📰 O renascimento pela palavra: Tatiane Feitosa e o poder da contação de histórias
Publicado em 5 de maio de 2026 · por Fagner Lima
· Leitura estimada: 8 minutos
✍️ Sobre este artigo
Este perfil de Tatiane Feitosa, colunista Fagner Lima apresenta a trajetória de uma brinquedista hospitalar, contadora de histórias e pedagoga que tansformou narrativa em ferramenta de cura e aprendizagem. O recorte é memorialista e inspiracional: traçando desde memórias de infância (ouindo histórias do avó em uma casa de barro) até sua atuação contemporânea em hospitais, Fagner evidencia como a contação de histórias é ato de humanização. A coluna articula dimensão emocional (herança narrativa, memória afetiva) com impacto científico (redução de cortisol, aumento de oxitocina) e pedagógico (intencionalidade na promoção de literacia e habilidades socioemocionais).

IMAGEM GERADA POR IA “usando GROK.AI, sob a direção de Adriana Magalhães, Criada em 06/02/2026″
Tem histórias que nascem antes da gente. Que chegam no escuro da casa de taipa, à luz de candeeiro, na voz de um avô. Foi assim com Tatiane Feitosa. E foi ali, embalada pelas narrativas do avô, que a contação de histórias plantou raízes nela. Memória afetiva virou vocação. Sonho virou ofício.
Nesta edição de Maio e Junho, a coluna Contadores de Histórias celebra Tatiane Feitosa. Porque contar é resistir. É curar. É lembrar de onde viemos para saber aonde podemos chegar.
O Renascimento pela Palavra: com Tatiane Feitosa

Tatiane Feitosa é brinquedista hospitalar, contadora de histórias e pedagoga. Iniciou sua jornada na contação de histórias em 2021, realizando sua primeira formação pelo Projeto Conto Aqui, Conto Acolá – Funcultura/PE. Possui ainda formação pela Associação Viva e Deixe Viver – A arte de contar histórias e do brincar no âmbito da saúde e da educação – e pelo Instituto Federal do Rio Grande do Sul, no curso Palavra Brincada: infância, literatura e contação de histórias. Participou de importantes eventos literários e culturais em Pernambuco, incluindo Bienal do Livro, FLIPORTO, FLEPITI e festivais literários, além de atuar em hospitais levando arte, cuidado e humanização através das histórias.
A contação de histórias na vida de Tatiane Feitosa nasceu ainda na infância, no Povoado Salgado do Melão, Distrito de Macururé, na Bahia.

IMAGEM GERADA POR IA “usando GROK.AI, sob a direção de Adriana Magalhães, Criada em 06/02/2026″
Criada pelos avós maternos, em uma casa de taipa iluminada pela luz do candeeiro, foi ouvindo as narrativas do avô que o encantamento começou. Essas memórias afetivas tornaram-se sementes de um sonho que floresceria anos depois.
Sua estreia profissional aconteceu durante a XIV Bienal Internacional do Livro de Pernambuco, em 2023, com a história “O bicho folharal”, de Luís da Câmara Cascudo. Um momento marcante, desafiador e transformador, especialmente pela experiência de dialogar com diferentes públicos. Tatiane afirma que a contação foi um divisor de águas em sua formação pessoal e humana. A partir dela, passou a enxergar livros e públicos com um olhar multifocal, ampliando sua visão sobre educação e infâncias.
Concluiu formação em Docência e Gestão para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola pela UFSC, reforçando seu compromisso com uma educação que contemple todas as infâncias.
Na atuação hospitalar, a contação representa cuidado, acolhimento e humanização. As histórias tornam-se refúgio seguro para crianças internadas, auxiliando na redução do estresse e promovendo bem-estar emocional. Pesquisa realizada pelo IDOR e UFABC evidenciou impactos fisiológicos positivos, como redução do cortisol e aumento da ocitocina em crianças hospitalizadas.
Entre momentos marcantes, destaca a homenagem recebida em 2025: uma escultura criativa feita por uma criança com massinha de modelar. Para ela, sentimentos como gratidão e felicidade são constantes após cada oficina pedagógica.

Imagem de Tatiane Feitosa – arquivo pessoal
Como pedagoga, Tatiane defende que a contação precisa de intencionalidade pedagógica. As histórias promovem engajamento, ampliam vocabulário, desenvolvem ludicidade, fortalecem vínculos, estimulam leitura e escrita, além de aprimorar habilidades sociais e emocionais.
Seu conselho para quem deseja iniciar na arte de contar histórias é claro: atualização constante. Buscar formações acessíveis e aprofundar-se na prática é essencial para atuar com responsabilidade e sensibilidade.

Imagem de Tatiane Feitosa – arquivo pessoal
Entre seus sonhos, deseja fundar uma biblioteca com o nome do avô — o primeiro e maior contador de histórias de sua vida.
Para finalizar, Tatiane deixa uma mensagem poderosa: a exposição regular às histórias contribui significativamente para a saúde mental e emocional das crianças, fortalecendo vínculos afetivos, reduzindo a ansiedade e ampliando horizontes por meio da imaginação.
Por FAGNER LIMA
💬 Sobre este texto
O perfil de Tatiane Feitosa, traçado por Fagner Lima, é mais que biografia; é manifesto sobre o poder regenerador da narrativa. Ao tecer a história desde memória rural (avó, lamparina) até atualidade científica (redução de cortisol, aumento de oxitocina), Fagner demonstra que contação de histórias é práxis completa: simultaneamente arte ancestral, ferramenta terapêutica e pedagogia transformadora. Para a Revista The Bard, este texto reafirma que palavra não é luxo, mas necessidade existencial, especialmente em contextos de vulnerabilidade (hospitais). Tatiane Feitosa encarna a coluna “Contadores de Histórias” em sua radicalidade: uma mulher que herdou narrativa, a profissionalizou, e agora semeia encontros através da palavra.
❓ Perguntas frequentes sobre este artigo
- Qual é a importância da contação de histórias em ambientes hospitalares?
Em ambientes hospitalares, a contação não é apenas entretenimento, é medicina. Estudos demostram mudanças fisiológicas mensuráveis quando crianças escutam histórias contadas com intencionalidade: redução de cortisol (hormônio do estresse), aumento de oxitocina (hormônio do vínculo), diminuição da pressão arterial e frequência cardíaca acelerada. Tatiane, como brinquedista hospitalar, reconhece que “a narrativa, nesse contexto, é medicina. É o corpo inteiro se relaxando diante da palavra que cura.” O relato cita até homenagem recebida em 2025 pela contribuição à pedagogia narrativa e bem-estar emocional.
- Qual é a origem da paixão de Tatiane Feitosa pela contação de histórias?
A paixão de Tatiane nasceu na infância, em momento sagrado: sentada ao lado de seu avó em uma casa de barro, iluminada por lamparina a óleo, escutando contos que alimentavam sua imaginação. Fagner descreve aquele espaço como “encontro sagrado entre gerações, onde a palavra se tornava ponte entre mundos.” Essa memória afetiva, herança narrativa do avó, se tornou fundamento de toda sua prática profissional. De fato, Tatiane sonha em fundar uma biblioteca dedicada à memória daquele avó, fechando o ciclo: narrativa recebida, profissionalizada, e agora transformada em espaço comunitário de encontro.
- O que significa “intencionalidade pedagógica” na contação de histórias segundo Tatiane?
Para Tatiane, intencionalidade pedagógica significa que não é suficiente apenas narrar. É necessário: escolher histórias que promovam literacia, ampliem vocabulário, desenvolvam habilidades socioemocionais, e engajem o ouvinte em reflexão crítica. “Cada palavra é selecionada; cada pausa, estratégica; cada gesto, significativo.” Isso diferencia contação de mero entretenimento: é pedagogia estruturada onde toda escolha serve propósito de aprendizagem emocional, cognitiva e social. Sua formação em Docência e Gestão para Relações Étnico-Raciais aprofunda esse compromisso com inclusão e multiplicidade nas narrativas.
- Como Tatiane conselho sobre como começar a contar histórias?
Seu conselho é direto e valoriza autenticidade: escute histórias, leia muito, mas sobretudo, cultive a própria narrativa pessoal. Tatiane afirma: “Nossas histórias de vida são nossos melhores materiais de contação.” O texto enfatiza que “autenticidade é o que toca, é o que permanece.” Essa orientação sugere que contação não requer talento inato extraordinário, mas disposição de se deixar afetar pelas narrativas já existentes e depois transformá-las através da própria experiência vivida.
- Qual é a mensagem final que Tatiane deixa para leitoras e leitores?
Tatiane deixa mensagem poderosa que resume o que orienta toda sua prática: “Histórias são respiro. Histórias são cura. Histórias são a maneira como a gente se reconhece humano. Quando você conta uma história com o coração aberto, você está dizendo: você importa, sua vida importa, suas experiências importam. E é nesse lugar de importância que a gente floresce.” Esta afirmação reposiciona contação como ato fundamentalmente humanizador, onde cada ouvinte é validado em sua existência, precisamente o que Tatiane faz em hospitais, escolas, e espaços de comunidade.
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🔁 Convite ao leitor
O texto de Fagner Lima nos convida a reconhecer contação de histórias não como passatempo, mas como prática vital de humanização. Tatiane Feitosa exemplifica isso em sua trajetória: desde criança escutando avó, até mulher que cura crianças em hospitais através da narrativa. A Revista The Bard propõe: qual história você herdou e ainda não contou? Qual narrativa pessoal poderia trazer cura a alguém próximo? Leia outros textos sobre narrativa, memória e transformação social na Revista The Bard. Comente sua própria história de encontro com contação de histórias. Compartilhe este convite com educadores, cuidadores, e contadores de histórias que precisam saber que seu trabalho é medicina.
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