Autoestima, ó chama sagrada que arde de dentro,
não emprestada dos olhos alheios como moeda frágil,
mas nascida no forno mais profundo da alma,
onde o fogo ninguém pode apagar nem acender.
Não te confundas com vaidade que se mira no espelho,
pois és tu quem olha para dentro e encontra beleza
mesmo onde o mundo vê apenas imperfeição,
mesmo onde a voz dos outros sussurra “não és suficiente”.
És rainha coroada não por mãos estranhas,
mas pela própria consciência do próprio valor,
cetro forjado nas cicatrizes que a vida deixou,
manto tecido com os fios de cada batalha travada.
Quem te possui não curva a espinha diante de ninguém,
mas também não se ergue sobre ombros alheios
conhece a própria altura sem precisar medir-se
pela régua defeituosa do julgamento exterior.
Há quem te busque nos aplausos dos outros,
como mendigo que faminto recorre a migalhas,
sem saber que és fonte que jorra do interior,
poço que nunca seca quando se bebe da própria essência.
Ó autoestima, que não nasces do que te disseram,
mas do que descobriste em silêncio sobre ti mesmo,
quando finalmente olhaste para tua própria ferida
e viste ali não defeito, mas medalha de guerra.
Ensinas que o amor-próprio não é luxo de fortes,
mas necessidade de quem deseja caminhar ereto
sob o peso das tempestades que a vida impõe,
sabendo que mesmo caído, merece levantar-se.
Que sejas bendita, ó coroa invisível,
que ninguém pode conceder nem arrancar,
que brota do solo sagrado da aceitação
e floresce mesmo nos desertos do desprezo alheio.
Por J.B WOLF
Brasília – Distrito Federal, Brasil

