Sentir e entender, caminhos da poesia
Você já leu algo aparentemente simples que ficou dentro de você por vários dias? Já assistiu a um filme com uma história forte e ficou revivendo, por semanas, as cenas mais marcantes, como se elas continuassem acontecendo em algum lugar na sua memória? Há algo de quase involuntário nesse movimento: o pensamento vai e volta, e com ele as emoções nos atravessam e vamos nos permitindo sentir. Assim é a poesia. Muitas vezes, ela é sentida antes de ser compreendida. Primeiro, ela nos toca. Só depois, inevitavelmente, se revela.

IMAGEM GERADA POR IA “usando GROK.AI, sob a direção de J.B Wolf, Criada em 08/04/2026″
A partir desta edição, queremos ampliar seu olhar sobre a poesia e apresentá-la à luz de novas perspectivas. A Coluna Poetas e Poetisas vai além de apresentar poemas. Ela visa profundar conceitos e trazer novas abordagens sobre a poesia no mundo e a partir dessa experiência singular, responder a perguntas que julgamos essenciais:
Afinal, o que é poesia? Em que ela se diferencia do poema?
Há palavras que não cabem no dicionário. E há textos que não cabem na explicação. Nem tudo que é escrito em versos é poesia. E nem toda poesia precisa de versos para existir. É preciso compreender. Essa é uma das primeiras confusões e também uma das mais bonitas quando nos aproximamos do universo poético.
A poesia é abstrata e não se limita à palavra escrita. Ela é a essência, a forma de sentir e perceber o mundo. Está no olhar contemplativo, na emoção que encontra voz no silêncio que ecoa na alma. A poesia está em tudo que vivemos, mas é preciso sensibilidade para sentir. Ela pode habitar em versos e gestos e ser vivida numa imagem, numa memória. Pode existir em músicas, pinturas ou na natureza, sem ser um poema. É, antes de tudo, uma experiência estética e sensível, que amplia a realidade e nos convida a entendê-la com mais profundidade.

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O poema, por sua vez, é o que se lê, a materialização dessa experiência. É o texto físico, a estrutura em versos e estrofes. É a poesia organizada em palavras, estruturada em versos, ritmos, imagens e silêncios. Se a poesia é essência, o poema é forma. Se a poesia é aquilo que sentimos, o poema é o corpo que tenta dar contorno a esse sentir.
Essa distinção, embora sutil, é fundamental. Nem todo poema alcança a poesia quando lhe falta intensidade, verdade ou pulsação. E, por outro lado, a poesia pode existir fora do poema, revelando-se em outras linguagens e manifestações artísticas, ou mesmo nos instantes mais simples da vida cotidiana.
Ao longo da história, diferentes correntes literárias buscaram compreender e definir a poesia, mas nenhuma conseguiu aprisioná-la por completo. Isso porque sua natureza é, justamente, a liberdade. A poesia escapa, transborda, reinventa-se. Ela não obedece apenas a regras, embora possa dialogar com elas, mas nasce, sobretudo, da necessidade humana de expressar emoções.
Na revista Poetas e Poetisas da The Bard, este espaço nasce com o propósito de aproximar o leitor dessa experiência viva. Mais do que apresentar textos, deseja-se cultivar encontros: entre palavras e sentimentos, entre autores e leitores, entre o mundo externo e aquilo que silenciosamente nos habita. Porque, no fim, compreender a poesia não é apenas saber defini-la. É permitir-se senti-la. Estamos convictos de que a poesia não explica o mundo, mas nos ensina a habitá-lo com mais profundidade.
Existe lugar no mundo onde a palavra deixa de ser apenas palavra e se torna travessia. É nesse lugar que nasce a poesia.

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A coluna Poetas e Poetisas surge como um convite sensível e, ao mesmo tempo, poderoso: um chamado para sentir. Porque antes de ser escrita, a poesia é pulsação, é emoção, é respiração funda, é aquilo que nos atravessa quando o silêncio incomoda e anseia por sair como palavras em versos.
Ela habita o intervalo entre o que somos e o que ainda não conseguimos dizer. A poesia nos devolve calma, um fôlego necessário para viver em um tempo onde tudo pede pressa, é uma pausa para o sentir, o calar e o falar através de uma escrita que amplia quem somos. Cada verso é um gesto de coragem. Cada poema, uma forma de permanecer humano.

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Nesta coluna, reunimos vozes que escrevem não apenas com tinta, mas com vivência. Poetas e poetisas que transformam dores em linguagem, alegrias em permanência, e instantes em eternidade. Aqui, não há uma única forma de sentir, há infinitas possibilidades.
Desejo que, ao percorrer cada poema, algo dentro de você desperte, não como resposta, mas como expansão. Que este espaço seja encontro e abrigo para você, cara/o leitora/o.
Abraços poéticos.

IMAGEM GERADA POR IA “usando SEAART.AI, sob a direção de Edna Lessa, Criada em 08/04/2026″
A POESIA EM MIM
A poesia em mim, silencia…
Inspiro, aprecio e sinto!
Sinto o que vejo
Vejo o que sinto.
O que é o olhar, senão a extensão de mim?
A poesia em mim, grita…
As palavras, expressão dos meus sentimentos
Se formam como ondas no mar
Já não posso calar…
O silêncio é necessário
As palavras também
Ambos, em seu tempo
E com sua medida
Ora o silêncio.
Ora a fala.
Ora o grito.
Mas por agora,
Genuinamente, a poesia.
Por EDNA LESSA
