bibliotecas foi constatada a organização de documentos acompanhada de representações para fins de recuperação: tábuas de argilas eram protegidas por espécies de envelopes nos quais estavam dispostos resumos.

Mais tarde Entre os séculos VII e VIII a.C surgem as grandes bibliotecas da Antiguidade. A Biblioteca de Alexandria representa o ápice desse período, um enorme complexo cultural construído na cidade de Alexandria, no Egito, durante o período ptolomaico. Durante sete séculos, entre os anos de 280 a.C a 416 d.C. A biblioteca reuniu o maior acervo de cultura e ciência da Antiguidade. É considerada a mais famosa e importante do mundo antigo. Sobreviveu a muitos saques e incêndios. Seu acervo era organizado em rolos, etiquetados com os nomes dos autores e títulos das obras, dispostos em pilhas. Mas, quanto ao seu acesso não se tem conhecimento se a biblioteca era reservada somente aos eruditos, ou se a um público mais amplo.

No Egito, as bibliotecas eram chamadas ”Tesouro dos remédios da alma”.

De fato é nelas que se cura a ignorância, a mais perigosa das

enfermidades e a origem de todas as outras.

                                              Jacques Bossuet

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Na Biblioteca de Alexandria o bibliotecário tinha um papel muito importante, pois as suas funções transcendiam as obrigações habituais. Além de ser encarregado de reorganizar as obras dos autores, atuava também como tutor dos príncipes reais, orientando-os nas leituras que deveriam fazer. Devido a esse papel de destaque o bibliotecário-chefe deveria possuir uma cultura humanista e ser um filólogo.

As bibliotecas estavam cheias de ideias, talvez a mais perigosa e poderosa de todas as armas.

                                                    Sarah J. Maas

 

Na Idade Média, como a educação era responsabilidade da Igreja e estava restrita a poucos, as escolas funcionavam em mosteiros, catedrais, paróquias e anexas às igrejas e nesse cenário predominaram as bibliotecas ligadas a ordens religiosas. Tanto no Ocidente, como no Oriente. Os mosteiros e conventos foram os responsáveis pela preservação da antiga cultura greco-romana e definiam-se como bibliotecas. Todos os grandes mosteiros possuíam um scriptorium, oficina de copistas em que o trabalho era distribuído aos monges. Mas, o acervo era fechado ao público em geral, pois os monges consideravam que a biblioteca era a guardiã dos livros.

Entre os séculos, XIII e XV, importantes mudanças intelectuais e sociais afetaram a Europa, com o renascimento, as cruzadas, surge uma nova classe social, mais exigente e urgente nas suas necessidades. Surgem nesse contexto social, as universidades e para atender os estudantes universitários foi criado o primeiro catálogo unificado, contendo o nome dos autores e obras, bem como a indicação das bibliotecas onde poderiam ser encontradas tais obras. Considera-se que foi a partir da criação das bibliotecas universitárias que o bibliotecário surgiu de fato como o organizador da informação e no Renascimento consolidou seu papel como disseminador do conhecimento.

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No Renascimento, a livre circulação de livros, e o surgimento das bibliotecas universitárias acendem no homem conhecedor das letras o desejo de organizar bibliotecas com coleções de livros raros e importantes tendo como objetivo expandir o prestígio junto aos pares e súditos. Foram então criados novos tipos de livros surgindo uma maior preocupação com a situação física e a organização interna.

Com o surgimento da imprensa no Ocidente a produção de livros foi estimulada, o livro ficou mais barato e mais fácil de distribuir e o advento da imprensa provocou o rompimento do monopólio que a Igreja exercia sobre a produção dos livros, fazendo com que as bibliotecas passassem a ter maior importância enquanto elemento social.

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No Brasil as bibliotecas só começaram a surgir a partir da segunda metade do século XVI, em Salvador, com a instalação do Governo Geral, por ação das companhias religiosas, principalmente à Companhia de Jesus, foram criados os primeiros acervos no país, que se tornaram centros de cultura e formação intelectual.

Já no século XVII, com o impacto das grandes navegações e o encontro de mundos, civilizações e culturas, os avanços científicos e tecnológicos, a relevância pública e social das bibliotecas ganhou impulso, primeiramente nos países mais desenvolvidos da Europa e depois nos Estados Unidos, com o surgimento do conceito de biblioteca pública moderna, constituída de acervos gerais de livros e aberta gratuitamente ao público em horários regulares. Desde então, a biblioteca pública passou a representar a modernidade, em oposição às bibliotecas da antiguidade e da idade medieval que a antecederam.

No Brasil com a expulsão dos Jesuítas pelo Marquês de Pombal, em 1773, e o consequente confisco de seus bens, as Bibliotecas se tornaram amontoados de livros que se deterioraram com o tempo. Somente depois da vinda da família real portuguesa para o Brasil, em 1807, a Biblioteca Nacional foi inaugurada, graças ao encarregado da biblioteca real, Alexandre Antônio das Neves, que sugeriu ao príncipe Dom João que despachasse os caixotes de livros para o Brasil, a biblioteca foi efetivamente aberta ao público em 1814, ou seja, sete anos após a chegada da família real.

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A partir do século XIX o livro torna-se socialmente imprescindível e o bibliotecário passa a ter como missão promover a leitura e buscar leitores. Contudo, o contínuo desenvolvimento técnico-científico e a consequente explosão bibliográfica que o advento da imprensa ocasionou a partir do século XV, alteram esse papel. Desde então, o bibliotecário passa a desenvolver uma relação conflituosa com o livro, pois a quantidade de livros é tão gigantesca que supera os limites de seu tempo e de sua capacidade de assimilação do conteúdo que cada livro contém. Para dar conta dessa explosão bibliográfica, o bibliotecário passou a se preocupar mais com os processos técnicos, em especial a catalogação e a classificação, do que com os serviços aos leitores, sedimentando a imagem de um profissional tradicionalmente afundado entre livros.

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Aqui no Brasil, a primeira biblioteca de caráter genuinamente público, foi a Biblioteca Pública da Bahia, fundada no dia 13 de maio de 1811, por iniciativa de um rico senhor de engenho, Pedro Gomes Ferrão Castelo Branco e de um grupo de homens inteligentes e cultos que, às escondidas, liam em clubes maçônico livros franceses com ideais iluministas. Apesar da louvável iniciativa, a biblioteca ficou abandonada até 1820. Em 17 de novembro de 1900 ela foi transferida para o Palácio Rio Branco e, em 1911, no seu centenário, já contava com 42 mil volumes, mas apenas 300 deles sobreviveram ao incêndio ocorrido em janeiro de 1912. Ela só renasceu em 1939, sob a administração de Jorge Calmon, que se dedicou à sua modernização durante três anos.

Imagem de Biblioteca do Estado da Bahia, a primeira do Brasil, por Google

Na minha opinião, investir em bibliotecas públicas é investir no futuro da nação.

                                                  Bill Gates

 

No atual século, num contexto mundial marcado pela globalização, que se conjectura acesso às novas tecnologias de informação e de comunicação, reforçando de tal maneira a informação como mola propulsora das transformações que afetam a sociedade contemporânea. A ênfase dada à informação e ao seu acesso ocasiona transformações profundas nos sistemas de produção da economia mundial, fazendo surgir a sociedade da informação que, por sua vez, apoia-se no avanço tecnológico, intimamente vinculado com o processo de globalização.

Novos desafios aos profissionais bibliotecários surgem e são impostos com o advento da sociedade da informação. Essa perspectiva leva ao surgimento da expressão profissional da informação, que deve procurar estar sempre atualizado, capacitar-se para desenvolver pesquisa e manusear suportes variados de informação, privilegiando sempre as demandas informacionais do público.

Em seu papel fomentadora do conhecimento, as Bibliotecas podem inserir em seu meio uma simples dona de casa à grandes pesquisadores dos diversos ramos dos saberes. O papel social das bibliotecas, além da disseminação da informação, é também, a inserção das comunidades em geral ao conhecimento e suas práticas. E isso é de fundamental importância para a perpetuação da história, reconhecimento e pertencimento social, para que os seres se reconheçam no outro e busque respostas par suas indagações.

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Um leitor vive mil vidas antes de morrer. O homem que nunca lê vive apenas uma.

                                             George R. R. Martin

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Até A próxima! Vejo flores em você!

Por BETÂNIA PEREIRA

 

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