Soneto da (Com)paixão
Face quente ante o frio que escorria
Das verdes gemas, um rio minava
Choro irrompia, dor que desatava
Compasso fino, tenra melodia
Enquanto choravas, eu percebia
A torrente que de ti transbordava
Provinha do meu peito que sangrava
Porquanto a tua dor que me atingia
Ver-me em ti, obstruído, sem acalento
Ver-te em mim, ao teu reflexo! Atentaste!
Como abrandarias o contratempo?
Prendestes ao passado o sofrimento
Pois nesta tentativa é que falhaste!
As dores não se importam com o tempo.

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Soneto do Nascimento do Sentir
Abaulado o sentir sob o seu peito
Encarcerado em voz muda, abafada
Cativo ante a confissão não mostrada
Inerte enfermo olvidado no leito
Ao poeta, orgulhoso de seu feito
Em um papel, a escrita faz morada
Em letras, a sua essência é forjada
Em fragmentos, seu sentido é perfeito
Há no bardo a masmorra, circunscrita
Em seu íntimo, o cárcere lhe toma
Liberta ao sentimento que lhe grita
Concebidos os versos em redoma
Alforria à vivência manuscrita
Rompe o peso, livra-se do sintoma

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Quintilhas

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Cabe ao poeta o sentir
Ante um brado de emoção
Laudável por exaurir
A voz que grita ao partir
Recortes do coração
Recebi beijos do vento
Pedaços de um triste adeus
Sopro de efêmero alento
A atiçar meu pensamento
Perdido nos beijos teus

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Trova

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Tatuados na memória
Martelados como o prego
Relatam a minha história
Os estigmas que carrego
Haicai

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Há muito contidas…
Na alma nascem as angústias
Sempre reprimidas

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Por LILIAN BARBOSA
