Conheça um pouco de uma das manifestações culturais de São Tomé e Príncipe.

IMAGEM GERADA POR IA “usando SEAART.AI, sob a direção de J.B Wolf, Criada em 31/08/2025″
O trabalho forçado no Arquipélago de São Tomé e Príncipe entre os anos 1853-1903, em plena fase da colonização portuguesa, com a mão-de-obra para as roças de Cacau e Café, um dos maiores produtores e exportadores mundiais, na altura, fez com que a máquina colonial, colocasse neste pequeno espaço, contratados ou serviçais, homens e mulheres que pudessem trabalhar a terra, das duas colónias em Angola, Moçambique, Cabo-Verde e Guiné Bissau. Mas os seres humanos não são mercadoria, transportavam consigo seus saberes, crenças e medos. Uma forma de dizer, nos roubem tudo menos a nossa cultura, como escreveu o poeta Agostinho Neto no seu poema Havemos de Voltar.

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Neste cruzamento de culturas africanas, nesta saudade do que se deixou para trás, neste dizer Basta de tanto trabalho forçado, surge em São Tomé e Príncipe a dança-congo, ou danço-congo.
A DANÇA CONGO OU DANÇO CONGO, é uma manifestação cultural tradicional de São Tomé e Príncipe, possivelmente trazida pelos contratados de outros países africanos, colónias de Portugal entre 1853-1903, aproximadamente.
A dança congo é uma representação dramática, rica em cores, sons e movimentos que incorpora elementos de música e narrativa. Essa dança conta histórias relacionadas as plantações, a altura de maior colheita e o agrado dos patrões e a altura de baixa produção, quando eram maltratados pelo patrão. Nestas fases era regra emitirem canções, preces aos seus ancestrais e as forças espirituais do bem.
Os participantes da dança congo ou danço congo, usam trajes coloridos, com destaque para os capacetes feitos de folhas de palmeira adornados com pedaços de plástico. A dança é acompanhada por música e ritmos produzidos por tambores e outros instrumentos produzidos artesanalmente.

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Segundo os relatos mais antigos, faziam parte desta dança o feiticeiro, o bobo ou coadjuvante, os figurantes, os tocadores, dançavam até o amanhecer. Terminavam com comidas e bebidas e atiravam a terra, por formas a agradecer e pedir boas culturas para os próximos anos. Até hoje tentam usar o mesmo esquema mas com ligeiras diferenças.
A dança congo pode ser apreciado em diversas ocasiões, como festas religiosas, eventos culturais, incluindo na Bienal de São Tomé e Príncipe.
A dança congo ou danço congo foi uma forma de resistência cultural, como a capoeira e outras formas culturais, deve-se trabalhar para a conservação desta prática. Pois é a melhor maneira de preservação dos saberes do povo santomense, do povo africano e da diáspora africana.
A dança congo faz parte do património cultural de São Tomé e Príncipe e se deve aproveitar a Dança congo ou danço congo para a promoção do turismo nacional, embora haja preocupação com o seu declínio devido a falta de apoio e interesse das gerações mais jovens.
Encontramos sujeitos, saberes e práticas na dança congo em São Tomé e Príncipe e convida-vos a conhecer esta dança neste lindo país africano de expressão portuguesa, bem na linha do equador.
Por FÁTIMA MONIZ
