NOSSA LITERATURA Sob os ventos do Norte

NOSSA LITERATURA Sob os ventos do Norte

Sob os ventos do Norte

Por Márcia Neves

 

Com bravura

Os ventos se disfarçam

Em movimentos profundos

Envolvendo-nos, arrancando passos

 

A música que ouvimos ao dançar

Vai açoitando

O corpo 

tal a costa do mar

Inclina-se feito palmeira

Esguia o coração, afeta-se, conhece

E perfaz uma península inteira

 

Por meses

Vão nos soprando, conduzem e sentam    

Sentam-se numa cadeira de balanço

A apreciarem nossas histórias

No embalo do tempo

Cerrado entre montanhas

Por vezes

Tempo uivante

 

Curvados, lançamos redes

E a posição do corpo é a vida

Escrevendo sua beleza às margens

E em qualquer estação

 

A maré do homem não cessa.  

 

Imagem de Aeye por Freepik

  

SAUDAÇÕES LITERÁRIAS, LEITOR (A)!

Entre ventos e marés, a literatura segue exercendo majoritariamente o seu papel edificante no mundo e na vida, de diversas formas, seja através da música, das artes, da poesia, etc.

Nesta edição, em diálogo com o tema “A ARTE NAS CULTURAS NÓRDICAS”, a Coluna NOSSA LITERATURA–VIRTUDES POÉTICAS apresenta a você, leitor, de modo bastante especial, uma entrevista realizada com FLÁVIO VIEGAS AMOREIRA, escritor, poeta e crítico literário.

Imagem de Kaviyo por Freepik

 

É uma grande satisfação tê-lo conosco nesta edição! Sua contribuição ao mundo literário e cultural, universalmente, mas em especial à cidade de Santos e baixada santista, é indescritível. Como curador da Casa das Culturas de Santos, Flávio Viegas Amoreira desenvolve e abre espaços e oportunidades para oficinas, palestras, exposições, cursos, lançamentos de livros, etc., visando sempre a boa e verdadeira literatura, a valorização das artes e das culturas, “sem divisas, nem fronteiras”. Estamos muito entusiasmados com sua participação e certos da importância de apresentar sua visão sobre o tema. Acreditamos que a literatura, com todas suas dimensões, possui um poder restaurador por meio do conhecimento e da construção de sentido e conexão com o mundo, bem como transformador pela capacidade de impactar e dar sentido à vida. Nesse sentido, com vasta experiência na promoção da diversidade cultural, fomos premiados com sua presença e sabedoria.

Nossos agradecimentos, Flávio Viegas Amoreira!

Venha conosco, caríssimo (a) leitor (a)!

Imagem de Nomadsoul1 por Freepik

 

Ode ao reconhecimento

Por Márcia Neves

 

Depois dessa chuva de letras,

se foi sorte ou coisa do destino, eu sei

que viver é como ser livre

na aliança exímia com o mundo,

que “se faz com homens e livros”,

e a céu aberto

 

E eu nunca me esquecerei

de que é preciso viver entre a gente

que faz de sua sabedoria um lugar

para a imaginação do diferente.

 

Tendo como precedente movimento,

algo como a dança da chuva.

Curva-se de acordo com o vento

e concentra no recôndito do simples consciente,

o que acorre num mundo necessário

e não se pode perder de vista.

 

A literatura, em sua essência, revela a profundidade da expressão humana e a nossa conexão intrínseca com o mundo ao nosso redor, independentemente da direção que o vento possa soprar. Através da poesia, alcançamos uma profundidade que é ao mesmo tempo única e universal. Sem essas formas de arte, como poderíamos verdadeiramente viver? Escrever é tão vital quanto respirar, e ter ao nosso redor pessoas que compartilham conhecimento não é apenas sorte; é a própria vida se manifestando de maneira visceral. Ao me despedir desta edição, faço-o com um coração cheio de gratidão e um incessante desejo de buscar saberes que nos unam à essência da vida. Esta edição, com o mestre Flávio Viegas Amoreira, foi mais do que uma simples conversa; foi um verdadeiro despertar literário e cultural. Um presente a todos nós. E a você que lê ‘Nossa Literatura: virtudes poéticas’, meu sincero agradecimento!

Por MÁRCIA NEVES

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