“O meio é a mensagem.”
– Marshall McLuhan
Ao iniciar este artigo, vem-me à mente o fascínio que senti, ainda adolescente, diante de um telex, lá na década de 90. Aquela forma diferenciada de diálogo reduzido me encantava. Naquele momento, eu era estagiária em um banco e ficava responsável, ao final do expediente, por transmitir a movimentação do dia. Sem entender muito bem como acontecia aquela transmissão de dados, eu cumpria a missão direitinho.

Imagem – Telex, por Wikipedia
Diante daquela máquina, eu me sentia conectada e detentora da tecnologia, e até ensinava os mais velhos a como se tornar conectados. Ali, conversávamos com frases resumidas e, para obter sons, tínhamos que fazer uma ligação telefônica. Era o inicio de uma evolução que faz revolução diariamente. E não há como não citar a busca do homem, desde sempre, por meios de superar as distâncias e estabelecer interações entre diversos grupos ao longo de sua história, o que resultou na criação de diferentes formas de comunicação, capazes de levar mensagens cada vez mais longe, seja por meio de sinais sonoros, visuais ou escritos.
Essa é uma jornada fascinante que mostra como a pressa e o custo sempre ditaram a maneira como nos comunicamos. A história da “compressão da palavra”, da transformação da linguagem escrita em um formato mais rápido, abreviado e visual, é, na verdade, a história da tecnologia moldando nossa linguagem para torná-la mais ágil, barata, acessível e direta.
Diante da necessidade de obter informações na velocidade dos acontecimentos, a comunicação entre comunidades, por meio de cartas, deixou de ser suficientemente satisfatória. Os meios e as formas de comunicação já precisavam se adaptar às mudanças, com um sistema mais veloz, mais eficaz e praticamente instantâneo.
Surgiu, então, o telégrafo, com a intenção de tornar mais rápida a troca de informações entre locais distantes dos grandes centros, onde tudo acontecia. No entanto, o que seus inventores não imaginavam era que sua descoberta aceleraria ainda mais o ritmo com que as informações seriam transmitidas às diversas comunidades, em diferentes lugares, mudando de forma definitiva toda a história da comunicação entre os homens.

Imagem de Tegawi por Pixabay
É interessante observar que a história da invenção do telégrafo ocorreu em diferentes momentos, em locais distintos e com personagens diversos. Dois deles, porém, obtiveram maior êxito do que os demais. O primeiro foi o francês Claude Chappe, inventor do primeiro telégrafo não elétrico, criado em 1791. Forçado a viver longe dos grandes centros, o inventor viu-se totalmente carente de informações sobre o que acontecia na capital e decidiu procurar uma maneira de obtê-las com maior rapidez do que as cartas poderiam oferecer.

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Foi então que Chappe criou um método em que as informações eram inseridas em placas instaladas em diversos postes, que podiam ser vistas à distância. O operador mais próximo, então, propagava a informação conforme a placa anterior indicava. Ávido por informações, Chappe conseguiu instalar sua primeira linha de telégrafos em 1793, entre as cidades de Ménilmontant e Saint-Martin-du-Tertre, dois municípios separados por mais de 26 km de distância.
Novamente, percebe-se que a necessidade de ultrapassar as barreiras da comunicação levou o homem a descobrir novas formas de interação entre as sociedades. Infelizmente, a invenção de Chappe era extremamente frágil e não resistia ao tempo. Mais uma vez, o homem viu-se obrigado a procurar meios de se comunicar de forma mais eficiente e igualmente rápida.

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Diversos anos e inventores depois, a telegrafia elétrica, como a conhecemos, começou a surgir. Após anos de estudos e pesquisas, Samuel Finley Breese Morse finalmente criou seu primeiro protótipo de telégrafo em 1837. Morse levou mais seis anos para desenvolver um código de sinais realmente funcional — o Código Morse — e obter recursos financeiros para que a primeira linha telegráfica fosse concluída. Somente em 1844 surgiu a primeira linha de telégrafos ligando Baltimore a Washington, D.C.
Após a invenção do telégrafo elétrico de Morse, surgiram diversas variações dessa tecnologia, cujo objetivo era atender ao crescente fluxo de informações que o homem ansiava conhecer.
A velocidade dos acontecimentos e o constante fluxo de informações continuavam a exigir meios mais rápidos de propagação. O telégrafo, apesar de ter sido uma grande descoberta em sua época, já não acompanhava a velocidade das informações. Era necessário algo mais instantâneo e eficaz.

Imagem de Hansbenn por Pixabay
Surgiram, então, diversas tecnologias derivadas, como a máquina Multiplex, que possibilitava o envio instantâneo de oito mensagens por um único fio; a máquina Variplex, que permitia que um único fio transportasse 72 transmissões ao mesmo tempo — 36 em cada sentido —; e, finalmente, o TELEX, que permitia aos assinantes discarem diretamente entre si. Toda a comunicação rápida a longa distância dependia do telégrafo.
No entanto, a verdade é que, durante cerca de 30 anos, o telégrafo tornou-se o maior meio de comunicação de todos os tempos e reinou absoluto até o surgimento de uma tecnologia rival que voltaria a transformar a comunicação: o telefone.

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Apesar de bem-sucedido, o telégrafo limitava-se ao envio e recebimento de uma mensagem por vez. A grande descoberta de transmitir sons através de um fio marcou o nascimento do telefone e, consequentemente, o declínio do telégrafo. O potencial de falar eletronicamente superou qualquer tentativa de comunicação por meio de pontos e traços.
A primeira central telefônica foi instalada em 1878. A partir desse momento, toda a concepção de rapidez das informações foi totalmente reavaliada. As mensagens passaram a ser mais instantaneas e a atingir uma maior quantidade de pessoas. Os fatos mundiais acontecem em uma velocidade impressionante. O homem, sempre estimulado a buscar informações mais rapidamente foi aperfeiçoando a tecnologia que começou anos atrás com o telégrafo.
Os telefones celulares surgem para que as pessoas possam ser localizadas em qualquer parte do mundo, a qualquer momento. Através da tecnologia do telefone surgem também a internet, que a principio se utiliza do cabeamento telefonico. Novamente as pessoas podem informar e serem informadas mais rapidamente do que nunca. O mundo das informações gira mais rápido e as necessidades em obte-las são maiores ainda. As exigências aumentam. Isso também é sinal de status: estar conectado simultaneamente com os fatos significa também sabedoria.
No entanto, a criatividade humana em derrubar barreiras que impossibilitam sua comunicação novamente surpreende. Atendendo a necessidade cada vez maior do homem em se comunicar e de se expressar, surge o miniblog O Twitter (hoje chamado X (formerly Twitter)), foi criado dentro da empresa Odeo, em São Francisco, nos Estados Unidos. A ideia inicial veio de um grupo de desenvolvedores, especialmente Jack Dorsey, que imaginou um serviço em que as pessoas pudessem compartilhar mensagens curtas e em tempo real, quase como “atualizações de status”.
No começo, o projeto era interno e experimental, chamado de twttr (sem vogais), inspirado no formato de mensagens curtas de SMS e na ideia de rapidez. A proposta era simples: permitir que alguém respondesse à pergunta “o que você está fazendo agora?” com textos muito curtos.
Em março de 2006, o primeiro protótipo foi desenvolvido, e em julho do mesmo ano a plataforma foi lançada ao público. Rapidamente, o serviço ganhou popularidade porque permitia uma comunicação instantânea, leve e acessível, diferente dos blogs e e-mails mais longos da época.

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Com o tempo, o Twitter cresceu muito além da ideia inicial, tornando-se uma das principais redes sociais do mundo, usada para notícias, debates e comunicação em tempo real. Em 2023, a plataforma passou por uma grande mudança de marca e passou a se chamar X, sob a liderança de Elon Musk.
A maior importância do X, na realidade, é a velocidade com que as informações são propagadas. O X deixa a mídia tradicional para trás no que diz respeito à velocidade com que a informação é transmitida. Muitos meios de comunicação tradicionais passaram a utilizar essa rede social para alimentar seus noticiários.
A comunicação não existe sem a sociedade, assim como a sociedade não existe sem a comunicação. A criação do telégrafo foi um marco na história dos meios de comunicação, pois possibilitou que mensagens curtas e rápidas chegassem ao destino com uma velocidade muito maior do que a das cartas comuns. A criação do X oferece essa mesma vantagem, agora no ambiente online. São duas grandes invenções que transformaram a forma como o mundo se comunica.

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Curiosamente, chegamos a um ponto em que a compressão máxima não usa mais palavras. Um emoji pode substituir frases inteiras de confirmação ou aprovação. Voltamos, de certa forma, aos hieróglifos, nos quais uma imagem carrega uma carga semântica imensa sem ocupar quase nenhum espaço.

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A palavra, que antes era uma “pintura” detalhada, tornou-se um “esboço” rápido. Hoje, não comprimimos apenas para economizar tempo, mas também para não perder o interesse de quem lê em meio a um fluxo infinito de rolagem.

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“Comunicação não é o que você fala, mas o que o outro compreende do que foi dito.” – Claudia Belucci

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Por BETÂNIA PEREIRA
