MITOLOGIAS E CRÔNICAS – Mitologia da Suméria

MITOLOGIAS E CRÔNICAS – Mitologia da Suméria

Olá, querido leitor, depois de uma viagem as mitologias mais comentadas em todo mundo, é hora de falar dos primórdios da humanidade, aqueles, que segundo as lendas, foram os primeiros dos homens a criar e decodificar a escrita, o início da era moderna como a conhecemos. Mesmo antes da Mãe África reinar soberana sobre os conhecimentos que temos hoje, a Suméria foi palco do início abrindo as portas e caminhos para que outras civilizações pudessem evoluir.

Então te convido para desfrutar dessa história magnifica que é a Suméria e seus enigmas, qualquer semelhança com as histórias modernas é pura coincidência, ou não…

Então para aproveitar mais essa aventura, pegue a sua bebida favorita se aconchegue e boa leitura….

Imagem de Enigmas da Civilização Suméria por Google

 

Suméria e seus mistérios

Imagem de Shutterstock.com por Google

 

Vamos mergulhar na mitologia Suméria, uma das mais antigas do mundo que ocupou os territórios entre os rios Tigre e Eufrates, com raízes por volta de 3000 a.C., na região da Mesopotâmia (atual sul do Iraque). No quarto milênio antes de Cristo, as primeiras populações sumerianas teriam se deslocado do Planalto do Irã até se fixarem na região da Caldeia, que compreende a Baixa e a Média Mesopotâmia. Quish foi a primeira cidade fundada e logo foi seguida pelo surgimento de cidades como Eridu, Nipur, Ur, Uruk e Lagash.

 

A Terra entre Rios

“A não ser na parte dos pântanos e brejos, com sua vegetação de caniços, onde o Tigre e o Eufrates deságuam no Golfo Pérsico, a Mesopotâmia – a “Terra Entre Rios” dos antigos historiadores gregos e que corresponde, mais ou menos, ao Iraque de hoje – consiste em sua maior parte numa desolada planície de aluvião. O clima, de um modo geral, é quente e seco. Não há minérios e quase não há pedra ou madeira para construção; o solo, se não recebe cuidados, é árido, improdutivo.

Mas, embora essa região pareça na atualidade bem pouco atraente, nenhum outro atraente, nenhum outro lugar do planeta é de maior significação para a história do progresso humano. Nessa terra embalada pelos rios foi que o homem primata se tornou civilizado. Ai cerca de 5 mil anos, o povo conhecido como os sumérios criou a mais antiga das verdadeiras civilizações, cujas raízes mergulham bem fundo nas trevas da pré-história. Foi a Mesopotâmia que viu erguerem-se os primeiros centros urbanos da humanidade, com a sua vida opulenta, complexa e variada, em que a lealdade política não era mais em relação à tribo ou clã, mas em relação à comunidade como um todo; onde os alterosos zigurates, ou templos torres, se lançavam para o céu, fazendo o coração do citadino palpitar de medo, maravilhamento e orgulho; onde a arte e a engenhosidade técnica, a especialização industrial e a iniciativa comercial encontraram

Do ponto de vista político, as cidades sumerianas eram completamente independentes. Em cada uma delas, um sacerdote contava com o auxílio de um grupo de anciãos para que as principais decisões políticas fossem afixadas. Contudo, um certo momento que ainda não determinaram, percebemos uma mudança na forma de governar as cidades-estados, líderes desenvolveram uma governança centralizada e monárquica onde o poder era passado de forma herdada e pai para filho.

Mesopotâmia – O berço da civilização

Samuel Noah Kramer e redatores dos Livros TIME-LIFE

 

  

Cidades-Estados

 

As cidades-estados sumérias são uma das características mais marcantes da civilização suméria e tiveram papel central no desenvolvimento político, religioso, econômico e cultural na Mesopotâmia.

Que foram divididas em duas regiões:  

 Alta Mesopotâmia: Era a zona norte, onde se encontram as nascentes dos rios.

 Baixa Mesopotâmia: Era a zona sul, com a inclinação e a foz dos rios. Pelo clima seco e quente, era necessária a construção de canais para controlar as secas e as cheias dos rios.

Algumas das principais cidades-estados sumérias incluíam Ur, Nipur, Eridu, Lagash, Uraque, Guirsu, Churupaque, Adabe, Umma e Zabalam.

Imagem da reconstrução idealizada sobre a possível aparência de Eridu em 3300 a.C por National Geographic

 

Cada povoado tinha o seu próprio governo, exército, templo principal e divindade protetora. Embora todas compartilhem da mesma cultura, idioma e sistema religioso, elas frequentemente entravam em guerra umas com as outras por território, influência religiosa ou controle de recursos.

A administração das cidades-estados na Mesopotâmia era bastante sofisticas para a época e refletia a complexidade de suas sociedades. Com o tempo o líder das cidades-estados, ficou conhecido como Patesi. Ele era responsável por organizar a defesa, supervisionar as obras públicas e garantir a justiça.

Com o passar dos séculos e estudos avançados os especialistas em arqueologia dividiram a Suméria em períodos:

Período de Uruk ((c. 3500-2900 a.C.).  Nos confins da antiga Mesopotâmia, onde os rios Eufrates e Tigre desenhavam caminhos de vida e civilização, ergueu-se um período de esplendor e transformação. Uruk, a joia da Suméria, viu suas muralhas crescerem e seus templos se tornarem o coração pulsante de um mundo nascente.

Os sumérios, mestres da terra e da escrita, espalharam-se pela planície fértil, fundando cidades que ecoariam pela eternidade: Ur, Lagash, Kish, Umma e tantas outras. Em cada uma delas, os templos erguiam-se como pilares da ordem, onde sacerdotes e governantes entrelaçavam poder e fé, guiando os destinos de seus povos.

Uruk, soberana entre iguais, não apenas prosperou, mas imprimiu sua marca na cultura e na política da região. Seus zigurates tocavam os céus, suas ruas fervilhavam com comércio e suas leis moldavam o futuro. Foi ali que a escrita cuneiforme nasceu, onde reis e deuses compartilhavam o mesmo espaço e onde a civilização tomou forma.

Período dinástico arcaico (2900-2334 a.C.). Nas terras entre rios, onde o Eufrates e o Tigre desenhavam caminhos de vida e disputa, as cidades erguiam-se como testemunhas do engenho humano. O solo fértil chamava os povos, e com eles vinham a ambição e a necessidade. Água, terras, matérias-primas—tudo era motivo de disputa, e cada cidade-estado via sua sobrevivência depender da força de seus líderes.

Imagem gerada por Leonardo AI

 

O poder, antes repousado nos templos, onde sacerdotes interpretavam os desígnios dos deuses, começou a migrar para os palácios reais. Os guerreiros, forjados no calor das batalhas, tornaram-se reis, e suas decisões moldaram o destino de civilizações. As muralhas cresceram, os exércitos marcharam, e a política tornou-se um jogo de conquista e resistência.

Mas, mesmo em meio às guerras incessantes, a vida florescia. Os campos eram cultivados com técnicas aprimoradas, e os rios, domados pela engenhosidade humana, garantiam colheitas abundantes. A população crescia, espalhando-se pela Mesopotâmia, fundando novas cidades que, por sua vez, se tornariam palco de novas disputas e alianças.

Reino de Akkad (2334-2218 a.C). Nos confins da Mesopotâmia, onde os rios Eufrates e Tigre desenhavam caminhos de vida e poder, ergueu-se um império que desafiaria o tempo. Os acádios, filhos do deserto e do destino, chegaram como brisa sobre a terra fértil da Suméria, fincando raízes e moldando o futuro.

Mari, cidade de pedra e comércio, foi seu primeiro refúgio, mas a ambição de um homem mudaria o curso da história. Sargão, nascido do mistério e forjado na adversidade, ergueu-se das sombras para tomar Kish, desafiando reis e oráculos. Com espada e estratégia, lançou-se em campanhas que dobrariam cidades e corações.

Seu nome ecoou pelos templos e mercados, e sua glória foi selada com um título que atravessaria eras: “Rei das Quatro Regiões do Universo”. Em Akkad, sua capital, ergueu-se um trono de poder e tributo. Povos distantes curvavam-se diante de sua força, trazendo ouro, grãos e promessas. Seu império, o primeiro de seu tipo, desenhou os contornos da civilização futura, deixando marcas que nem o tempo ousou apagar.

Período Guti (2218-2047 a.C.). Na transição dos tempos, o Império Acádio enfraqueceu e sua estrutura começou a ruir. Aproveitando-se da instabilidade, os Guteus, um povo oriundo das montanhas Zagros, atravessaram os vales da Mesopotâmia e tomaram Akkad, marcando o fim da supremacia acádia.

Imagem gerada por Leonardo AI

 

As cidades sumérias, antes submetidas ao domínio de Akkad, iniciaram revoltas, fragmentando o poder e preparando o terreno para novas mudanças políticas. Com sua chegada, os Guteus impuseram tributos às cidades, ajustando-se ao sistema administrativo já existente, sem trazer uma reorganização completa da sociedade. Seu governo, porém, foi instável e efêmero, e em pouco mais de um século, os sumérios reconquistariam seu protagonismo.

Imagem gerada por Leonardo AI

 

Assim, entre disputas e transformações, esse período representou mais uma fase de transição na longa história mesopotâmica.

Renascimento sumério (2047-1800 a.C.). Após anos de domínio estrangeiro, as cidades sumérias ergueram-se em rebelião, expulsando os Guteus e restaurando sua autonomia. Ur, a cidade que outrora fora símbolo de grandeza, tornou-se o centro de um novo movimento de unificação, tecendo alianças entre cidades-estado e fortalecendo sua posição na Mesopotâmia.

Nesse período, Ur e Lagash destacaram-se como polos de cultura e poder, erguendo imponentes zigurates, templos monumentais que se elevavam aos céus como testemunhas da devoção e da engenhosidade suméria. As escadarias que levavam aos terraços sagrados simbolizavam a conexão entre os homens e os deuses, enquanto os templos tornavam-se centros administrativos e religiosos.

Imagem gerada por Leonardo AI

 

Por séculos, a independência suméria foi preservada, mas os ventos da história trouxeram novos desafios. Por volta de 2000 a.C., os Amorreus avançaram sobre a Baixa Mesopotâmia, saqueando cidades e impondo seu domínio. As construções foram devastadas, os bens tomados, e um novo capítulo começou a ser escrito na terra dos rios.

Assim, entre ciclos de ascensão e queda, a Suméria deixou sua marca, influenciando civilizações futuras e perpetuando seu legado na história.

Império Babilônico (1792-1750 a.C.). No coração da Mesopotâmia, onde os rios Eufrates e Tigre desenhavam os contornos da civilização, ergueu-se um império que mudaria o destino dos povos. Hammurabi, soberano de Babilônia, não apenas conquistou territórios, mas moldou a ordem e a justiça com sua visão de poder centralizado.

Com estratégia e determinação, subjugou as cidades sumérias e impôs a cultura acádia, unificando tradições e costumes sob um único domínio. Seu maior legado foi a criação de um código de leis, um conjunto de normas que buscava organizar a sociedade e garantir a estabilidade do império.

Mas o tempo, implacável, trouxe desafios. Com a morte de Hammurabi, rebeliões e invasões abalaram os alicerces do reino. Povos vizinhos avançaram sobre Babilônia, fragmentando seu domínio e dando início a um novo ciclo de disputas e transformações.

Assim, entre conquistas e ruínas, o Império Babilônico deixou sua marca, influenciando gerações futuras e perpetuando seu legado na história.

 

A cultura Suméria

O grande diluvio na Suméria

O mito do dilúvio sumério, também conhecido como Gênesis de Eridu, é o texto mesopotâmico mais antigo que relata a história de um grande dilúvio.  Este mito foi preservado em tabuas de argila com escrita cuneiforme e data de aproximadamente 1600 a.C., embora a tradição oral seja muito mais antiga. Referencias sobre o diluvio também aparece em obras posteriores como Athahasis ((século XVII a.C.) e A Epopeia de Gilgamesh (2150-1400 a.C.).

Imagem da diminuição das águas do dilúvio por Worldhistory

 

Ziusudra, o sacerdote-rei da cidade de Suruppak, é o protagonista do mito. Ele recebe uma mensagem dos deuses sobre um dilúvio iminente destinado a destruir a humanidade. O deus Enki, preocupado com o futuro da humanidade, avisa Ziusuvra sobre a catástrofe e lhe instrui a construir uma grande arca.

Ziusudra segue as instruções de Enki, construindo a arca e impermeabilizando-a com oiche. Ele leva consigo sua família e sementes de todas as espécies de animais. Quando a tempestade chega, Ziusudra e sua família sobrevivem ao dilúvio e após o ocorrido eles oferecem sacrifícios aos deuses em agradecimento pela sobrevivência.

Imagem gerada por Leonardo AI

 

A história foi descoberta pela primeira vez em 1893, durante o período de expedições e escavações generalizadas em toda a Mesopotâmia, financiadas por instituições e ocidentais. O homem bom nessa versão do conto, escolhido para sobreviver ao dilúvio e preservar a vida na Terra, é o sacerdote-rei Ziusudra da cidade de Suruppak (cujo nome significa “vida de longos dias”). Essa mesma figura aparece em Instruções de Churupaque (2000 a.C.) e com Atrahasis (“extremamente sábio”) na obra posterior que leva seu nome, como Utnapishitim (“ele encontrou a vida) no Épico de Gilgamesh como Noé (“descanso” ou “paz”) no Livro de Gêneses.

Por LADYLENE APARECIDA

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