AUTOPOIESE E NARRATIVAS – Entre o mapa e o espelho: a criança que procura seu lugar

AUTOPOIESE E NARRATIVAS – Entre o mapa e o espelho: a criança que procura seu lugar

Agradecimento

Aos queridos leitores(as), meu agradecimento por seu olhar afetivo, aumentando minha alegria em poder criar essa narrativa autopoiética, na 39ª Edição da Revista Internacional The Bard com o tema escrito nesta coluna: Entre o mapa e o espelho: a criança que procura seu lugar.

Escrevi este artigo com o coração cheio de amorosidades, inspirando-me com abordagens que me põem um sorriso no rosto. Manifesto a minha honra por você estar comigo.

IMAGEM GERADA POR IA “usando GROK.AI, sob a direção de Tônia Lavínia, Criada em 04/08/2026″

 

Espero que estas narrativas reflexivas, teóricas e construtivas possam lhe nutrir de opções e direcionamentos para lidar com o desenvolvimento do autoconhecimento e descobertas em relação ao mundo social, emocional e cognitivo da criança na escola, família e sociedade.

Por fim, ficarei feliz se, ao final da leitura, você se sentir satisfeito, com a sensação de que valeu a pena reservar um pouco de seu tempo para estarmos juntos.  

Obrigada por sua presença e estímulo.

Boa leitura e grandes ideias!

 Stella Gaspar

 

Introdução

Esta coluna tem como objetivo revelar e desvelar o impacto afetivo das escolhas curriculares sobre o “sentimento de pertencimento na infância”.  A linguagem é poética, com metáforas referentes a mapa e espelho: o mapa como desenho de um país que nem sempre encaixa, o espelho como lugar onde a criança tenta caber no “nós” que aprende.

O texto pode descrever o momento de abrir o livro de história e ver rostos, roupas, cenários que parecem sempre distantes; a sensação de estranhamento ao ouvir que “nós” fizemos tal coisa, quando esse “nós” não inclui a cor da sua pele, o sotaque da sua família, o lugar onde mora.

A título introdutório, trago a divisão conceitual dessa abordagem e como ela se aplica na prática com as crianças.

O espelho representa a subjetividade, o autoconhecimento e a autodescoberta física e emocional. Quem sou eu?  As palavras podem parecer pequenas, mas a pergunta é uma das mais significativas da vida. Como seria de esperar, esse aspecto fundamental do ser humano começa a ser construído na infância.

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 O mapa simboliza a geografia afetiva, a socialização e a localização da criança no mundo. Nessa viagem, a qualidade das interações das crianças entre si e com os adultos, nas quais afeto e conhecimento se entrecruzam, é fundamental para o desenvolvimento.  

Walter Benjamin, no ensaio “A doutrina das semelhanças”, afirma que a faculdade mimética tem uma história, tanto no sentido filogenético quanto no ontogenético. No percurso do desenvolvimento da criança, na sua ontogênese, a faculdade mimética pode ser observada no jogo infantil. O jogo da criança é impregnado de comportamentos miméticos que não se limitam, de modo algum, à imitação de pessoas. A criança não apenas brinca de ser comerciante ou professor, mas também se transforma em moinho de vento ou em trem, cavalo ou gato. Ou seja, por meio da mimesis, imita o real, sendo verdadeiramente aquilo que sua imaginação deseja: pessoas, animais ou coisas. Atrás do cortinado, a própria criança transforma-se em algo ondulante e branco, converte-se em fantasma. A mesa de jantar, debaixo da qual ela se pôs de cócoras, a faz transformar-se em ídolo de madeira em um templo onde as pernas talhadas são as quatro colunas. E atrás de uma porta, ela própria é porta, incorporou-a como pesada máscara e, feita um sacerdote-mago, enfeitiçará todas as pessoas que entrarem desprevenidas (BENJAMIN, 2002, p. 107–108).

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É preciso observar o seguinte: ao retornar para si o olhar e as palavras, gestos, ações impregnadas de sentidos que o outro lhe transmite, a criança constrói a consciência de si a partir dos conteúdos sociais e afetivos que esse olhar lhe revela.

Construindo seu universo particular, dá outra significação ao cotidiano, incorporando às suas vivências uma mística que enfatiza sua sensibilidade pelo mundo dos objetos. Podemos enxergar a criança como um espelho, através do qual é possível revisitar nossa própria infância e, assim, perceber o quanto, como adultos, estamos atualmente distantes dela. O confronto das gerações é nítido. Na experiência da criança, não há limites rígidos entre imaginação e realidade; a forma peculiar como consegue lidar com o mundo objetivo nos permite uma compreensão mais profunda dos mecanismos que regem a atividade criadora.

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O Sentimento de Pertencimento

“Eu busco a mim mesmo.” Heráclito 

Para começar a construir um “eu”, quando bebê, a criança usa o que tem e o que recebe para a sua autopreservação. Esse momento da vida do bebê tem relação com o que Jean-Jacques Rousseau chamou de “amour de soi” (amor de si). Um sentimento natural e instintivo que leva o indivíduo a buscar seu próprio bem-estar, anterior à vida em sociedade. Ele está, apenas em seu mundo interno. O que Freud chamou de narcisismo primário.

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Com o tempo, a criança vai percebendo haver um mundo externo, então passa a reconhecer as transformações e começa a reconhecer que há um “outro”. Com essa percepção, começa a reconhecer e se interessar para além dela.

Por muitos momentos continuamos a nossa tecelagem, podemos mudar, e olharmos no espelho com olhos de encantamento. Cria-se um espaço interativo, onde possa experimentar um ambiente transformável por diferentes percepções provenientes de espaços preenchidos e vazios, luminosidade e sombras, movimentos, ritmos, estímulos sonoros, olfativos e gustativos, tendo o intuito de favorecer a aquisição de conhecimentos mais adequados sobre si mesmo e do meio em que vive (integração do esquema corporal, noções de espaço e tempo, consciência corporal, percepção etc.).

A importância da escola e família de proporcionar espaços nos quais diferentes linguagens expressivas sejam vivenciadas possibilita a integração corpo, mente e emoções, possibilitando construir sua forma de expressão de linguagem, dando sentido a si mesmo e a tudo que possa criar, ampliando a consciência sobre si, sobre o mundo e o outro.

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Em síntese, é preciso que a criança tenha olhos que se dedicam a sonhos que são dela. É o tempo das imaginações e fantasias, projetados no horizonte de tudo que ela ainda pode se tornar na canção da sua inteireza.

Assim, é possível aproveitar o período da infância como uma oportunidade para que a criança se perceba como sujeito orgânico no processo de construção do conhecimento, utilizando diversas linguagens como mediadoras na constituição do “ser”.

Diante do exposto, sugerimos a leitura do livro de Virgínia M. Axline intitulado “Dibs em busca de si mesmo”. Neste trabalho, o leitor poderá analisar os conflitos vividos por uma criança, rejeitada afetivamente por seus pais, na busca de uma identidade. Esta abordagem tem como subsídio os estudos de Freud, Erikson, Winnicott e Wallon. O livro “Dibs em busca de si mesmo”, de Virgínia M. Axline, relata a história de um menino no seu processo psicoterápico à procura de sua identidade. A organização da identidade é a etapa central proposta por Erikson na evolução do ciclo vital humano. É um momento de síntese, de transformação de identificações em identidade e de interação original com o mundo. Dibs era uma criança marcada por profundos traumatismos. Acreditavam que ele poderia possuir um déficit intelectual, psicótico ou autista. Enfim, eram muitas as possibilidades. Ele tinha cinco anos de idade, era uma criança solitária e agressiva.

De acordo com o que é narrado no livro (p. 19), Dibs “recusava até ficar com as costas contra a parede e colocava as mãos para cima, ‘prontas para arranhar’, prontas para lutar se alguém tentasse aproximar-se” e “ele parecia decidido a manter-se isolado das pessoas”. Para Erikson, essa tendência de se pôr à parte das pessoas e do mundo constitui uma tentativa de destruir não só suas características pessoais, porque insegura e perigosa, como as do outro, porque invasoras e ameaçadoras. Já a agressão, na concepção de Freud, é uma relação típica à frustração, podendo ser direta ou indireta.

Analisando essas e outras falas, nas quais a mãe de Dibs expõe os seus anseios e frustrações quanto a ele, compreendemos grande parte do comportamento dele. Sendo a mãe de extrema importância para o bebê, em todos os aspectos, Dibs não pôde contar com a sua, sofrendo assim inúmeras frustrações que impediram o seu pleno desenvolvimento. No entanto, o desenvolvimento da criança não depende exclusivamente da mãe. O vínculo paterno é de extrema importância para ele. E Dibs também não contou com o acompanhamento do pai em seu crescimento. Podemos comprovar isto nas seguintes falas (p. 238): “Eu não converso com papai”, “Eu sempre tinha medo de papai” e “Ele era sempre agressivo comigo”. (p.105) “Ele não ouvira a criança. Dibs tentou falar com ele, mas o pai cortou a conversa como se ela fosse uma tagarelice sem sentido. Os sentimentos paternos têm importante impacto no desenvolvimento da criança. Conflito no desempenho do papel paterno resultará em empecilhos para o desenvolvimento emocional dos filhos. O desenvolvimento do autoconceito infantil dependerá do que o ambiente social passa para a criança. Quando um rótulo lhe é dado, ela acaba, muitas vezes, comportando-se de acordo com aquele rótulo. É o caso de Dibs, que apresenta um desenvolvimento tardio por ser tratado como incapaz e dependente.

O período de latência é outro período no qual Dibs não obteve sucesso. Erikson acredita que a principal característica desse período é a formação do autoconceito. As relações socioafetivas na família, no grupo de iguais, são de extrema importância na construção da autoestima e do sentimento de identidade, que caracteriza o autoconceito.

Para Wallon, a emoção influencia o desenvolvimento cognitivo a partir das relações de afeto estabelecidas. Por isso, experiências negativas, frustrações e negligências gerarão, na criança, sentimento de inadequação e insegurança. Crianças mal-amadas, rejeitadas e inseguras apresentam comportamentos de apatia, alheamento, deficiência motora e intelectual.

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Ao findar essa parte textual, podemos observar a importância das vivências iniciais da criança, sendo fundamental um ambiente familiar estruturado, que lhe possibilite desfrutar tanto a figura materna, principalmente nos momentos iniciais, quanto à paterna ao decorrer do seu desenvolvimento.

Nesse momento, também destacamos ser vital que aspectos morais sejam abordados sem moralismos ou racionalizações e para que o sentimento de pertencimento permita à criança usufruir mais profundamente do ambiente escolar.

A experiência propiciada no início da vida será crucial para o desenvolvimento psíquico e o funcionamento intelectual, condições para o enraizamento na cultura e o desenvolvimento do sentimento de pertencimento na escola.

 

Mas o que é o sentimento de pertencimento?

O pertencimento supõe também participação, o que inclui ter lugar e voz nos processos de escolha. Estar rodeado de pessoas não garante o sentimento de pertencimento a um determinado indivíduo, que pode estar a todo momento ao lado e convivendo com seus semelhantes, mas não se identificar com nenhum grupo ou nunca se sentir realmente parte de algum lugar. Isso porque pertencer tem a ver com se sentir acolhido e entendido, no encontro com o self, ao mergulhar em si. 

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Quando a criança se inclui no nós

Buscamos espaços que fortaleçam e ampliem os conhecimentos já existentes, promovendo o autoconhecimento e instigando novas descobertas. Nosso objetivo como educadores deve ser o de transgredir os conteúdos disciplinares instituídos nos currículos escolares, tecendo saberes que se movimentam na complexidade do contexto educacional. Muitas vezes, esses saberes são limitados e silenciados, frutos de concepções acríticas e a-históricas sobre o mundo e o ser humano.

É vital para que aspectos morais sejam abordados sem moralismos ou racionalizações para que o sentimento de pertencimento permita à criança usufruir mais profundamente do ambiente escolar.

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A criança podada de suas raízes mais profundas, arquetípicas, que vivem em um meio ambiente, seja familiar ou escolar, repressor, é uma criança com mínimas condições de desenvolvimento emocional, social, cognitivo saudável.

Quando uma criança diz “minha escola” em vez de simplesmente “a escola”, algo significativo está acontecendo. Essa pequena mudança na linguagem revela um sentimento poderoso que pode transformar completamente a experiência educacional: o pertencimento escolar.

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Cada pessoa é um ser individual e único que vai se formando a partir dos relacionamentos com outras pessoas e, por meio destas vivências, aprende e experimenta as diferentes possibilidades de conhecer a vida. A criança que, desde muito pequena, é valorizada pelos seus pais, amigos e professores carrega consigo um grande amor pela vida, não se sente rejeitada, é afetuosa e faz com que todos gostem de estar ao seu lado, vai passando cada etapa de seu crescimento físico e intelectual de uma forma tranquila.

Mas o que significa pertencer a um ambiente escolar?

O ambiente físico e emocional da escola comunica diariamente se as crianças são bem-vindas e valorizadas.  Transformar a “sala de aula” em uma comunidade onde todos participam ativamente, contribuem com suas ideias e se sentem valorizados é fundamental.

Nesse cenário, educadores e educandos vivem em um intenso laboratório social, pois, todo esse questionamento perpassa pela sala de aula, as mudanças são vivenciadas com intensidades diferentes e precisam ser trabalhadas dentro de cada realidade e cada grupo. Nesse movimento dialético na escola, implica ações para desenvolver estruturas mentais que garantam a possibilidade da criança pensar por si.

Cada vez mais, a mobilização interna da sala de aula necessita corresponder às mudanças socioculturais, para que o jeito de falar da escola não seja incoerente e contraditório com aquilo que ocorre fora de seus muros nem cristalize o abismo entre a realidade cotidiana e seus conteúdos.

Como seres humanos, e ontologicamente sociais, a criança escreve a sua história só e exclusivamente com a participação dos outros e da apropriação do patrimônio cultural da humanidade. Histórias que foram internalizadas no dia a dia da própria escola, nas interações com os amigos e professores.

Nos tempos atuais, essa escola precisa de clareza, ousadias, buscas e encontros. Os educadores deixam de ser o centro de todo conhecimento para lidar com o conhecimento mutante que transforma todos, em um espaço de convivência em sintonia perfeita para a aprendizagem.

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Um currículo de vida e realidade

Pensar o cenário pedagógico, as transformações necessárias à Educação, os valores, experiências e subjetividades que pretendemos construir, convida-nos a tomar o Currículo Escolar enquanto objeto de reflexão.

Como pensar outras possibilidades de construção de Currículos Escolares? Currículos que abranjam a vida em sua concretude e seus atores em suas singularidades?

Para romper com a ideia de um documento acabado que deve ser seguido, entendemos a palavra “currículo” enquanto um texto amplo e flexível, pois se refere a tudo que se escreve sobre os elementos da prática pedagógica, bem como a tudo o que se faz para desenvolvê-los nas escolas e nas salas de aula, incluindo, pois, tanto as intenções relativas ao processo pedagógico como as vivências que o materializam (FAVERO, 1991). Dessa forma, o currículo precisa ser pensado como uma ferramenta pedagógica capaz de atuar na formação integral das crianças aprendentes num projeto de educação que as desenvolva cognitiva, afetiva e psicologicamente, que proporcione conviver em meio às diferenças e às constantes transformações sociais de um mundo pós-moderno.

 

Espelhos e mapas: a criança em uma viagem de si

Os estudiosos da psique humana se deparam com os intricados caminhos para chegarem ao cerne do ser humano. Para isso, os “mapas” mostram valiosos trajetos cheios de buscas. Um dia, a criança descobre nesta viagem que não há diferença entre o “EU” e o “NÃO-EU”, tratando a todos como uma extensão de si mesma, ampliando a percepção do mundo.

A forma como percebe o mundo é o fundamento da própria identidade do SER, o território único e exclusivo. A concepção de observar o “mapa” converge nas experiências vivenciadas em cada ciclo das etapas da vida, em um processo dinâmico, mutável e passível de aprimoramento de acordo com aquilo que de alguma forma faz sentido. 

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Como consequência, vários aspectos são beneficiados, como a aprendizagem, o humor, a compreensão de conteúdos, as interações, o autoconhecimento, a autoestima, criatividade, dentre outros.

A forma como a criança vê o mapa do mundo, é baseada nas emoções vivenciadas a partir das informações recebidas pelos sentidos, sendo o alicerce que alimenta as representações internas, o combustível indispensável para o cérebro poder interpretar e gerar raciocínios mais elevados, que determinam as aptidões de acordo com as crenças e valores conceituados na introspecção.  As vivências são apenas possibilidades a partir das suas experiências, daquilo que faz parte do conteúdo formado ao longo da sua vida; permitindo identificar em si mesmo as capacidades e limites.

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A formação do próprio mapa começa antes mesmo da compreensão do mundo, quando criança, é a base da formação, concepção da consciência do que está ao seu redor, do que há nele; aqui surge a essência do “EU”, arquitetando o alicerce da escultura desta obra, moldando o mármore no sentido do que ele representara. 

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De alguma forma, este contato com o mundo inicia-se antes mesmo do nascimento, no ventre materno, com as primeiras sensações de segurança.

“O Espelho” (do latim speculum) é uma superfície que reflete um raio luminoso em uma direção única definida.

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Olhar para o espelho é o primeiro passo para aceitar ou transformar a própria imagem interna. Esse objeto é considerado pelos Referenciais Curriculares Nacionais, um dos materiais obrigatórios nas instituições de educação infantil.

Os espelhos são mágicos, inspiradores e reveladores. Portanto, ele deveria estar presente em todas as salas de aula. Percebe-se que o ambiente considerado ideal para atender às necessidades da criança deve garantir oportunidades de expressão a partir de variados recursos, onde as mesmas podem se expressar e agir com autonomia. Nesse sentido, o espelho, por exemplo, é um instrumento que influencia gestos e comportamentos das crianças, proporcionando momentos de descobertas a partir de seus próprios sentimentos e expressões e, também, oferece ao professor diversas possibilidades de intervenção. O espelho proporciona à criança a possibilidade de “familiarizar-se com a imagem do próprio corpo, conhecendo progressivamente seus limites, sua unidade e as sensações que ele produz” (BRASIL, 1998, p. 28). E é, também, por meio do espelho que a criança pode assumir outros papéis, tornando-o um recurso importante para estimular a imaginação, aflorar seus desejos, entre outros.

 

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Considerações Finais

“Ser feliz” significa tomar consciência de si mesmo sem susto. (Walter Benjamin)

De acordo com o educador Paulo Freire, na antiga escola nós ditávamos ideias, discursávamos aulas: esse tempo acabou. Agora pesquisamos juntos, criamos dando oportunidade para o amadurecimento, crescimento emocional, intelectual e a prazerosidade de aprender na educação infantil.

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Resta desejar que tenhamos uma produção de conhecimento que impulsione a criança a ser protagonista da sua história e não um mero receptor.

Despedimo-nos com um grande abraço.

Que possamos seguir adiante com coragem e esperança renovada.

Colunista Stella Gaspar

 

REFERÊNCIAS

BENJAMIN, Walter. Reflexões sobre a criança, o brinquedo e a educação. São Paulo: Editora 34, 2002.

AXLINE, Virgínia M. Dibs em busca de si mesmo; traduzido por Célia Soares Linhares — 19. Ed. Rio de Janeiro: Agir, 1995. 290p

FÁVERO, L. L. Coesão e coerência textuais. São Paulo: Ática, 1991.

 

Por STELLA GASPAR

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