MÃE ÁFRICA – RIQUEZA IMATERIAL: Festas da ilha de Luanda, a Festa da Kianda

MÃE ÁFRICA – RIQUEZA IMATERIAL: Festas da ilha de Luanda, a Festa da Kianda

Estamos a publicar e divulgar conhecimento e saberes sobre a África. A Memória imaterial das nossas gentes. A festa da Kianda contribui para a construção de uma nova epistemologia e uma nova hermenêutica dos estudos africanos, livre e longe de estereótipos e de um olhar folclórico e exótico.

IMAGEM GERADA POR IA “usando SEAART.AI, sob a direção de Tônia Lavínia, Criada em 01/12/2025″

 

A Ilha de Luanda tem festas que variam de rituais tradicionais a eventos modernos, como a Festa da Kianda, significa a sereia da Ilha de Luanda. Sendo uma celebração cultural importante em Novembro, que venera a divindade das águas.

IMAGEM GERADA POR IA “usando SEAART.AI, sob a direção de Tônia Lavínia, Criada em 01/12/2025″

 

  • Festa da Kianda:Um ritual de Novembro para venerar a divindade das águas e garantir a segurança dos pescadores.

A Ilha do Cabo, mais conhecida por Ilha de Luanda, é um cordão litoral, em Angola, composto por uma estreita língua de terra com 7 km de comprimento que, separando a cidade de Luanda do Oceano Atlântico, cria a Baía de Luanda.

A Ilha de Luanda, ou simplesmente, a Ilha como a chamam os habitantes de Luanda, encontra-se ligada à cidade por um pequeno no sopé da Fortaleza de São Miguel. É por excelência o local de divertimento e lazer dos luandenses e das demais pessoas que desejam conhecer a ilha do cabo, podendo aqui encontrar-se uma grande variedade de equipamentos turísticos, dos bares aos restaurantes junto ao mar e das discotecas aos hotéis, sem esquecer os mercados de rua, as inevitáveis praias e a marina.

Imagem – divulgação Google

 

Na ilha está localizada a Igreja da Nossa Senhora do Cabo, a mais antiga de Angola, fundada em 1575 pelos quarenta portugueses que viviam na ilha antes da mudança da cidade de Luanda para o continente, feita por Paulo Dias de Novais.

Imagem – divulgação Google

 

A Ilha de Luanda faz parte do município de Luanda, na província de mesmo nome, sendo administrativamente parte do bairro Da Ilha e do distrito urbano da Ingombota.

IMAGEM GERADA POR IA “usando SEAART.AI, sob a direção de Tônia Lavínia, Criada em 01/12/2025″

 

Origem do nome

Cerca de 1570, Duarte Lopes escreveu, na sua “Relação do Reino do Congo e das Terras Circunvizinhas”, que o lugar chamava-se “Loanda, que quer dizer, naquela língua, terra rasa, sem montes e baixa”, levando a concluir que o local se chamaria assim por ser um areal raso. No entanto, estudos etimológicos da palavra levam a outra conclusão.

Seguindo o princípio da derivação das línguas bantu, o prefixo lu é aplicado em palavras que descrevem regiões alagadas, como ilhas, braços e bacias de rios etc., seguido da estilização ortográfica das características topológicas dessa região. Dessa forma, surge a palavra luando, que, por se referir a uma ilha, um vocábulo feminino, ao ser aportuguesada deu o actual “Luanda”, vocábulo obtido através da aglutinação de lu + (nd) ando, onde ando é o étimo comprimido de ndandu, que significa “mercadorias”, “objecto de comércio”, “valores” etc., relativo aos produtos retirados da ilha, como o peixe ou os pequenos búzios ali apanhados, normalmente conhecidos como njimbo ou zimbo e que eram a moeda corrente do Reino do Congo. Segundo este estudo, a ilha teria o nome de Luando por ser um local de comércio situado num areal.

IMAGEM GERADA POR IA “usando SEAART.AI, sob a direção de Tônia Lavínia, Criada em 01/12/2025″

 

Uma outra versão refere que o nome deriva de “axiluandas” (homens do mar), nome supostamente dado pelos portugueses aos habitantes da ilha, porque, quando ali chegaram e lhes perguntaram o que estavam a fazer, estes teriam respondido uwanda, um vocábulo que, em quimbundo, significa “trabalhar com redes de pesca.

IMAGEM GERADA POR IA “usando SEAART.AI, sob a direção de Tônia Lavínia, Criada em 01/12/2025″

 

Em que se resume a festa da Kianda:

 As embarcações ou chatas param e são recepcionadas por mulheres e homens mais velhos, conhecedores desta cultura e que receberam os ensinamentos dos seus pais e avós, numa orientação mais tradicional, chamando e evocando o nome de seus antepassados e pedindo um ano bom e de muita fartura, igualmente pedindo prosperidade a todos que usam aquele mar. Proporcionando um encontro ecuménico assistido por várias pessoas. As canções, bebidas são despejadas ao mar, como forma de agradecimento. Com vestes vermelhas, panos e kimones vermelho e branco dão força a esta Cerimónia, que normalmente é feita de madrugada e são testemunhas seus familiares unicamente, ficando depois aberto aos visitantes, com barracas de bebidas e comida e muito peixe grelhado com farinha de mandioca e outros quitutes (iguarias).

IMAGEM GERADA POR IA “usando SEAART.AI, sob a direção de Tônia Lavínia, Criada em 01/12/2025″

 

O fervor espiritual ou cosmológico que transparece na celebração. Geralmente, há esse sentimento de transcendência, abrindo o coração e a mente para o mais alto ser espiritual.

IMAGEM GERADA POR IA “usando SEAART.AI, sob a direção de Tônia Lavínia, Criada em 01/12/2025″

 

Por FÁTIMA MONIZ

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *