O homem foge à sombra que o consome,
mas traz nas mãos o rio que liberta;
entre prisão e morte ergue o nome
do verbo vivo em sua chama aberta.
Rouxinol e chave, em um só diadema,
sombra e clarão se unem no anel sagrado;
transborda a criação — fulgura o lema
do gesto imenso em sangue revelado.
Na aurora amarga a consciência nasce,
O fruto novo à dimensão se atreve;
real se rompe e o invisível enlace.
E o poeta, exilado, ainda escreve:
do ferro oculto, o fecho se desfaz,
mantendo o mundo aberto em sua paz.
Por RUTE ELLA
São Paulo – São Paulo, Brasil.
