POETAS E POETISAS – Manifesto Labverso por Pietro Costa

POETAS E POETISAS – Manifesto Labverso por Pietro Costa

Poesia não é ornamento sonoro,

não é só rima que se encaixa

ou metáfora que se exibe.

Não nos interessa

o adjetivo que enfeita.

Preferimos o verbo

que move a mobília do mundo.

 

Não nos serve a explicação polida.

Desejamos a tensão elétrica

entre duas palavras

que quase se tocam

e faíscam.

 

Aqui, ideia não desfila conceito:

vira corpo, gesto sem jeito,

cena atravessando a sala.

 

O cérebro entra em combustão lúcida,

sinapses suadas,

o pensamento com odor de ferrugem

e perfume de madrugada.

 

O afeto não é abstração domesticada:

é carne viva sobre a mesa,

é pulso visível,

é cicatriz que ainda conversa com o dedo.

 

Troca-se o adjetivo pela ação.

Troca-se a tese pela imagem.

Troca-se o conforto da explicação

pela vertigem da pergunta.

 

O poema não descreve o incêndio:

ele queima.

Não fala da chuva,

mas molha o leitor.

Não teoriza o abismo;

abre-o sob os pés.

 

Texto com textura:

áspero como parede antiga,

úmido como orvalho

nas xícaras da madrugada,

denso como sentença

que não cabe no papel.

 

LabVerso não escreve

para decorar a estante.

Escreve para deslocar o eixo.

 

Por PIETRO COSTA

Brasília – Distrito Federal, Brasil

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