
Filme: Dor e Glória
Eu assisti ao filme Dor e Glória de Pedro Almodóvar pela primeira vez no cinema. Foi em uma sala pequena, com apenas 30 pessoas. Fiquei apaixonada pela entrega dessa obra, que no meu ponto de vista é a mais íntima e confessional.
Dor e Glória é um mergulho, quase que literalmente, na memória, na criação artística e na fragilidade da vida. Na verdade, o filme funciona como uma autobiografia emocional do cineasta espanhol, Pedro Almodóvar.
Antonio Banderas foi a escolha quase óbvia do diretor, não só por ter uma atuação contida e profundamente sensível, mas também pela história desses dois ícones do cinema cult.
E qual é a história dessa obra mágica? O longa acompanha Salvador Mallo, um diretor de cinema em crise física e criativa. Entre dores crônicas, bloqueio artístico e reencontros com o passado, Salvador revisita a infância, a relação com a mãe e antigos amores, tudo isso com muita sensibilidade e com características que reconhece Almodóvar como um dos diretores mais emblemáticos do cinema.
E sim, Almodóvar constrói uma narrativa fragmentada, alternando presente e passado com fluidez, o que também é uma característica de montagem de roteiro do diretor. A infância do protagonista, vivida em uma caverna branca e luminosa no interior da Espanha, contrasta com o apartamento sofisticado e silencioso da fase adulta. A memória surge como refúgio, mas também como confronto, o tempo passa, a realidade muda e a vida segue fluindo com as nossas adaptações.
O roteiro evita grandes reviravoltas e aposta na introspecção. É um filme de silêncios, olhares e pequenas revelações. A dor física do personagem ecoa como metáfora da dor emocional, o que se mostra na dificuldade de continuar criando.
Dor e Glória mantém a assinatura estética de Almodóvar, o que eu acho sensacional! As cores são vibrantes, os cenários cuidadosamente compostos e uma direção de arte elegante.
A atuação de Banderas é o coração do filme. Premiado em Festival de Cannes como Melhor Ator, ele constrói um personagem frágil, mas nunca vitimizado. Sua interpretação é minimalista e profundamente humana.
Mais do que falar sobre dor, o longa fala sobre o impulso criativo. Como seguir produzindo quando o corpo e a alma parecem exaustos? Como transformar sofrimento em arte? Almodóvar responde com delicadeza: a criação nasce justamente da vulnerabilidade. Eu acredito muito nessa afirmação sobre a necessidade de construir quando pouco faz sentido.
Dor e Glória é um drama maduro, sensível e autobiográfico. Não é um filme de grandes acontecimentos, mas de grandes sentimentos. O filme emociona pela honestidade e pela forma como transforma memória em cinema.
Dor e Glória é inesquecível!

Por CLAUDIA FAGGI
