Havia um tempo em que meus olhos eram faróis
que guiavam navios perdidos em tempestades,
quando minhas mãos teciam abrigos de ternura
e minha alma era fonte que nunca se esgotava.
Fui amado como se ama a ferramenta perfeita,
polida pelo uso constante do servir,
enquanto meu valor se media em sacrifícios
e minha essência se dissolvia no dar contínuo.
Ó amor que se veste de mercador astuto,
que pesa corações em balanças de interesse,
que transforma carícias em moedas de troca
e promessas em contratos de conveniência!
Quando minhas forças começaram a minguar,
quando não pude mais carregar mundos alheios,
vi partir aqueles que juravam eternidade
como sombras que fogem ao nascer do sol.
Descobri, na solidão que se seguiu,
que jamais fui amado por quem era,
mas pelo que podia oferecer em silêncio,
como vela que se consome para iluminar outros.
Hoje aprendo a amar-me sem propósito,
a encontrar valor na própria existência,
a ser jardim que floresce para si mesmo,
não apenas horta que alimenta famintos.
Que venha amor que não me pese na balança,
que me queira inteiro, mesmo imperfeito,
que veja em mim não ferramenta útil,
mas alma que merece ser amada pelo simples fato de existir.
Por J.B WOLF
Brasília – Distrito Federal, Brasil
