CONTOS – A lagarta e a borboleta por Rilnete Melo

CONTOS – A lagarta e a borboleta por Rilnete Melo

Num canto esquecido da floresta, vivia Aurora, uma lagarta verde, sonhadora e curiosa. Passava os dias observando os pássaros cruzarem o céu e as borboletas voarem entre as flores. Ainda assim, ela arrastava-se entre galhos e folhas, ouvindo criticas dos outros insetos:

— Lagarta não voa, aceite seu chão.

Certo dia, Aurora encontrou Brisa, uma borboleta de asas douradas, que já fora lagarta um dia.

— Como foi que você aprendeu a voar? — perguntou Aurora, curiosa.

Brisa sorriu, mas seu olhar trazia lembranças.

— Primeiro, precisei me desfazer de tudo que pensei ser. Enfrentei a escuridão de um casulo, o silêncio do mundo e a dúvida de mim mesma.

Só depois compreendi que crescer dói, mas é assim que se abre espaço para as asas.

Aurora hesitou, mas tentou. O chão era seguro, o casulo era um mistério, mas ao longo do tempo a metamorfose se tornou mais alta que o seu medo.

E assim, quando chegou o tempo certo, Luma se retirou. Ficou ausente por muitos dias e muitos acreditaram que ela havia sumido para sempre.

Até que, numa manhã de vento leve, uma nova borboleta surgiu com suas asas brilhantes explorando toda a floresta.

E ninguém mais ousou dizer que lagartas não voam.

 

Moral da história:

Nem toda transformação será visível de imediato, mas toda coragem que cresce no casulo se transforma em liberdade.

Em tempos de incertezas mudar é necessário.

Por RILNETE MELO

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