MÃE ÁFRICA – As controvérsias do meu Cabelo Afro

MÃE ÁFRICA – As controvérsias do meu Cabelo Afro

O cabelo é a minha vaidade. Quando meu cabelo está grande e volumoso, fico toda vaidosa e me sinto bonita, linda e atraente.

O cabelo é a minha vaidade, disse isso quando pela última vez, coloquei desfriso e dois meses depois ele caiu completamente, fiquei sem jeito. Fazendo um recuo nas fotos antigas comecei a rir e a refletir… As controvérsias do Cabelo Afro.

Sempre as pessoas com o cabelo Afro desfrisavam o cabelo. No meu tempo de jovem anos 80-90 todas usávamos o ferro quente e a atanas para desfrisar, em Benguela era a Professora Chica no parque do Pioneiro, junto a igreja da N. Sra. Do Pópulo, a dona Rita Gregório perto do Estrela Clube 1º de Maio, a Belinha na Rua do Kassanga Bar e a D. Catarina Jordão no Bairro Pequeno Brasil, junto ao bairro Quiochi. Puro ritual no fogareiro a carvão ou fogão pequeno no quintal, uma fila de 12 ou mais senhoras e jovens a espera do momento de transformar o cabelo. Ficava liso, colocávamos rolos e depois de 15 dias ou mais voltávamos ao mesmo exercício.

Imagem de DesignUni por Freepik

 

Havia uma maneira mais moderna de se desfrisar os cabelos, com um produto chamado brasileiro, na sua composição tinha o formol, que alisava o cabelo, mais queimava o couro cabeludo e ficava mais tempo no cabelo, cerca de dois meses. Mas a maior parte das vezes tinha enormes quedas de cabelo. Esses produtos foram melhorando e hoje ainda usamos.

Imagem de Anastasia Kazakova por Freepik

 

Todas essas maneiras ainda se usa nos nossos dias, tudo para melhorar a aparência do cabelo afro, facilitar o pentear e manter um ar mais “sofisticado”, será? Ou tentar se aproximar ao cabelo da mulher europeia? Os estereótipos europeus a comandar o mundo. Aqui surge a base, o pano de fundo das controvérsias do meu cabelo.

Fiquei cansada deste vai e vem do cabelo natural ou afro e decidi cortar o cabelo e ele foi tomando seu jeito todo natural, ninguém disse nada. Vou jantar com meu amigo francês, branco, ele nunca viveu em África e meu espanto, ele disse eu cito” Mulher negra tem uma beleza que nunca vi igual, olhos vivos e o cabelo sempre firme, lindo, o perfume do shampoo não se dilui ao vento”. Eu fiquei sem jeito, pensei mil coisas e sobretudo viajei para minha juventude onde os meus amigos não andavam connosco se estivéssemos com o cabelo natural.

Imagem de Flowo por Freepik

 

Em conversa com o motorista da escola do meu filho, ele diz que nos anos 80, gostava muito de uma moça mas não ficou com ela porque ela não queria arranjar o cabelo, e os amigos dele diziam que ela era uma despassarada ou descuidada. Eu fiquei de boca-aberta e pensei quantas perderam seus namorados porque já tinham personalidade.

Imagem de Doyono por Freepik

 

Ao ler o livro da feminista Nigeriana, muito estudada nas Universidades da europa, pela sua posição pedagógica na abordagem feminista, Chimamanda Adichie ”O Meio Sol Amarelo”, a dado momento do livro ela nos faz a caracterização de duas personagens, irmãs gémeas, uma casa com um Britânico e outra casa com um Nigeriano, ambos diferentes, mas o britânico gostava de ver a esposa com cabelo natural, achava lindo, mas ela dizia que usaria e compraria mais perucas, porque ele não tinha noção do sofrimento de pentear o cabelo afro.

As controvérsias do meu cabelo afro.

Imagem de Vibudhaart por Freepik

 

Teta Lando, cantor angolano cantava, negra de carapinha dura, não estrague os seus cabelos, usa tranças corridinhas com missangas a enfeitar….

A Yola Semedo, cantora da nova geração, também canta dos carrapitos que a mãe lhe fazia e ela ia toda vaidosa pra escola.

Sara Tavares a cantora Cabo-verdiana, também canta a minha carapinha parece a coroa de Rainha.

Todos enaltecendo o cabelo Afro.

Hoje a Indústria do cabelo evoluiu muito, temos perucas que chegam a custar 500 Euros, cabelos brasileiros, que se aproximam mais ao afro, e até pessoas que dizem, porque alguém decidiu fazer essa classificação, de cabelo afro do tipo 1, 2, 3, ou 4. Que mais ou menos cabelo do negro como tal, do outros com alguma mistura, ou ligeiramente mais leve e volumoso como do cruzamento de negro com mestiço, ou ancestralidade cruzada.

Imagem de Grizzly Imagery por Freepik

 

Hoje o uso do cabelo afro está na moda, mas mesmo assim muitas mulheres e jovens, desfrizam, sobretudo em Angola. Você como lida com seu cabelo afro?

Reflicta comigo uma frase do livro Europa do conhecimento página 192.

Imagem Guilherme Simão por Pexels

 

“Os desafios deste século são de construir uma sociedade mais harmoniosa, em que o potencial criativo, de descoberta deste tesouro escondido em cada individuo, tivesse tempo e espaço para revelar-se”

Respeitemos como cada uma trata seu afro e caminhemos.

Imagem de Stockshakir por Freepik

 

O risote de atum.

Por causa de uma refeição voltamos a infância e o que ela representa. Seria arroz de atum, com cenoura, pimentos e salsa. Hoje se cozinha primeiro o arroz e depois de pronto, separa e numa frigideira prepara o refogado, com os legumes e o atum. ÈEEEE…..tudo mudou. Mas não mudou o meu amor hoje pelo ontem, e vieram as recordações, até visualizo a panela que a minha gostava…. Um taxo da vigorosa, antiga fábrica de panelas de Benguela.

IMAGEM GERADA POR IA “usando SEAART AI, sob a direção de J.B Wolf, Criada em 03/07/2025″

Luanda 07/06/2023

Por FÁTIMA MONIZ

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