A literatura de cordel é uma fascinante expressão cultural que tem suas raízes plantadas na tradição oral, principalmente no sertão nordestino do Brasil. Essa forma de literatura popular é caracterizada por sua simplicidade, ritmo cativante e narrativas envolventes. O termo “cordel” vem da prática de pendurar folhetos com histórias, poemas e notícias em cordas ou varais, onde eram vendidos nas feiras, como exemplo a Feira de São Cristóvão no Rio de Janeiro e mercados, muitas vezes acompanhados por declamações eloquentes dos vendedores, conhecidos como “cordelistas”. A forma como os cordéis eram vendidos, foi determinante na disseminação desse tipo de literatura, cujo estilo era marcado pela métrica e rima simples, recitados oralmente o que facilitava a memorização.
Feira de São Cristóvão – Rio de Janeiro

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Vejamos o que tem nas Feiras Livres, pelo Poeta Chico Fábio:

Com o surgimento da imprensa os folhetos passaram a ser impressos em papel. A passagem dos versos para a escrita, no entanto, nunca retirou da tradição o caráter da oralidade, que é característica essencial do cordel até os dias de hoje.
O primeiro cordelista a imprimir seus versos foi Leandro Gomes de Barros (1865-1918), um dos maiores nomes desse estilo literário. Seu folheto foi impresso em 1907 e nas décadas seguintes foram surgindo várias editoras de cordel, possibilitando a produção em maior quantidade e distribuído em diversas regiões, ampliando seu público e permitindo que aspectos importantes da cultura nordestina fossem registrados e preservados.
Mesmo com os desafios enfrentados com outras formas de entretenimento e pela disseminação da cultura digital, observamos que a literatura de cordel também se adapta, sem perder sua essência, aos tempos modernos, entretanto necessita ser preservada para as futuras gerações. Para isto, são criados espaços para divulgar e preservar a Literatura de Cordel, um patrimônio cultural brasileiro: as Cordeltecas.
Vamos conhecer algumas Cordeltecas?
- Cordelteca Maria das Neves Baptista Pimentel


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Inaugurada em 2019, na Biblioteca Central da Universidade de Fortaleza (UNIFOR) – Ceará, em homenagem Maria das Neves Baptista Pimentel, a primeira mulher a publicar um folheto de cordel (1938), com um acervo de 1.606 títulos e 3.173 exemplares de folhetos de cordel disponíveis para consultas locais pela comunidade em geral.


- Cordelteca Arievaldo Viana


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Inaugurada em 2024, na Biblioteca Pública Estadual do Ceará (BECE), em homenagem ao Poeta Arievaldo Viana, idealizador do projeto “Acorda Cordel na Sala de Aula”, que tinha como objetivo levar o cordel para as escolas. Com um acervo de 1.192 títulos e 1.600 exemplares de folhetos de cordel.


- Cordelteca FMS
Localizada na Biblioteca Central da Faculdade de Medicina do Sertão (FMS), na cidade de Arcoverde – Pernambuco. O acervo de cordel está em desenvolvimento e estão disponíveis para consultas locais pela comunidade em geral.


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- Cordelteca Raquel de Queiroz
Inaugurada em 2021, na Biblioteca Central Prof. António Martins Filho da Universidade Estadual do Ceará (UECE), em homenagem a escritora regionalista Raquel de Queiroz, primeira mulher a ingressar na Academia Brasileira de Letras e a receber o Prêmio Camões.




● Cordelteca Poeta Edmilson Providência
Inaugurada em 2021, localizada na Biblioteca Prof. Luis Palhano Loiola da Faculdade de Educação e Ciências Integradas de Cratéus (FAEC), da Universidade Estadual do Ceará (UECE), em homenagem ao Poeta Edmilson Providência, Compositor, Radialista, Professor de Matemática Antonio Edmilson de Sousa Lopes. O acervo é formado por 180 folhetos de cordel, doados por cordelistas, populares, organizações culturais e instituições públicas.




● Cordelteca dos Inhamuns
Inaugurada em 2021, na Biblioteca da Faculdade de Educação, Ciências e Letras dos Inhamuns – CECITEC, na cidade de Tauá – Ceará, com um acervo de folhetos de cordel dos Poetas da Região dos Inhamuns e, aberta à visitação da comunidade acadêmica.


● Cordelteca Gonçalo Ferreira da Silva




Uma iniciativa de um garoto, na época, com 13 anos, Pedro Popoff (Pedro Cordel), um apaixonado pela cultura nordestina, na cidade de Bauru – São Paulo.


- Cordelteca do Instituto Federal de Sergipe


Inaugurada em 2022, na Biblioteca do Instituo Federal de Sergipe, com objetivo de facilitar mais o acesso a Literatura de Cordel, com trabalhos de diversos escritores, para toda comunidade, que passa pelo Campus Propriá – Sergipe.
- Cordelteca Poeta Djalma Mota




Inaugurada em 2016, no Centro de Ensino Superior do Seridó da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em homenagem ao Poeta Djalma Mota que doou seu acervo pessoal, com 600 títulos de cordéis, além de acervos do Monsenhor Tércio e da Academia Brasileira de Literatura de Cordel, com o objetivo de salvaguardar folhetos de cordel em um espaço para estudos, pesquisas e encontros de cordelistas. A Cordelteca possui um acervo com mais de dois mil títulos de folhetos de cordel.
- Cordelteca Alda Cruz




Inaugurada em 2022, no Centro de Excelência Manoel Messias Feitosa, em Nossa Senhora da Glória, no alto sertão sergipano, em homenagem a poeta, professora e cordelista Alda Cruz. Uma iniciativa a partir do Projeto “Representação da Mulher no Cordel”, com o objetivo de popularizar o legado feminino do cordel em escolas públicas.
- Cordelteca Itinerante




Inaugurada em 2023, a Cordelteca Itinerante idealizada pela Cordelista paraibana Aurineide Alencar, que reside no Mato Grosso do Sul, desde 1990. O acervo é composto por folhetos de cordel, livros e antologias do gênero cordelista, venda de livros autorais da escritora e cordéis de outros cordelistas brasileiros, cujo acervo é composto por cordéis autorais e mais de dois mil títulos de folhetos de cordel clássicos e contemporâneos de cordelistas de todo o Brasil. A ação faz parte do projeto “Caravana Cultural de Cordéis – Cordelteca Itinerante” em Dourados (MS), incentivado pelo Fundo de Investimentos à Produção Artística e Cultural.
Apresentamos, portanto, o universo da Literatura de Cordel nas feiras livres, espaços públicos determinantes para a divulgação desse tipo de literatura, e as Cordeltecas, como lugares de memórias, preservação e salvaguarda deste rico Patrimônio Cultural Brasileiro.
Por BETH BALTAR









