Mentira, ó tecelã hábil de ilusões douradas,
que bordas véus de seda sobre podridão,
és tu quem ergue palácios deslumbrantes
sobre alicerces feitos de fumaça e vaidade.
Não trazes marcas de crueldade visível,
penetras sorrateira como veneno doce,
disfarçada em sorrisos mansos e palavras macias
que acariciam os ouvidos antes de envenenar a alma.
És arquiteta de mundos que não existem,
que levantas paraísos de cartão pintado
que deslumbram os olhos incautos
até que a primeira chuva da verdade os dissolva.
Cada mentira carrega em seu ventre
uma pequena morte da confiança,
um fio arrancado do tecido sagrado
que une os corações humanos.
E quanto mais te alimentas, mais cresces,
como hera parasitária que envolve o tronco
até sufocar a árvore que lhe deu sustento
e a faz cair sobre o solo que antes a nutria.
Ó mentira, que te vistes de verdade
com tal maestria que até duvidas de ti mesma,
esquecendo que toda máscara eventualmente adere à pele
e o rosto verdadeiro morre por baixo do disfarce.
Mas há uma verdade que não podes calar:
a luz do tempo tudo revela,
e o que foi construído sobre falsidade
jamais conhecerá a paz da autenticidade.
Que aprendamos a venerar a verdade nua,
mesmo quando ela fere como lâmina,
pois apenas na ferida honesta há cura,
enquanto na carícia da mentira há apenas putrefação.
Por J.B WOLF
Brasília – Distrito Federal, Brasil

