PRIMAVERIL
Despetala- se em fibra primaveril
o lápis que rabisca o papel
e os vocábulos em carpelos
no vago ponto esmera flor
lanço-me sem medo
no mundo do outro
em alguma estação sem cor
a refrear o estigma da dor
e na poesia abro a janela
do recôndito escuro
clareando o jardim
de algum tempo futuro
no momento catártico da criação
nas ricas rimas coloridas
no estrume das estrofes,
eu vou plantando flores em feridas.

Por RILNETE MELO



