HOLLYWOOD E SUAS MAGIAS Fernanda Torres e a Dor que Ecoa em “Ainda Estou Aqui”

HOLLYWOOD E SUAS MAGIAS Fernanda Torres e a Dor que Ecoa em “Ainda Estou Aqui”

Fernanda Torres nunca precisou provar nada a ninguém. Desde que venceu o prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes, em 1986, com Eu Sei Que Vou Te Amar, ficou evidente que seu talento era único. Mas há algo de diferente, algo de profundamente transformador, em sua atuação em Ainda Estou Aqui. Algo que transcende a tela, que toca no cerne da memória coletiva e, ao mesmo tempo, na dor individual de uma mulher que perde tudo, mas resiste.

Imagem de Somos globo por Google

 

Agora, com sua primeira indicação ao Oscar, Torres entra para a história. Mas Ainda Estou Aqui não é sobre prêmios, não é sobre a glória da consagração — é sobre a impossibilidade de esquecer. Sobre feridas que o tempo não fecha.

 

 

A Dor de uma Mulher, a Dor de um País

Imagem de TecMundo por Google

 

No filme de Walter Salles, Fernanda Torres é Eunice Paiva, viúva do ex-deputado Rubens Paiva, brutalmente assassinado pela ditadura militar em 1971. Mas a história de Eunice não acaba aí. Ela sobrevive. Ela luta. Ela vê seus filhos crescerem sem o pai e, ao longo dos anos, carrega o peso de um silêncio que grita.

Fernanda Torres compreende essa dor. E não apenas interpreta, mas incorpora, com cada gesto, cada pausa, cada olhar carregado de palavras não ditas. Em uma das cenas mais impactantes do filme, sua personagem revisita a casa onde viveu com Rubens. O silêncio do espaço é ensurdecedor. A ausência se torna um personagem. E no rosto de Torres, o público enxerga tudo: a saudade, a raiva contida, o amor que resiste à passagem do tempo.

 

Uma Atuação que Não se Esconde

 

Imagem de Almanaque da Cultura por Google

 

Torres poderia ter escolhido o caminho mais fácil. Poderia ter construído uma Eunice grandiosa, com discursos inflamados e lágrimas coreografadas. Mas não. Seu desempenho é econômico e, por isso mesmo, devastador. Ela age como quem sabe que a dor verdadeira não precisa de exageros — ela apenas existe, pairando, se infiltrando nos gestos mais banais.

A força de sua interpretação está justamente no que não se vê, no que é apenas sugerido. No jeito como ela segura uma xícara de café, como toca uma fotografia envelhecida, como desvia o olhar quando a verdade se torna insuportável. São nuances que fazem de Ainda Estou Aqui um filme que não se esquece, e que fazem de Fernanda Torres uma atriz à altura de qualquer reconhecimento internacional.

Imagem de Brasil de Fato por Google

 

Mais do que um Oscar, um Legado

 

A indicação ao Oscar de Melhor Atriz coloca Fernanda Torres ao lado de sua mãe, Fernanda Montenegro, como as únicas brasileiras a alcançarem esse feito. Mas o prêmio é apenas um detalhe. Porque o que Torres faz em Ainda Estou Aqui não é apenas atuar — é transformar a tela em um espelho. Um espelho no qual o Brasil se vê, se reconhece e, talvez, se permita sentir.

E, no fim, não há prêmio maior do que isso.

Imagem de Projeto Colabora por Google

Por TAMY SIMÕES

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