PROSA POÉTICA – Escrevo Com O Que Escorre por Jeane Tertuliano

PROSA POÉTICA – Escrevo Com O Que Escorre por Jeane Tertuliano

Não escrevo com a mão. Escrevo com o que sobra quando o peito não aguenta mais guardar. Com o que lateja na nuca, com o que coça no ventre,  com o que me olha torto do espelho.

Não sei seguir linha reta. Meu texto tropeça, sangra, goza, se arrepende. Às vezes chora bonito, outras vezes berra feio. Mas nunca, nunca silencia.

Escrevo para não virar pedra. Para não esquecer que minha dor também tem ritmo, que meu corpo também é profecia.

Não escrevo para agradar, escrevo para sobreviver. E se a palavra arde, que arda comigo inteira!

Por JEANE TERTULIANO

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