RECANTO DAS CULTURAS TRADICIONAIS – A cultura alegre e vibrante do carnaval

RECANTO DAS CULTURAS TRADICIONAIS – A cultura alegre e vibrante do carnaval

O Carnaval na Cultura Tradicional

 

Imagem de U_njc9a3kvyh por Pixabay

 

O Carnaval é uma das celebrações mais antigas e animadas do mundo. Possui registros históricos de que suas raízes estão presentes tanto em celebrações pagãs quanto em celebrações religiosas em todo o mundo. Ao longo dos processos históricos, tornou-se expressão cultural diversa, tendo em sua composição diversidades artísticas como músicas, danças, fantasias e tradições que variam de cultura para cultura. Suas origens estão registradas de diversas formas desde o culto agrário para afugentar os demônios e garantir boas colheitas em celebrações da Antiguidade, como os rituais egípcios das festas dedicadas à deusa de Ísis (deusa da magia e da ressurreição) e do boi Ápis (deus da fecundidade e do renascimento). Entre os greco-romanos, em honra a Dionísio, considerado o deus do vinho e da fertilidade e responsável pela fartura e prosperidade dos povos gregos.  As chamadas Saturnália eram feitas em homenagem ao deus maior Saturno (deus da agricultura). Era festa dedicada a Baco, na mitologia romana. Exu, sob uma perspectiva moderna na mitologia yorubá.

  A análise de sua historicidade mostra que o carnaval como festa pagã era renegada pela Igreja Católica.  No século XV o Papa Paulo II autoriza a ocorrência da festa na Via Lata em Roma. A partir daí, foi incorporado à tradição cristã, tornando-se um período de celebração antes da Quaresma.  É uma data móvel e ocorre 47 dias antes da celebração da Páscoa. O domingo de Carnaval deve ser marcado no sétimo domingo antes do domingo de Páscoa. A origem do nome Carnaval vem do italiano “carnelevale”, que significa “tirar a carne”, que não é consumida na Quaresma cristã (Arantes, 2013).

 Diversas culturas desenvolveram suas próprias formas de festejar o Carnaval, refletindo influências históricas locais, regionais e nacionais.

 

O carnaval pelo mundo

Imagem de Freepik

 

O Elegante Carnaval de Veneza, na Itália, se destaca pelo uso de máscaras elaboradas e trajes luxuosos que remetem ao século XVIII. A festa, que tem origem na Idade Média, é marcada por bailes de máscaras e desfiles pelas ruas e canais da cidade, atraindo turistas do mundo todo. Na França, o colorido Carnaval de Nice é um dos mais tradicionais. Combina desfiles de carros alegóricos decorados com flores, música e festividades ao ar livre. A “Batalha das Flores” é uma das atrações mais emblemáticas do evento. O alegre Karneval e Fasching na Alemanha é celebrado com desfiles, festas de rua e muita sátira política. As cidades de Colônia, Düsseldorf e Mainz são famosas por seus desfiles animados e fantasias criativas. Nos Estados Unidos, o vibrante Mardi Gras (terça-feira Gorda) em Nova Orleans é a mais expressiva versão norte-americana do Carnaval. Registram-se exuberantes, fantasias brilhantes e festas que tomam conta das ruas da cidade. As cores tradicionais do evento: roxo, verde e dourado representam justiça, fé e poder.

No Caribe, o ritmo do carnaval contém tradições carnavalescas marcantes, com festas em Trinidad e Tobago, Barbados e República Dominicana. Essas celebrações são influenciadas pela cultura africana, com ritmos como calipso e soca, além de desfiles e fantasias coloridas. Na África, a celebração do carnaval combina elementos da cultura africana, europeia e asiática.  Os mais importantes são o Carnaval de Calabar, na Nigéria, e no Kaapse Klopse, na Cidade do Cabo, na África do Sul e em Angola. Inclui desfiles de carros antigos, concursos gastronômicos, desfiles de moda, danças tradicionais, festival de máscaras, apresentações musicais e competições esportivas.

 

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O carnaval no Brasil

 

O Carnaval é uma das manifestações culturais mais importantes do Brasil, sendo muito mais do que uma simples festa. Constitui-se um reflexo da diversidade, da criatividade e da história do povo brasileiro. Sua influência se estende para além dos dias de folia, impactando a música, a arte, a economia e a identidade nacional.

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O Carnaval brasileiro do samba e da alegria é um dos mais famosos do mundo, conhecido pelos desfiles das escolas de samba no Rio de Janeiro e em São Paulo, além dos blocos de rua em cidades como Salvador e Recife. Misturando influências africanas, indígenas e europeias, a festa se destaca pela música, pelas fantasias e pela energia contagiante.

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 Sua história remonta ao período colonial, quando as festas trazidas pelos portugueses se misturaram às expressões culturais indígenas e africanas. O “Entrudo”, uma brincadeira popular de origem portuguesa, foi uma das primeiras formas de Carnaval no país, caracterizando-se por jogos com água, farinha e limão. No século XIX, o Carnaval começou a tomar novos formatos com a influência dos bailes de máscaras europeus e das marchinhas populares. No início do século XX, o samba, gênero musical de raízes africanas, consolidou-se como a trilha sonora da festa, dando origem às primeiras escolas de samba no Rio de Janeiro.

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Festejado em todo o país, o carnaval arrasta milhões de foliões que se divertem de variadas formas nas diferentes regiões. Nas grandes e pequenas cidades,   as pessoas de distintas idades, sexo, cor, classe econômica e religião se reúnem em blocos, cortejos, escolas de samba, bailes, com ou sem máscaras e fantasias, e se divertem cantando e dançando. Além da festa e da folia, o Carnaval também tem um papel social e econômico, movimentando setores como o turismo, a moda e a música. A tradição carnavalesca reforça laços comunitários e preserva a memória cultural por meio da criatividade e da expressão artística. Além de sua importância cultural, passou a ter grande relevância econômica, pois movimenta a indústria de turismo e outros setores que fornecem produtos e serviços para a festa, gerando quantidade enorme de empregos.

O Carnaval tem uma importância singular, combinando elementos indígenas, africanos e europeus. As festas de rua, os blocos carnavalescos e os desfiles das escolas de samba são algumas das expressões mais conhecidas dessa celebração. Em cidades como Rio de Janeiro e Salvador, a festividade ganha proporções grandiosas, enquanto em outras regiões, como Pernambuco, destaca-se o frevo e o maracatu, fortalecendo a identidade cultural local. Mesmo com a modernização e a influência de novas formas de celebração, o Carnaval tradicional continua sendo um dos pilares da cultura popular, simbolizando a alegria, a liberdade e a diversidade da população brasileira (RIBARD, F. P. G., 2022)

“O carnaval é a celebração da alegria contagiante, onde cores, ritmos e tradições se encontram em uma explosão de cultura vibrante.”

A festa carnavalesca é um espelho da identidade cultural brasileira.  Cada região do país tem sua própria maneira de celebrar: no Rio de Janeiro e São Paulo, os desfiles das escolas de samba são o ápice da festividade, misturando arte, dança, música e narrativa. Em Salvador, o Axé traz às ruas os trios elétricos e os blocos comandados por artistas de axé music que transformaram o Carnaval baiano em um dos mais animados do Brasil. Em Pernambuco, o frevo, o maracatu e os bonecos gigantes fazem do Carnaval de Recife e Olinda uma festa rica em cultura popular. Nas regiões Norte e Nordeste, o Boi-Bumba e as festas de influência indígena dão ao Carnaval dessas regiões um toque único. Além dessas manifestações, há festas tradicionais em Minas Gerais, com blocos de rua que resgatam marchinhas antigas, e em várias cidades do interior, onde as tradições se mantêm vivas de geração em geração (CARVALHO, C.A. E MADEIRO. 2025)

Imagem de Frevo – Recife por Jovem Pan

 

A tradição das Escolas de Samba

 

Imagem de Atelierlouisecostume por Pixabay

 

As escolas de samba são uma das maiores expressões culturais do Carnaval brasileiro, combinando música, dança e artes visuais em desfiles grandiosos que encantam multidões. Surgidas no início do século XX, principalmente no Rio de Janeiro e em São Paulo, essas agremiações carnavalescas têm raízes na cultura afro-brasileira e se tornaram um símbolo da identidade nacional. O samba, ritmo trazido e desenvolvido por descendentes de africanos ao Brasil, ganhou força no início do século XX nas festas e terreiros do Rio de Janeiro. Em 1928, foi fundada a primeira escola de samba, a “Deixa Falar”, no bairro do Estácio, considerada precursora do modelo de desfile que conhecemos hoje. A partir daí, outras escolas surgiram e os desfiles se tornaram cada vez mais organizados e competitivos. Os desfiles das escolas de samba são eventos altamente planejados, nos quais cada agremiação apresenta um enredo, ou seja, uma história contada por meio da música, das alegorias e das fantasias. Os elementos principais de um desfile incluem: o Samba-enredo é a canção que narra a história apresentada pela escola; a Bateria  é formada por um grupo de percussionistas que dá ritmo ao desfile, e é considerada o “coração” da escola;  o Mestre-sala e porta-bandeira apresenta um casal responsável por conduzir e apresentar o pavilhão da escola; as Alegorias e adereços contém carros alegóricos e fantasias luxuosas que ajudam a contar a história; a Comissão de frente é formada por um grupo coreografado que abre o desfile, representando uma introdução teatral ao enredo. Atualmente, os desfiles mais famosos acontecem no Sambódromo do Rio de Janeiro, projetado por Oscar Niemeyer, e no Sambódromo do Anhembi, em São Paulo. Outras cidades, como Porto Alegre, Florianópolis e Manaus, também realizam grandes desfiles. As escolas competem entre si em categorias chamadas “grupos”, sendo o Grupo Especial a elite do Carnaval. Cada detalhe do desfile é avaliado por jurados, e a pontuação final determina a campeã do ano. As escolas de samba são muito mais do que uma atração de Carnaval. Elas funcionam como verdadeiras comunidades culturais. Durante todo o ano, promovem ações sociais, oficinas de música e dança e mantêm viva a tradição do samba. Além disso, o Carnaval movimenta a economia, gerando empregos e incentivando a indústria criativa.

Imagem de Mestre-sala e Porta-bandeira por Agência Brasil – EBC

 

Considerações finais

Imagem de Google

 

O Carnaval influencia fortemente a produção cultural brasileira. Sambas-enredo, axé music, frevo e marchinhas carnavalescas são parte essencial da identidade musical do país. Muitas músicas lançadas no Carnaval tornam-se verdadeiros hinos populares. A arte também está presente nas fantasias, nos carros alegóricos e nas expressões visuais da festa carnavalesca. O trabalho de carnavalescos, estilistas e artistas plásticos transforma os desfiles em verdadeiras obras de arte ao ar livre. O Carnaval não é apenas festa, é também um grande motor econômico. Turismo, indústria do entretenimento e pequenos negócios são beneficiados. A produção dos desfiles e blocos gera milhares de empregos em áreas como confecção de fantasias, montagem de estruturas e produção musical. Além disso, muitas escolas de samba funcionam como centros comunitários, promovendo projetos sociais, cursos de capacitação e atividades para jovens em situação de vulnerabilidade. Dessa forma, o Carnaval se torna um agente de transformação social. É um dos maiores símbolos da cultura brasileira. Ele expressa a alegria e a criatividade do povo, mantém vivas as tradições ancestrais e movimenta a economia do país. Mais do que uma festa, é um patrimônio cultural que reflete a essência do Brasil: diverso, vibrante e acolhedor. A tradição das escolas de samba representa a força do povo brasileiro, a criatividade e a resistência cultural. A cada ano, os desfiles encantam milhões de espectadores e mantêm viva a essência do Carnaval como uma celebração da identidade nacional.

Imagem de Google – Prefeitura do Rio

 

Referências

ARANTES, N. A pequena história do Carnaval no Brasil. REVISTA públicas de divulgação, n.29. Ano III. Fev.2013.

CARVALHO, C.A. E MADEIRO,G. Carnaval, Mercado e Diferenciação cultural. Disponível em https://www.redalyc.org/pdf/4006/400638273011.pdf.

Acesso em fevereiro de 2025.

RIBARD, F. P. G. Memória, identidade e oralidade: considerações em torno do carnaval negro da Bahia. Trajetos Revista de História da UFC: Fortaleza, v.2,n.3, p.123 a 138. 2022.

 

Por EDNA BRENNAND

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