FLORESCENDO EM PENSAMENTOS – Uma conversa com a menina que ainda mora em mim

FLORESCENDO EM PENSAMENTOS – Uma conversa com a menina que ainda mora em mim

Engraçado como eu ainda procuro por você sem encontrá-la nos vãos da história. Sempre aparece nas memórias que o tempo não apagou. Nunca nos espaços, sempre no todo.

E já que te encontrei de novo, hoje quero conversar. Falar de nós: como aprendemos a enfrentar as dificuldades, como driblamos as decepções, como as responsabilidades chegaram, como os sonhos cederam lugar à realidades difíceis de entender. Mas falemos de períodos bons e chegar à escola foi um deles. A imaginação sempre passeou pelas salas de aula entre tabuadas, versos e experiências com insetos. O terreno novo abriu um mundo de descobertas a uma menina de 6 anos. Aprendi a dividir o lanche, a esperar a vez de falar, a respeitar as diferenças… e eram tantas…, a cantar o Hino Nacional sem entender tantas palavras, a viajar nas histórias folclóricas, a entoar cantigas populares, enfim, a viver como criança-aluna. As professoras eram deusas olímpicas que chegavam em fuscas coloridos sorrindo e oferecendo sacolas para segurarmos, era uma disputa entre a criançada. Elas estavam sempre bem vestidas e perfumadas exibindo sorrisos e andando de salto alto.

IMAGEM GERADA POR IA “usando SEAART.AI, sob a direção de Adriana Magalhães, Criada em 05/08/2026″

 

Que impacto causavam… creio que elas nem se davam conta disso, mas eram as favoritas das salas que coordenavam. Amadas por todos os alunos.

Os anos iniciais transcorreram depressa. Estudar era prazeroso quando os professores eram compromissados e a escola pública era de primeira qualidade.

Chegou o tal “ginásio”. Quatro anos de um novo ciclo. Nem de longe, imaginava que conheceria uma professora que me inspiraria profundamente. A professora Sheila de Língua Portuguesa. Com ela conheci poetas e escritores brasileiros e mundiais. Encantei-me com Shakespeare, viajei com Júlio Verne, fiquei apaixonada por José de Alencar e reconheci os sarcasmos de Machado de Assis. Ela sempre levava livros para os alunos lerem. Assim que a tarefa estava finalizada, era permitido pegar um livro para leitura. Era o momento mágico da aula. Ali nascia a leitora voraz que me tornei. Os livros sempre foram companheiros e nunca abri mão de tê-los por perto. Até hoje.

Mais um novo ciclo veio e depois a primeira faculdade. Letras, é claro!

IMAGEM GERADA POR IA “usando SEAART.AI, sob a direção de Adriana Magalhães, Criada em 05/08/2026″

 

A Educação moldou meus ideais e lá fui eu para as salas de aula sempre tentando me espelhar naquela mestra que tanto tocara meu coração.

Sabe, estou adorando nossa conversa hoje. Fazia tempo que não remexia nesse baú de lembranças tão especiais, mas falar dessa fase da minha vida, me deixa feliz. Obrigada por escutar com atenção, querida.

Estive por mais de trinta anos envolvida com a Educação e a querida professora Sheila sempre esteve comigo. Foi modelo que procurei seguir o mais fielmente que pude.

Veja você, como a escola nos lapida. Para mim, foi palco de amizades que mantenho até hoje, de lembranças deliciosas e de vivências que me tornaram a pessoa que sou hoje. Se fechar  os olhos e ficar em silêncio, consigo ver cenas divertidas, apresentações e coral, namoros inocentes, brincadeiras, confissões, avaliações assustadoras, chamada oral… enfim nem tudo era só alegria e festa, mas estar na escola pública num período em que ela era disputada, foi e sempre será motivo de orgulho para mim e para você também, não é mesmo?

A escola me alfabetizou na palavra, mas a infância simples e vivida cercada de boas pessoas, me tornou a mulher que sou. Cresci, mas a escola nunca saiu dos meus caminhos.

Por escolha.

Quis ser aquela que ensinava e aprendia. Muitos alunos tornaram-se amigos. O sentimento de pertencimento a essa área sempre foi real em mim.

IMAGEM GERADA POR IA “usando SEAART.AI, sob a direção de Adriana Magalhães, Criada em 05/08/2026″

 

É por tudo isso que sempre volto para falarmos mais um tantinho desse tempo tão bom.

Você me ensinou a ter garra e a nunca desistir. Os desafios sempre foram escritos em vermelho; entretanto, o certo e o errado em cada página do caderno foram incentivo para melhorar. Sou resiliente, mesmo em tempos onde a pressa limita a imaginação e o encantamento cede lugar à rotina, gosto de viajar nos detalhes e na escrita.

Talvez seja por isso que ainda volto até você.

Gosto de lembrar que a sensibilidade ainda me move e faz brotar lágrimas bobas em mim e gosto mais ainda porque sei que você não me julga. Está sempre pronta para me ouvir.

IMAGEM GERADA POR IA “usando SEAART.AI, sob a direção de Adriana Magalhães, Criada em 05/08/2026″

 

Obrigada por nunca deixar morrer a vontade de aprender. Sempre gostei do ato silencioso de mergulhar nos livros. Estudar é algo que me fascina. A curiosidade com o novo, às vezes, me assusta. Hoje tudo é muito digital, rápido demais. Sou lenta nesse quesito, ainda. Esforço-me, porém, para desvendar essas tecnologias modernas e quando consigo progredir, você festeja comigo e me incentiva a continuar.

Obrigada por mostrar que os livros tinham cheiro de aventura, (O hábito de cheirar livros chama-se bibliosmia e acontece devido à química do papel e à ativação da memória afetiva no cérebro)  que os cadernos eram mundo em branco esperando minha escrita e que a escola era um lugar onde o futuro começava a ser desenhado com lápis e mãos pequenas.

IMAGEM GERADA POR IA “usando SEAART.AI, sob a direção de Adriana Magalhães, Criada em 05/08/2026″

 

Obrigada por acreditar em mim. Muitas vezes nem eu mesma acreditei. Fase complicada. Juventude enxuta demais.

Por isso continuo procurando você: toda vez que a encontro, e sempre isso acontece, é claro, lembro quem somos.

E talvez seja essa a maior lição que aprendemos juntas: o respeito por tudo que vivemos e por quem nos tornamos.

Somos, sem sombra de dúvida, amigas-parceiras-confidentes e como tal hoje preciso revelar um segredo há muito guardado. Sinto-me um pouco mal por isso, porém já que estamos em conversa íntima, sinto-me impelida a lhe contar que houve um tempo em que não queria ter você por perto. Era uma mistura de revolta, tristeza, incompreensão, melancolia, falta de horizonte, desânimo… na verdade, queria que você sumisse para bem longe. Estava de mal com o mundo e comigo mesma culpando você pelas falhas do percurso.

O sentimento de coitada que eu sentia era quentinho como um cobertor felpudo. Gostava de me enrolar nele e ficar vendo a tevê global.

IMAGEM GERADA POR IA “usando SEAART.AI, sob a direção de Adriana Magalhães, Criada em 05/08/2026″

 

Pobrezinha… você ficou tão encolhida em si mesma que demorou um tempão para te reencontrar aqui dentro. O tempo, senhor da vida, porém, se encarregou de me lapidar. Eu voltei ao eixo e a vida voltou aos trilhos. Assim, fiz as pazes comigo e sorri para você te vendo em mim de novo.

Nossa história se fortaleceu nesse tempo e as mazelas ficaram no passado. A roda gigante move girando os dias e tudo vai se ajustando. Nem sempre da forma que desejamos, mas da maneira que seja melhor para o todo. Assim aprendi.

Virar adulto é isso: enfrentar o mundo e seguir em frente apesar de.

Obrigada por ter paciência comigo e por pegar na minha mão com carinho todas as vezes que foi preciso.

Talvez seja por isso que hoje eu a procure com tanta frequência.

IMAGEM GERADA POR IA “usando SEAART.AI, sob a direção de Adriana Magalhães, Criada em 05/08/2026″

 

Não apenas para reviver o passado, mas para compreender quem me tornei. Você continua morando em mim, pertencemos uma à outra. Somos um misto de afetos, descobertas, crescimento e vida compartilhada.

Todos os dias, escolho validar sua existência na minha história porque abandoná-la seria deixar a melhor parte de mim para traz. Foi você que me ensinou a sonhar medindo todas as possibilidades e sou fruto das construções que edificamos ao longo do tempo.

Caminhamos lado a lado rumo ao amanhã, mesmo que totalmente incerto.

IMAGEM GERADA POR IA “usando GROK.AI, sob a direção de Adriana Magalhães, Criada em 05/08/2026″

 

No fim das contas, querido leitor, a infância não é um lugar distante para onde voltamos o olhar. É o início da jornada mais espetacular que um ser humano pode viver… a vida!

A magia de estar vivo e querer ser feliz é o que nos torna tão especiais e é na infância que toda semente germina. Acreditar que é possível fazer a diferença para si mesmo em primeiro lugar – seja quebrando ciclos, seja abrindo novas rotas – ou para o universo, é mola propulsora na construção da nova seara. Isso é fazer valer a oportunidade que se recebe ao nascer.

Faça as pazes com a criança que mora aí em você!

IMAGEM GERADA POR IA “usando SEAART.AI, sob a direção de Adriana Magalhães, Criada em 05/08/2026″

 

Deixe-a respirar, correr e sonhar de novo.

Abrace-a com carinho e, principalmente, ouça o que ela tem a dizer. Sempre!!

Fica bem.

Por CRIS GOMES

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Acessar o conteúdo