
Mestra Lainha
Psicopedagoga e Xilógrafa
VOU ME CASAR COM A SENHORITA JANELA: A Escritora, a Diversidade e o Mundo
Autora: Mestra Lainha
Vou contar caso estranho
Que o povo vai falar
Eu, mulher, já decidi
Com a janela me casar
Pois vi verdade nela
Mais que em qualquer altar
Não foi loucura vazia
Nem amor sem razão
Foi forma de ver o mundo
Sem pedir permissão
Janela aberta mostra
Amplia a visão
Porta fecha com o peso
Com comando e poder
Janela não impõe nada
Só deixa o mundo ser
Sem mandar nem cobrar vida
Nem valor a receber

IMAGEM GERADA POR IA “usando MAGNIFIC.AI, sob a direção de Adriana Magalhães, Criada em 03/06/2026″
Escrevi na madrugada
Com café e solidão
E vi dentro da janela
Outra forma de visão
Mundo passa na minha frente
Sem qualquer explicação
Vento entra sem pedir
Bagunça o pensar
Mas também leva o peso
Que vinha me aprisionar
E ensina que o caos vira
Novo modo de andar
Porta diz “não entra não”
Com sua voz de ferro
Janela diz bem baixinho
“Veja o mundo mais aberto”
E o impossível se torna
Caminho mais certo
Entendi nesse momento
Viver sem liberdade
É ficar preso em muros
Sem ar de verdade
Janela me ensina o mundo
Com mais claridade
Vi pessoas na janela
Caminhando sem sentir
Tristes, felizes, perdidos
Todos tentando existir
E cada cena da vida
Vira verso em mim

IMAGEM GERADA POR IA “usando SEAART.AI, sob a direção de Adriana Magalhães, Criada em 03/06/2026″
Janela não julga nada
Nem cobra condução
Só observa o que passa
Com silêncio e atenção
E por isso eu me entrego
A essa relação
Disseram “isso é loucura
Não se casa com janela”
Mas eu disse minha vida
Precisa ser mais singela
Que a porta só me fecha
E me prende dentro dela
Porta fecha com cadeia
Com regra e limitação
Janela sempre insiste
Rompe a opressão
E me mostra que liberdade
Nasce da observação
Escrevo e a janela
Me responde em cor e luz
Transforma dor em paisagem
E o silêncio me conduz
E o que sinto vira verso
Que a minha alma produz
Quando a vida fecha o mundo
E o destino diz não vai
Janela mostra pequenas
Frestas onde a esperança sai
E o impossível se abre
Sem perguntar de onde vai
Entendi com essa vida
Que casar não é ilusão
É ver o mundo sem portas
Com livre percepção
E escrever com o mundo
Dentro da criação
Quem escreve precisa
De outro horizonte largo
Não vive só de linhas
Nem de chão tão amargo
Janela me dá caminho
Sem qualquer pesado encargo
Vejo gente na rua
Cada um com seu sofrer
Uns correm atrás do tempo
Outros param pra viver
E tudo vira matéria
Que a minha alma vai ler
Janela não me promete
Nem futuro ou amor
Mas me ensina que o mundo
Tem caminho multicor
E até na chuva que cai
Nasce verso interior
Se a porta fecha o mundo
E o destino diz fim
Janela mostra outra fresta
Que nasce dentro de mim
E o fechado vira verso
Que não termina assim
Casar com a senhorita
Janela é libertar
É deixar o mundo entrar
Sem ninguém me limitar
E escrever com o vento
Sem nunca parar
Não é papel nem cadeia
Nem aliança de mão
É compromisso com vida
Com o mundo e o chão
Onde cada experiência
Vira minha razão
Me entrego à janela
Sem temor do que vir
Pois ela nunca se fecha
Nem deixa de existir
E até no vazio grande
Me ensina a ressurgir
Se alguém não entende isso
Deixo o vento explicar
Abro a minha janela
Deixo o mundo falar
Pois quem vê além da porta
Sabe finalmente andar
Tudo encaixa no tempo
Na visão que construí
Casar com a senhorita
Janela me faz assim
Aberta pro infinito
Que vive dentro de mim
E encerro essa história
Com verdade e expressão
Quem se casa com janela
Nunca vive em prisão
Vive onde o fechado abre
Por MESTRA LAINHA

