Sinto- me apavorado pois morreu-me o ‘Ser’, banal?
Não pelo medo excessivo do ‘não viver’, mas excessivamente
perturba-me esta exímia atenção às minhas sensações
Tudo se inquieta e em me incomodando, instiga o medo
de descaracterizar o pensamento,
se me despersonalizar o verbo, serei menos que o raio
que os derriba como açoites.
Precisa- se de esperança ao tédio do perigo. Súbito aço vivo.
Ao simples cair da chuva em Lacio,
ressuscito combatente em campos de batalhas do abismo.
Escorre o homem, eu, no caimento vivo e célere
ao sabor das molhadas gotas- letras,
língua, a última flor delírio.
Sinto-me em choro sobre minhas páginas imperfeitas,
Mas os vindouros sentirão mais as lágrimas, que a perfeição
Se conseguisse isto o poeta, escreveria ou se privaria?
O perfeito não se manifesta, e chora então o santo, o humano
Eu poeta
Um poente pós chuva é um fenômeno intelectual!
POR RUTE ELLA
São Paulo – São Paulo, Brasil
