POETAS E POETISAS – Castelos de areia sobre fundações de vento por J.B Wolf

POETAS E POETISAS – Castelos de areia sobre fundações de vento por J.B Wolf

Mentira, ó tecelã hábil de ilusões douradas,

que bordas véus de seda sobre podridão,

és tu quem ergue palácios deslumbrantes

sobre alicerces feitos de fumaça e vaidade.

 

Não trazes marcas de crueldade visível,

penetras sorrateira como veneno doce,

disfarçada em sorrisos mansos e palavras macias

que acariciam os ouvidos antes de envenenar a alma.

 

És arquiteta de mundos que não existem,

que levantas paraísos de cartão pintado

que deslumbram os olhos incautos

até que a primeira chuva da verdade os dissolva.

 

Cada mentira carrega em seu ventre

uma pequena morte da confiança,

um fio arrancado do tecido sagrado

que une os corações humanos.

 

E quanto mais te alimentas, mais cresces,

como hera parasitária que envolve o tronco

até sufocar a árvore que lhe deu sustento

e a faz cair sobre o solo que antes a nutria.

 

Ó mentira, que te vistes de verdade

com tal maestria que até duvidas de ti mesma,

esquecendo que toda máscara eventualmente adere à pele

e o rosto verdadeiro morre por baixo do disfarce.

 

Mas há uma verdade que não podes calar:

a luz do tempo tudo revela,

e o que foi construído sobre falsidade

jamais conhecerá a paz da autenticidade.

 

Que aprendamos a venerar a verdade nua,

mesmo quando ela fere como lâmina,

pois apenas na ferida honesta há cura,

enquanto na carícia da mentira há apenas putrefação.

 

Por J.B WOLF

Brasília – Distrito Federal, Brasil

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Acessar o conteúdo