Num canto esquecido da floresta, vivia Aurora, uma lagarta verde, sonhadora e curiosa. Passava os dias observando os pássaros cruzarem o céu e as borboletas voarem entre as flores. Ainda assim, ela arrastava-se entre galhos e folhas, ouvindo criticas dos outros insetos:
— Lagarta não voa, aceite seu chão.
Certo dia, Aurora encontrou Brisa, uma borboleta de asas douradas, que já fora lagarta um dia.
— Como foi que você aprendeu a voar? — perguntou Aurora, curiosa.
Brisa sorriu, mas seu olhar trazia lembranças.
— Primeiro, precisei me desfazer de tudo que pensei ser. Enfrentei a escuridão de um casulo, o silêncio do mundo e a dúvida de mim mesma.
Só depois compreendi que crescer dói, mas é assim que se abre espaço para as asas.
Aurora hesitou, mas tentou. O chão era seguro, o casulo era um mistério, mas ao longo do tempo a metamorfose se tornou mais alta que o seu medo.
E assim, quando chegou o tempo certo, Luma se retirou. Ficou ausente por muitos dias e muitos acreditaram que ela havia sumido para sempre.
Até que, numa manhã de vento leve, uma nova borboleta surgiu com suas asas brilhantes explorando toda a floresta.
E ninguém mais ousou dizer que lagartas não voam.
Moral da história:
Nem toda transformação será visível de imediato, mas toda coragem que cresce no casulo se transforma em liberdade.
Em tempos de incertezas mudar é necessário.
Por RILNETE MELO

