AS CORES DA SOCIEDADE – A Poesia na Literatura Oral do Brasil

AS CORES DA SOCIEDADE – A Poesia na Literatura Oral do Brasil

A literatura oral no Brasil é um pilar da identidade nacional, funcionando como um repositório de memórias e tradições que precedem e alimentam a literatura escrita. Mais do que simples contos, ela reflete a formação étnica e social do país, por meio da fala, do canto e do gesto. De forma ampla, o que foi dito acima, apresenta em termos gerais uma definição simples da literatura oral de um país.

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Amigos leitores, pouca ênfase muitas vezes, é dada ao tema da oralidade na literatura de um povo ou nação, e aqui neste espaço que tão generosamente me é concedido pela revista @the bard, trago com alegria e honra, um vislumbre da importância deste assunto.

Aproveito o espaço para dedicar aos queridos leitores, um especial agradecimento e respeito.

A amálgama de três raças fundadoras, dá origem a Literatura Oral Brasileira. Cada uma contribuindo com seus elementos específicos para a tradição oral.

Cito aqui, os três pilares desta intensa fusão:
– Matriz indígena: Com suas lendas da floresta, sua visão da origem do mundo e a relação com a natureza.
-Matriz Africana: Inseriu ritmos como o samba e o batuque, além da figura dos contadores de histórias e a mitologia dos orixás, preservando raízes, mesmo sob o regime de escravidão.
-Matriz europeia :Os portugueses trouxeram um vasto repertório do romanceiro popular, as novelas de cavalaria, contos de fadas, além das hagiografias (vida de santos) e orações.

 

Literatura Oral, A Memória de Quem Não Teve Acesso à Escrita

¨Todos sabiam contar histórias. Contavam à noite, bem devagar, com gestos de evocação e lindos desenhos mímicos com as mãos.

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Ia eu, ouvindo e aprendendo. Era o primeiro leite alimentar da minha literatura. Cantei, dancei, vivi como todos os outros meninos sertanejos do meu tempo e vizinhanças, sem saber de outro canto, outra dança, outra vida. Voltava carregado de folhetos de cantadores, centos de versos na memória, lembranças dos romances reeditados há tantos cem anos, vivos no espírito de milhões de homens e JAMAIS citados nas histórias registradoras das atividades literárias do Brasil¨.

 Luís da Câmara Cascudo, em seu livro ¨ Literatura Oral do Brasil¨, editora Global.

Antes mesmo de o Brasil ser o ¨Brasil¨ no papel, ele já era narrado em volta das fogueiras, em rituais indígenas e nos cantos de ninar trazidos pelos europeus e africanos.

A literatura oral é a memória de quem não teve acesso à escrita.

Classes populares e povos escravizados preservaram sua história e sua dignidade por meio da palavra falada, que também era um recurso usado para combater a opressão.

A literatura oral não pertence a um autor, e sim, a um povo que a conta e reconta.

Ela  representa movimento e ação, diferente da escrita que é estática.

A cultura de um povo é totalmente ligada a literatura oral que a representa, posto que  é viva.

A Poesia na Literatura Oral do Brasil

Segundo Luís da Câmara Cascudo, essa lietratura é a fonte perene da cultura, coexistindo com a literatura escrita, mas com vida própria, representando a alma de um povo.

A poesia oral no Brasil é marcada pelo fundo religioso ou social e pela sua musicalidade. Ela é uma manifestação viva que atravessa gerações. É constituída por  cantigas, parlendas, repentistas, cordéis e lendas. E como em outras expressões da oralidade na literatura, também a poesia é fruto da fusão de influências indígenas, portuguesas e africanas.

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Principais manifestações  poéticas orais no Brasil:
– Parlendas e quadrinhas: Versos rimados em jogos e brincadeiras infantis
– Cordel: Inicialmente cantadas ou contadas oralmente, são narrativas rimadas que posteriormente podem ser impressas em folhetos.
– Poesia religiosa e Autos: Peças como Bumba meu Boi e cantos de devoção.
– Cantigas e Cantares: Cantigas de roda, rondas infantis, canções populares, normalmente de origem portuguesa.
– Repente e Peleja: Baseada na rima e no ritmo, consiste em uma poesia improvisada onde os repentistas (poetas), duelam. Típica do nordeste brasileiro.

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Ao contrário da poesia escrita, a poesia oral permite alterações, o que a torna dinâmica.

Mantém vivas as tradições, visto que é passada de pais para filhos.

A poesia oral possui musicalidade, frequentemente cantada, unindo letra e melodia.

A poesia oral brasileira sobrevive porque é fácil de memorizar e gostosa de ouvir.

O poeta oral é o guardião dos nomes, da linhagem e dos acontecimentos da comunidade. Quando um poeta canta sobre um herói local ou sobre um fenômeno da natureza, ele está mantendo a chama da memória de um povo.

 

Poesia Oral, O Legado e a Resistência

A poesia oral, desde os cantos indígenas até os repentistas nordestinos, passando pelas rodas de samba e pelas batalhas de rap, funciona como veículo de resistência e guarda o legado de sabedoria e valor moral do nosso povo. Ela concede voz a todos, não dá privilégios apenas aos letrados, possibilita o acesso da cultura dando ênfase a memória coletiva. Funciona como movimento de resistência e expressão artística.

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É um meio de inclusão, posto que não é necessário que se saiba ler para usufruir da sua expressão, tanto como agente ativo nas composições, como espectador.

A poesia oral brasileira está na ¨boca do povo¨. A oralidade tem sido uma forma de preservar as histórias e afirmar identidades.

Caetano e Chico Buarque fizeram uso dessa cultura em algumas de suas composições. O que reafirma que a poesia oral está na ¨boca do povo¨ e o povo mantém acesa a chama das suas origens.

Nos centros urbanos, batalhas de rap e saraus de slam atualizam a tradiçaõ oral no Brasil. Trazem temas políticos e sociais, que por meio desta expressão artística, dão voz aos desejos de um povo redefinindo a sua afirmação cultural.

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A oralidade na literatura brasileira expande épocas e contextos por meio de suas reinvenções e procura nunca perder o vínculo com a coletividade.

Como deixar esquecida a ancestralidade cultural das nossas origens?

Há muito que expandir os nossos conhecimentos a este respeito e voltar o olhar as dinâmicas formas de expressão da oralidade na literatura brasileira, sobretudo na Poesia.

 

A Importância da Performance

Não há nada ¨engessado¨, na literatura oral. Ela se apresenta dinâmica, essa particularidade traz um diferencial encantador a este recurso literário.

Amigo leitor, quanto mais leio sobre este tema, mais fascinada me sinto. E, se este texto promover alguma curiosidade a respeito em seu coração, já me sinto vitoriosa.

A literatura oral se torna dependente de alguns fatores diferenciados

–  Dizedor/ Cantador: O corpo, a voz  e o ritmo dos intérpretes, são parte da obra
– Ouvinte: A reação do público pode alterar o rumo da história ou a intensidade da declamação.
– Memória: É uma literatura que se instala nas pessoas, mora no seu coração e não nas estantes.

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É a Poesia viva, intensidade e criatividade em movimento. Parte da cultura regional vivenciada e apreciada pelas diversas expressões artísticas.

Como seria maravilhoso se atividades neste sentido fossem mais valorizadas em nosso país. A arte, como eu sempre digo por aqui, tem o poder de salvar. A arte salva aquilo  que há de melhor em cada um de nós.

A Relação Com a Literatura Escrita

Muitos escritores, dos maiores do país, transportaram para o papel o ritmo da fala. Expressões regionais, estruturas das narrativas populares que criaram uma narrativa erudita, fato que  acabou homenageando a voz do povo.

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Um país é construído no dia a dia e a literatura oral é o ¨arquivo vivo¨do Brasil.

A literatura escrita registra a história oficial, a literatura oral guarda a memória e o sentimento do povo mantendo a chama do humor e da resiliência acesas, o fluxo é constante e essencial para o ¨aquecimento¨ da preservação da cultura do nosso povo.

Uma arte que se movimenta e transporta memórias de gerações.

Muito há que sermos gratos a essas vozes artísticas  oriundas das memórias ancestrais.

Cuidemos para que essas expressões artísticas sejam sempre lembradas e compartilhadas.

A literatura oral não é apenas um prelúdio para a literatura escrita, e sim, uma manifestação cultural que persiste através dos séculos.

 

Uma Breve Conclusão

Brilhantes escritores brasileiros utilizaram a arte da oralidade para transformá-la em alta literatura.

Como exemplos, Guimarães Rosa, Ariano Suassuna, Cora Coralina, Mário de Andrade, entre outros.

Essa transição entre a cultura oral e a escrita, possibilitou ao Brasil a obtenção de uma identidade literária. Os escritores passaram a ouvir a voz do povo, o ritmo da fala e a musicalidade inerente  que a nossa gente possui. E, ao invés de seguir os modelos europeus, começaram a ¨temperar¨ a nossa literatura com as nossas peculariedades, filosofia de vida e memórias culturais próprias.

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O Brasil se narra, antes de tudo pelo som. Frase forte que encontrei na Web e não esquecerei….

Muito daquilo que lemos passa, não esquecemos porém, os versos cantados, narrados e declamados. Eles tem o poder de permanecer na memória do coração de uma nação.

Agradecimentos

Meu carinho e minha gratidão ao CEO da revista  @TheBard, que promove magistralmente a arte e a cultura, da forma mais elevada e, ao mesmo tempo mais acessível que  conheço.

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Minha gratidão e especial carinho ao querido leitor que me acompanha por aqui, e nas mídias socias.

Grata sempre a equipe que proporciona o suporte necessário à revista.

¨ A gente quer passar um rio a nado, e passa;
mas vai dar é na outra banda, é num ponto muito mais embaixo,

Bem diverso do em que primeiro se pensou.
Viver nem não é muito perigoso?¨

(João Guimarães Rosa em Grades Sertões Veredas)

Bibliografia: Literatura Oral no Brasil (Luís da Câmara Cascudo)
editora Global

Web (Gemini, Google)

Por ELKE LUBITZ

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